Flavitcho Bolsonaro teve influência no governo Trump para que PCC e CV fossem classificados como terroristas ou já sabia que isso ia acontecer e cavou a foto? Pouco importa, darling. Flavitcho está capitalizando politicamente como o homem que teve o poder de fazer o governo Trump classificar o crime organizado como terrorista. Agora é saber se isso será um bom ativo eleitoral ou não.
Nunca podemos esquecer do fiasco das tarifas contra o Brasil. Esse tipo de classificação abre caminho para operações militares dos Estados Unidos no Brasil sem qualquer aviso prévio. Esse tipo de classificação coloca o Brasil no mapa dos terroristas e isso pode significar menos investimento estrangeiro no país (um monte de fundos de investimento não aplica dinheiro em países com organizações terroristas).
Além disso, um dos promotores que mais investiga o crime organizado no Brasil, Lincoln Gakiya, diz que essa nova classificação acaba com a colaboração em investigações contra esse pessoal que eles conduzem há anos. Isso porque o assunto deixa a alçada do FBI, que é o grande parceiro dos promotores brasileiros, e passa para a CIA, que não compartilha informações.
Então a pergunta é: será bom para o Brasil ou para o PCC? Algo vai acontecer a partir disso? A segurança vai aumentar? O combate ao crime organizado se tornará mais efetivo? Ou menos?
Na campanha de Lula, a decisão de Trump o colocou numa sinuca de bico. Mesmo sendo contra que isso acontecesse, como se manifestar sem saber qual é a reação da população? Dizer que é contra vai passar a imagem de um presidente que defende bandido?
Uma das alternativas é lembrar a população do que aconteceu com o caso do Pix. Os bolsonaristas derrubaram uma norma da Receita Federal que ajudaria a rastrear o dinheiro do crime fazendo uma campanha nas redes sociais acusando Lula de querer acabar com o Pix. Só meses depois ficou claro que a medida era para combater o crime, e foi quando Lula conseguiu inverter o sentimento da população — e foi justamente quando vieram as tarifas do Trump associadas ao lobby do Dudu Bolsonaro.
Mas o assunto é complexo e convencer a população não é fácil.
Só no discurso
Flavitcho ganha um discurso de que faz e acontece e atrapalha o discurso de Lula, que tem tentado emplacar como tema de campanha o fato de ser o governo que está sufocando financeiramente o crime organizado com todas as operações da Polícia Federal contra fintechs, bancos e fundos de investimento que lavam o dinheiro dos criminosos.
Mas a pergunta que não quer calar é: não dava para o Flavitcho ter pedido para que as milícias também fossem classificadas como terroristas? Tixa do céu.
Nota nada aleatória. Nunca podemos esquecer que Flavitcho conseguiu tirar momentaneamente da pauta o assunto do filme do Bolsonaro financiado pelo Banco Master.
A outra batalha de Flavitcho x Lula
Se do lado da segurança pública a batalha eleitoral entre Flavitcho e Lula já se desenhou, do lado do trabalhador também. Lula conseguiu aprovar na Câmara o fim da jornada 6x1 e o tema foi para o Senado. No Senado, o que Flavitcho está fazendo? Dando aval à proposta de Rogério Marinho (seu coordenador de campanha) para uma proposta de emenda à Constituição que estabelece o horário flexível. Tudo muito bem, tudo muito bom, mas isso é um regime alternativo à CLT. Há quem veja que essa proposta neutraliza os benefícios do fim da jornada 6x1. E eis que mais uma vez Alcolumbre está com a faca e o queijo na mão.
Diga ao povo que vou embora
O ex-governador do Rio, Claudio Castro, retirou sua candidatura ao Senado depois de duas operações da Polícia Federal e da revelação do caso da farra do uísque em Nova York com o Vorcaro. Castro é do PL, o partido do Valdemar Costa Neto que abriga também os Bolsonaros.
Lobby do Amém
Nada como ter uma bancada evangélica forte. Igreja já paga pouco imposto, mas Câmara aprovou proposta para emendar Constituição que amplia ainda mais a mamatinha. E tudo com a ajuda do Huguito Motta, que é o dono da Câmara frigorífica, que ameaçou descontar do salário quem não estivesse na sessão para votar. Basicamente, agora as igrejas estão isentas de impostos para construir templos e o texto abre brecha para que elas comprem até helicópteros sem pagar impostos. Que beleza!
A gente que lute, BRASEW.
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