44,3°C nas Landes, no sudoeste da França. 36,1°C em Gosport, no sul da Inglaterra. A onda de calor que castiga a Europa nesta semana não para de bater recordes: a França teve ontem seu dia mais quente desde que os registros meteorológicos começaram, em 1947, e o Reino Unido quebrou o recorde histórico para o mês de junho. As autoridades já contam mortos: ao menos 40 pessoas se afogaram na França desde 18 de junho ao tentar se refrescar em rios e lagos. A comparação que assombra é com 2003, quando uma onda semelhante matou quase 15 mil pessoas no país. Mais de 350 milhões de europeus estão expostos a temperaturas acima de 30°C. A agência meteorológica britânica emitiu alerta vermelho — classificação excepcional — para hoje e amanhã, com previsão de 39°C no Reino Unido. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a situação "coloca vidas em risco" e cobrou dos governos ação mais rápida diante da emergência climática. A análise científica atribuiu ao aquecimento global um acréscimo de entre 2°C e 4°C nas temperaturas desta onda. Paris mantém parques abertos durante a noite e ampliou o horário das piscinas municipais. O Louvre e a Torre Eiffel reduziram o horário de visitas. Trump e senadores republicanos discutem sobre guerra no Irã O presidente Donald Trump foi ao Capitólio nesta quarta-feira para um almoço com senadores do seu próprio partido que rapidamente descambou em confronto aberto. O senador Bill Cassidy, da Louisiana — derrotado nas primárias por candidato apoiado por Trump — levantou-se e disse ao presidente que ele não havia explicado ao povo americano o que estava acontecendo na guerra: "Era para durar quatro semanas. Durou quatro meses." Trump ergueu a voz. Cassidy ergueu a voz. Trump trouxe à tona a derrota de Cassidy nas primárias. "Claro que perdi! Obrigado por notar", respondeu o senador. Lisa Murkowski e Rand Paul também foram repreendidos. A guerra no Irã — que Trump iniciou em fevereiro chamando os líderes do país de "gente horrível, terrível" — entra agora em fase de negociação. Na semana passada, os dois países assinaram um memorando de entendimento para reabrir o Estreito de Hormuz e iniciar conversas sobre o programa nuclear iraniano. Novas rodadas técnicas estão previstas para a semana que vem em Genebra, segundo o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. Uma resolução não vinculante do Congresso pedindo a retirada das tropas americanas passou pela Câmara e pelo Senado com apoio de alguns republicanos — o que motivou boa parte da raiva de Trump no almoço desta quarta. Há um deslocamento político em curso: parte da direita americana passou a ver o Irã não mais como inimigo irredutível, mas como país com o qual os Estados Unidos terão de conviver. Pesquisa do New York Times/Siena mostra que 53% dos eleitores republicanos com menos de 45 anos são contra a guerra — número que cai para 22% entre os mais velhos. Trump cancela cerimônia de assinatura de projeto habitacional bipartidário Horas antes de uma cerimônia já anunciada no Capitólio, Trump publicou nas redes sociais que não assinaria a lei habitacional enquanto o Senado não aprovasse o chamado "SAVE America Act", projeto que exige comprovante de cidadania para votar e identificação nacional. O cancelamento pegou de surpresa até parlamentares que já haviam comparecido ao local. O projeto habitacional havia sido aprovado com margens expressivas: 85 a 5 no Senado e 358 a 32 na Câmara, uma raridade de consenso bipartidário. Trata-se de um pacote com mais de 50 medidas para ampliar a oferta de moradias e conter preços — o preço médio de uma casa nos EUA gira atualmente em torno de US$ 403 mil, mais do que o dobro do valor de 2010. O "SAVE America Act", por sua vez, não tem votos para avançar no Senado, onde precisa de 60 para superar o filibuster, mecanismo que permite a minoria bloquear votações. Cepeda reconhece derrota para Espriella na Colômbia O advogado penalista Abelardo de la Espriella, candidato da extrema direita, será o próximo presidente da Colômbia. Nesta quarta-feira, o senador Iván Cepeda, do Pacto Histórico — coalizão de esquerda do presidente Gustavo Petro —, reconheceu formalmente a derrota após dois dias de espera pelo escrutínio oficial. A diferença foi de menos de 1% dos votos: cerca de 250 mil votos em um universo de quase 26 milhões de votos válidos. Ao conceder a vitória ao adversário, Cepeda prometeu "oposição democrática, vigilante e construtiva" e alertou que resistirá a qualquer tentativa de "submetimento autoritário" e a qualquer tratamento do país "como um protetorado" — referência direta às intervenções públicas de Trump em favor de De la Espriella após o primeiro turno. O presidente Petro, mais cauteloso, acenou para o diálogo, mas seguiu questionando o resultado. De la Espriella toma posse em 7 de agosto. |