Eu entrei no jornalismo porque queria expor injustiças e mentiras. As pessoas por trás dos maiores veículos de comunicação do Brasil, no entanto, parecem ter tido motivações diferentes.
Isso nunca ficou tão claro quanto durante a cobertura da luta pela fim da escala 6×1.
Um editorial d’O Globo argumentou que “as PECs da escala 6×1 não passam de oportunismo”. Acrescentando que uma semana de trabalho de 5x2 seria “nefasta para a economia brasileira”.
“Embaraçosa”, “ingênua”, “irrealista”, “distorcida” e “falácia” são algumas das outras palavras usadas pelo Globo para descrever a medida.
Líderes de associações setoriais recebem uma enxurrada de manchetes por cada declaração alarmista e projeção tendenciosa em oposição à PEC. Mas amplos estudos – tanto nacionais quanto internacionais – que mostram os prováveis resultados positivos são, em sua maioria, ignorados pela grande mídia.
“Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado”, iniciava uma reportagem recente da Folha de S.Paulo.
“É um absurdo o governo encarar o assunto como prioritário”, lamenta uma coluna no Estadão. “Ao propor o fim da escala de trabalho 6x1, sugere-se o trabalho como castigo e não como virtude. […] Como encaramos o trabalho como virtude, nossa jornada, com muito orgulho, é 7x0.” Não, isso não é paródia. É real.
No dia 8 de maio, o Estadão fez o que a Revista Forum chamou de “um bombardeio editorial planejado” contra o 6x1, com um dilúvio de reportagens tendenciosas e distorcidas que atacavam o fim de semana de dois dias para os trabalhadores mais pobres e vulneráveis da nossa sociedade.
O jornalismo pode ser – e tem sido – uma ferramenta poderosa para lutar contra a opressão. Mas no Brasil, a esmagadora maioria do dinheiro do jornalismo vai para propagar descaradamente o ponto de vista dos bilionários.
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Eles fizeram isso por causa de nossas investigações sobre as condições abusivas em que os entregadores eram forçados a trabalhar. As reportagens ajudaram a impulsionar a luta deles pela dignidade e colocaram as empresas na defensiva.
Neste momento, lançamos outra campanha que é de suma importância. Precisamos recrutar 1.000 novos apoiadores mensais para podermos continuar produzindo o jornalismo que os donos da grande mídia não querem que você veja.
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