30 maio, 2026

O pretexto do “terrorismo”: a Soberania Brasileira sob a mira do golpismo e da extrema-direita | Luíz Müller Blog

 

A geopolítica imperialista nunca dorme, e seus tentáculos no Brasil mostram, mais uma vez, a que vieram. A recente articulação para que os Estados Unidos classifiquem as facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sob o rótulo de “organizações terroristas” não é uma medida de segurança pública. É, na verdade, uma indisfarçável ferramenta de coerção geopolítica externa, desenhada para impor o medo, relativizar nossa soberania e preparar o terreno para narrativas de intervenção.
O mais alarmante, contudo, não é a sanha intervencionista de Washington, mas sim a comemoração entusiástica dessa medida pela extrema-direita brasileira, liderada pelo clã Bolsonaro. Ao aplaudirem a tutela estrangeira sobre os problemas internos do país, esses setores escancaram sua verdadeira face: a de autênticos vendilhões da Pátria.

A armadilha jurídica do “terrorismo” estrangeiro

Ninguém em sã consciência nega a gravidade do crime organizado no Brasil ou o sofrimento que ele impõe às populações periféricas. No entanto, tratar o narcotráfico e o crime comum sob a ótica do “terrorismo” por meio de leis de outra nação altera completamente a natureza do problema.
Classificar juridicamente essas facções como terroristas nos EUA confere ao governo norte-americano permissões legais internas para congelar ativos, sancionar autoridades e, no limite, justificar operações extraterritoriais. O que se busca criar é o fantasma de uma “ameaça à segurança hemisférica”, uma cartilha amplamente utilizada na América Latina para justificar intromissões políticas e militares. O crime organizado deve ser combatido com inteligência, polícia e forte investimento social pelo Estado brasileiro — e não transformado em pretexto para a tutela de Washington.