Durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, o presidente Donald Trump declarou que o Irã deveria fechar um acordo de paz ou "os EUA irão terminar o trabalho". Ele negou a existência de um suposto rascunho de acordo divulgado pela TV estatal iraniana e insinuou que qualquer tratado poderia ser amarrado à normalização das relações entre Arábia Saudita e Israel. Em tom beligerante, afirmou que "não tem pressa" para encerrar a guerra e chegou a ameaçar "explodir" o sultanato de Omã caso este tentasse controlar o Estreito de Hormuz.
Negociações prosseguem. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, admitiu que houve alguns avanços, mas reforçou que um eventual acordo precisa impedir permanentemente o Irã de adquirir armas nucleares — e ressaltou que ainda não há garantias de sucesso. A mídia iraniana afirmou ter em mãos um "rascunho de tratado" que restabeleceria os embarques no Estreito de Homuz em menos de um mês, informação classificada como falsa pela Casa Branca. O impasse alimenta a volatilidade dos mercados: o preço do petróleo recuou cerca de 5,5%, para US$ 88,68 por barril, diante da expectativa de um cessar-fogo.
Escalada no Líbano. Em outro front, Israel realizou mais de 120 ataques aéreos no Líbano, avançando com forças terrestres além da zona de segurança estabelecida. O Ministério da Saúde libanês contabilizou 31 mortos e 40 feridos, e organizações locais estimam mais de 3.200 mortes desde 2 de março. O Hezbollah respondeu com foguetes, drones e artilharia.
Irã denuncia ataques dos EUA. A chancelaria iraniana criticou ataques norte-americanos contra depósitos de mísseis e navios lançadores de minas, afirmando que violaram o cessar-fogo, e prometeu que agressões não ficarão sem resposta. Os Estados Unidos sustentam que suas ações foram defensivas e que a trégua permanece em vigor. O Irã também executou um suposto espião israelense e restabeleceu parcialmente a internet após meses de apagão.
Europa: calor extremo e debate político
Onda de calor histórica. O Reino Unido enfrentou temperaturas de 35°C em plena primavera, registrando a primeira "noite tropical" — mínima acima de 20°C — em Yorkshire. Especialistas advertem que episódios como esse não representam mera oscilação natural, e sim o reflexo do acelerado aquecimento global. O Comitê de Mudanças Climáticas britânico defende medidas radicais de adaptação: plantio de árvores em zonas urbanas, revestimento claro de telhados, vidros escurecidos e, em alguns casos, ar-condicionado doméstico. A situação reacendeu o debate sobre a necessidade de preparar casas, escolas e hospitais para ondas de calor cada vez mais frequentes.
Blair contra Starmer. Em um ensaio de 5.700 palavras, o ex-primeiro-ministro Tony Blair criticou ferozmente a liderança trabalhista e sugeriu abandonar as metas de emissões zero, endurecer políticas de bem-estar social e reaproximar-se de Donald Trump. O texto amplia a tensão interna no Partido Trabalhista às vésperas das eleições gerais.
América Latina: violência eleitoral na Colômbia e retorno de exilada na Venezuela
Colômbia às urnas sob ameaça. A campanha presidencial colombiana ocorre em um clima de terror. Os candidatos Iván Cepeda (esquerda), Abelardo de la Espriella (extrema direita) e Paloma Valencia (direita tradicional) receberam ameaças de morte. Segundo a Cruz Vermelha Internacional, 339 dos 1.100 municípios podem registrar violência no dia da votação, e 126 são considerados de risco extremo. Os grupos armados, que cresceram após o desarmamento das Farc, somam cerca de 27 mil combatentes; assassinatos de líderes comunitários, recrutamento forçado e sequestros continuam.
Ativista venezuelana volta ao país. A advogada de direitos humanos Rocío San Miguel, presa por quase dois anos sob acusação de conspirar contra Nicolás Maduro, regressou a Caracas com autorização do novo governo. A mediação do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero permitiu seu retorno para encerrar o processo, mas ela continua sob medidas judiciais. O país ainda mantém entre 400 e 600 presos políticos, apesar da anistia que libertou mais de 8.000 pessoas. San Miguel destacou que a repressão prossegue e que ainda luta para limpar seu nome.
Surto de Ebola no Congo e Uganda
Emergência internacional. O surto de ebola da cepa Bundibugyo na província de Ituri, na República Democrática do Congo, levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a elevar o nível de risco nacional de "alto" para "muito alto". O país contabiliza 82 casos confirmados e 7 mortes confirmadas, mas há cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas. As autoridades locais proibiram funerais públicos e reuniões e cancelaram velórios após moradores tentarem recuperar o corpo de uma vítima e atearem fogo a um centro de tratamento. A OMS e a Federação Internacional da Cruz Vermelha alertam para o avanço da desinformação — muitos acreditam que o vírus é uma invenção — e enviaram equipes porta a porta para educar a população. Não há vacina específica para esta cepa; ensaios clínicos de terapias estão em estudo.
Casos cruzam fronteiras. Dois casos foram registrados no vizinho Uganda. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentou que ataques a equipes de saúde e a insegurança na região prejudiquem a resposta internacional. Em Ituri, o governo determinou que velórios só podem ocorrer em casa e proibiu aglomerações; moradores acusaram autoridades de "roubar" corpos, o que alimentou protestos.
IA e cibersegurança
"Força imparável". A diretora da agência britânica GCHQ, Anne Keast-Butler, alertou que a inteligência artificial é uma "força imparável" já utilizada como arma por Estados e grupos criminosos, muitas vezes no limiar da guerra convencional. Segundo ela, a Rússia intensificou operações híbridas contra infraestruturas críticas europeias, e quase meio milhão de soldados russos já morreram na guerra da Ucrânia. Keast-Butler defendeu acelerar a cibersegurança "da sala de reuniões à sala de estar" e reforçou a importância da parceria de inteligência entre Reino Unido e Estados Unidos.