Parentes de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) já atuaram em 1.921 processos nos dois tribunais superiores mais importantes do país: o próprio Supremo e o STJ (Superior Tribunal de Justiça). Desses processos, ao menos 381 ainda estão ativos e aguardam decisão final das cortes.
O UOL identificou 14 parentes de primeiro grau dos ministros do STF que atuam como advogados nos dois tribunais superiores. O levantamento considera filhos, cônjuges, ex-cônjuges e irmãos.
O total de familiares e processos pode ser ainda maior, pois não leva em conta casos sigilosos, como o episódio recente da investigação envolvendo o empresário Nelson Tanure que estava na Justiça Federal em São Paulo e foi remetido ao STF. Viviane de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, atua neste caso.
A maioria dos parentes já advogava antes de os ministros tomarem posse no STF. Entre os que se formaram depois de eles se tornarem membros do Supremo, somente uma filha de Moraes e um filho de Gilmar Mendes aparecem com um processo na corte cada um. Ambos já foram encerrados.
A atuação dos parentes nas cortes superiores não é ilegal. Os ministros do STF se declaram impedidos de analisar casos quando parentes estão atuando diretamente como advogados.
Procurados pelo UOL, os parentes negaram terem sido beneficiados com o parentesco, enquanto os ministros reforçaram que sempre se declaram impedidos.
Ainda assim, a atuação dos parentes tem gerado debates no meio jurídico e ganharam destaque depois da revelação de que o Banco Master contratou o escritório de Viviane de Moraes por R$ 129 milhões.
O Master foi liquidado pelo Banco Central um dia após seu dono, Daniel Vorcaro, ser preso pela PF em uma investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Master e o BRB, banco ligado ao governo do Distrito Federal.
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