Sinto um misto de amor e ódio por Naoki Urasawa. Ao mesmo tempo que o autor do aclamado 'Monster' é mestre em criar histórias de mistério envolventes, ele também tem uma dificuldade de finalizar suas histórias num tempo adequado. O que ele fez na reta final de '20th Century Boys' chega a ser criminoso. Dito isso, peguei o mangá 'Billy Bat' que acabou de sair no Brasil para fazer uma avaliação e posso dizer sem dúvidas: o desgraçado é um gênio. Ambientado em meio à Guerra Fria, 'Billy Bat' conta a história de um desenhista chamado Kevin Yamagata que faz sucesso com um quadrinho sobre um detetive morcego. Num belo dia, ele descobre que seu personagem já existia no Japão e viaja para lá com receio de ter cometido plágio. Começa então um thriller com assassinatos, participação de figuras históricas, mistérios de um Japão pós-guerra e a figura de um morcego que é quase como um Jesus Cristo para uma nação desolada. 'Billy Bat' não tem nada de muito diferente do que o Naoki Urasawa faz em seus outros mangás. Os personagens do autor (sempre muito expressivos, com uma quantidade alta de caretas) sempre acabam metidos em tramas misteriosas de organizações e com uma pitada de ficção-científica. Mas, mesmo sabendo o que te espera, Urasawa sabe entregar um thriller como poucos. A leitura é rápida, e quando você se dá conta já está envolvido nos mistérios e folheando o mangá avidamente em busca de respostas. A leitura do primeiro volume de 'Billy Bat' vai te deixando com muitas dúvidas, que é o 'truque' do Urasawa para te fazer comprar todas as edições. Quem é o morcego? Como que Kevin concebeu sua história? Por que ele tem delírios com o mamífero voador? Não sei as respostas e é capaz de me decepcionar no final, mas estou ciente do risco e quero continuar com esse mangá. 'Billy Bat', de Naoki Urasawa e Takashi Nagasaki Editora Panini (10 volumes na edição brasileira) |