Guardiãs do sagrado
Ao longo de cinco episódios, mergulhamos no cotidiano de lideranças que, entre a periferia, o interior e o litoral do estado de São Paulo, mostram que o terreiro é, antes de tudo, um centro estratégico de tecnologia social, acolhimento e produção de saber.
Em Campinas, a Mãe Alessandra Ribeiro mostra como os caminhos da ancestralidade da Umbanda no Centro de Estudos de Matriz Africana Mamãe Cambinda e Cabocla Jurema também desaguaram na formação do Jongo Dito Ribeiro e transformaram a Casa de Cultura Fazenda Roseira em um espaço de referência da educação afro-brasileira.
Esse fortalecimento cultural se estende ao extremo sul de São Paulo, onde Mãe Luciana Bispo herda o legado matriarcal para gerir o Ilê Obá Asé Ogodo e o polo cultural Lar Maria Sininha, provando que o terreiro é o espaço de maior cuidado e proteção aos direitos da infância na periferia.
A série percorre ainda a Resistência política de Mãe Claudia Rosa em Valinhos, que une a espiritualidade ao ativismo LGBT+ e ao Samba Muketu, combatendo a intolerância por meio da arte e do acolhimento.
No interior, em Ribeirão Preto, testemunhamos o legado de Mãe Neide Ribeiro, cujos 60 anos de sacerdócio resultaram na criação do Centro Cultural Orùnmilá e na sanção de uma lei municipal de salvaguarda das culturas tradicionais, mantendo vivo o Afoxé Omó Orùnmilá e a produção cultural de uma "pequena África" urbana na cidade.
No litoral, em Ilhabela, a Ekedi Eloiza Lourenço personifica a zeladoria que sustenta a autonomia das mulheres quilombolas, transformando a Festa de Iemanjá e a gestão do patrimônio da cidade em ferramentas de preservação da memória africana no Brasil.
Nas cosmovisões africanas, a mulher é o fundamento da própria vida, aquela que alimenta, orienta e mantém a existência florescendo mesmo diante das tempestades. "Terreiros Urbanos em São Paulo" é uma homenagem a algumas dessas lideranças que, ao ocuparem espaços nas artes, na educação e na política, mostram que a verdadeira abolição é um processo diário de afirmação.
Convidamos você a conhecer essas guardiãs que, por meio da matriz africana, seguem semeando futuros mais humanos, justos e luminosos, provando que a ancestralidade negra é, e sempre foi, o pilar que sustenta este país.
O documentário estreia hoje (13), às 19h, no canal do Brasil de Fato no YouTube. Já o lançamento presencial será dia 21, às 18h, no Armazém do Campo, localizado na região central de São Paulo (SP), com a presença de três personagens da obra.
Se você gosta do trabalho do Brasil de Fato e quer continuar consumindo um jornalismo comprometido com as lutas do povo, apoie! Pix: doe@brasildefato.com.br