Eis que hoje acordamos com uma cartinha do supremo Dias Toffoli confessando: o Tayayá era meu, sim, e recebi dinheiro do Vorcaro, mas nem sabia que era do Vorcaro e tava tudo limpinho. No meio do dia, o supremo Toffoli dava ordens para a Polícia Federal: entreguem as mensagens do zap do Vorcaro (ué, não estavam todas lá no relatório entregue para o Fachin? Faltaram as do zap do Xandão, foi?). E terminamos o dia com o Toffoli dizendo: foi unânime. E o que foi unânime? A saída do Toffoli, BRASEW. Acho que ele foi ali comprar um pão doce e já volta.
Eis que finalmente o supremo Toffoli, por livre e espontânea pressão, deixou o caso do Master, e um novo relator foi escolhido. É tanto escândalo que já nem sei mais por onde começar. Mas quero começar pela tal suspeição.
Muito se falou que a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli quando entregou o relatório de páginas e páginas e páginas para o supremo Fachin, que é o presidente do Supremo. Mas não foi o que aconteceu. O que a polícia informou ao Fachin (o presidente supremo), como muito bem noticiou a piauí e confirmado pela TixaNews, é que a PF estava, na verdade, investigando possíveis crimes cometidos por Toffoli, e não pedindo a sua suspeição. Eram zaps e mais zaps trocados com Vorcaro. E, em algum momento, Vorcaro chegou a falar para seu cunhado Zettel que tinha que pagar o Toffoli.
Tixa do céu, buguei!
Eu explico, darling: ser acusado de um crime é muito mais grave que um pedido de suspeição.
Uma suspeição pode acontecer porque o juiz tem negócios ou é sócio de um investigado, por exemplo. Ou a esposa é advogada do réu investigado, ou o juiz forçou que o caso ficasse na sua vara, mesmo sem ter prerrogativa, e aí alguém levanta a dúvida se o juiz está sendo ou foi parcial no julgamento. Se a suspeição é aceita, inclusive, todas as provas são anuladas (foi o que aconteceu no processo do Lula, quando teve a suspeição do Moro). Uma investigação por possíveis crimes significa que a polícia suspeita que o juiz pode ter cometido ele mesmo alguns crimes. Sacou a diferença?
Mas sigamos com tudo o que aconteceu.
Já era fim da tarde em Brasília quando o supremo Fachin botou todos os supremos numa salinha para discutir o escândalo e, depois de horas, eles decidiram fazer uma nota pública daquelas bem técnicas, que é para ninguém entender. Começou dizendo que não cabia suspeição durante a investigação, citando o Código de Processo Penal e sei lá mais o quê. Com isso, as provas foram salvas e seguem valendo. Ajeitaram com a mão, como lembrou um advogado.
Lá no meio da nota veio o momento “Toffoli é um homem maravilhoso”, amamos ele. E terminaram dizendo que ele é tão maravilhoso que ele mesmo decidiu pedir para sair da relatoria do caso. E aí o Toffoli saiu dizendo para a imprensa: foi unânime. Ahã, claro, claro. Famoso “pede pra sair” unânime.
A piada do dia. Ontem, a piada do dia foi Andrezito Esteves dizendo que fez o papel dele vendendo CDBs do Master. Hoje foi o Toffoli dizendo que, há muito, já não era sócio do Tayayá.
“A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando, há muito, a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro.”
Sabe quanto tempo era esse “há muito”? Segundo a própria nota do ministro? Desde fevereiro de 2025.
Para os perdidos. Para quem não se lembra de tudo de estranho que o Toffoli fez desde que pegou esse processo, vamos relembrar. Toffoli assumiu a relatoria do caso Master num pedido-relâmpago da defesa de Daniel Vorcaro, o dono do banco, quando apareceu um papelote citando um deputado no processo. Toffoli imediatamente decretou sigilo dos sigilos (algo bem pouco comum).
Depois, descobriu-se que ele viajou no jatinho de um dos advogados dos acusados do Master. Depois, ele pediu uma acareação estranha com Vorcaro e o Banco Central, dando a entender que o BC tinha feito algo errado (voltou atrás).
Depois, impediu a polícia de ver as provas de uma segunda fase da operação (voltou atrás). Depois, ele decidiu quem eram os peritos da polícia que ele queria na investigação. E depois fez a egípcia quando a imprensa noticiou que o Tayayá era dele e ele torrava o dinheiro público passando fins de semana no resort, recebendo os amigos, tipo o Andrezito.
E o Xandão?
Xandão segue com aquela questãozinha de que sua esposa tinha um contrato de 130 milhões de reais com o banco do Vorcaro. E dizem as más línguas que tem muito zap do tipo “Oi, Xandão. Vorcaro aqui.” Mas isso aí, por enquanto, é só intriga. Nenhum fato.
O próximo relator
O novo relator do caso é o terrivelmente evangélico André Mendonça. Só para lembrar, Mendonça foi indicado por Bolsonaro, abandonado por Bolsonaro, deixado à própria sorte por Alcolumbre, que levou seis meses para botar em votação seu nome no Senado, e depois abraçado pela Michelle. Outra coisa que não se pode esquecer é que este processo é altamente tóxico, leva mais de meia Brasília para o buraco, especialmente o Centrão, boa parte da direita e respinga também na esquerda.
As reações
Lula já mandou soltar na imprensa, assim daquele jeitinho que ele finge que não foi ele, que está na hora de o supremo Toffoli cair. Sair não só da relatoria do processo, como sair do Supremo. Já pensou? Daí ele pode ir lá e agradar o Pacheco, o Rodrigo mais alto do Senado, e indicá-lo para a vaga. Mas ninguém acredita que vai rolar um impeachment. É ruim de Alcolumbre deixar um impeachment acontecer sem o aval supremo, hein? Alguém aí lembra que os aliados de Alcolumbre no Amapá têm o rabo preso com o Master?
Falando no Rodrigo
Lula esteve com o senador, dizendo que ainda quer que ele seja candidato a governador por Minas Gerais para ter um palanque por lá. Pacheco é do PSD, o partido do Kassab. Kassab, aquele que jura que vai lançar um governador candidato a presidente.
Chega, BRASEW, não consigo pensar em outro assunto.
