Olá,
Sou Paulo Motoryn, repórter do Intercept Brasil, e quero te colocar por dentro da loucura que tomou nossa redação nas últimas semanas.
Quando recebemos o material que incluía mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, sabíamos que tínhamos uma bomba em mãos. Mas, antes de detoná-la, ainda havia muito trabalho pela frente.
Em tempos de inteligência artificial, nenhum arquivo pode ser tratado sem absoluta desconfiança. Passamos dias e noites cruzando as mensagens com dados públicos, como viagens, agendas e presenças parlamentares. Também verificamos números de telefone, encontros e fotos usando registros sigilosos obtidos de outras fontes.
Além disso, utilizamos tecnologias que nos ajudaram a confirmar a autenticidade de tudo aquilo que tínhamos em mãos. Assim, o quebra-cabeça foi tomando forma.
Como manda o bom jornalismo, não publicamos nada até que os envolvidos pudessem responder ou contestar os fatos – e nenhum deles o fez. Exceto Flávio Bolsonaro, quando foi confrontado pessoalmente pelo nosso repórter Thalys Alcântara em Brasília.
O resultado foi aquele vídeo em que o senador nega o financiamento de Vorcaro ao filme e, horas depois, admite que as conversas eram verdadeiras. Impagável.
Mas não acabou por aí. Com o furo de reportagem publicado, entrou em campo nosso time de redes sociais, designers e redatores, que fez a reportagem romper a bolha e alcançar milhões de pessoas.
Por fim, não posso deixar de aplaudir nossa comunidade de membros.
Se não fossem as pessoas que doam todos os meses para o Intercept, todo esse processo exaustivo de checagem e divulgação não seria possível – e as conversas de Flávio Bolsonaro negociando R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro nunca teriam vindo à tona.
Consegue imaginar?
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