O GITEX Global é um evento de tecnologia e inovação realizado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (Foto: Divulgação)
Direto de Dubai O GITEX Global , evento de tecnologia e inovação, realizou a sua 45ª edição na última semana, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O Brasil foi o país parceiro da conferência, que contou com um anúncio especial: São Paulo sediará a primeira edição do evento em 2027, tornando-se a primeira cidade na América Latina a receber o encontro. PEGN esteve presente e você fica por dentro dos principais destaques da conferência a seguir.
Participação brasileira. Após o crescimento do espaço para startups brasileiras no ano passado, com a ApexBrasil convidando 45 negócios para a missão em Dubai, a edição deste ano contou com cerca de 60 startups nacionais, com a participação da Prefeitura de São Paulo, que convidou 10 empresas para a conferência. Elas puderam apresentar suas soluções para potenciais clientes e investidores no Expand North Star (ENS), evento que faz parte da programação do GITEX Global e é focado em startups.
Estreia. O evento recebe participantes de 180 países, incluindo delegações de startups, como a do Brasil, com pavilhões dedicados a alguns deles, como Índia, Coreia do Sul e França. Neste ano, o Brasil deixou de ser o único representante da América Latina com um ambiente especial para exposição: o ENS recebeu também delegações do Chile e Equador. No site de PEGN, você encontra uma reportagem sobre a Jelou.ai, startup equatoriana que facilita a criação de agentes de IA para empresas. O fundador, Luis Loazia, já empreende no Brasil com uma logtech e pretende trazer a sua outra empresa para o país no primeiro trimestre de 2026. Outra startup do Equador, Aerialoop, de drones, foi a terceira colocada no Supernova Challenge, competição do ENS, e levou um cheque de US$ 25 mil (R$ 137 mil).
Falando em IA. A inteligência artificial continua sendo o principal assunto das conferências de tecnologia, mas, no GITEX, o papo vai além do hype e gira em torno de aplicações práticas para melhorar a vida das pessoas. Sam Altman, fundador da OpenAI (empresa por trás do ChatGPT), foi o principal palestrante do evento. Ele participou por videoconferência de uma conversa com Peng Xiao, CEO da G42, empresa de inteligência artificial dos Emirados Árabes. Durante o painel – que lotou o palco principal na terça-feira (14/10) – , ele falou sobre o uso da tecnologia como ferramenta e seu impacto social, afirmando que sua motivação é “trabalhar na aventura científica mais empolgante da história, capaz de melhorar a vida das pessoas”. Xiao, por sua vez, destacou que “IA é um novo estilo de vida” e que o avanço mais importante não é técnico, mas de mentalidade para adoção da tecnologia.
Mais IA. Com o plano de se tornarem um líder global em IA até 2031, os Emirados Árabes Unidos foram o primeiro país a criar, em 2017, um ministério de inteligência artificial, ocupado por Omar Sultan Al Olama. Ele subiu ao palco do ENS no domingo (12/10), para trazer a sua visão sobre o tema. “Se há 20 anos alguém dissesse que Dubai teria um unicórnio, ririam. Não tínhamos eletricidade nem infraestrutura. O que nos diferenciou foi a visão clara e a capacidade de atrair sonhadores”, afirmou durante o painel. Para ele, o mesmo se aplica para a IA – segundo Al Olama, Abu Dhabi, a capital, investe na tecnologia desde 2008, porque o país pensa “em intervalos de décadas, não de trimestres”. “Para nós, IA não é sobre glamour ou ganhos econômicos, mas sobre qualidade de vida em aplicações práticas e positivas”, disse. Ele destacou que o país tem 1,5 mil empresas puramente de IA e pretende chegar a 10 mil em cinco anos, atraindo talentos de todo o mundo. “Sucesso é quando a IA melhora sua vida sem você perceber — quando a qualidade de vida nos Emirados é muito superior à de qualquer outro lugar. Fracasso é depender de robôs que acenam e fazem shows, mas não agregam valor real”, declarou.
Olho no futuro. O ministro da economia dos EAU, Abdullah bin Touq Al Marri, também falou sobre inteligência artificial. Para ele, os líderes e executivos do mundo precisam estar preparados para lidar com a força e o avanço da tecnologia, e é necessário ter um foco em soluções. “Devemos abandonar a ideia de ‘resolução de problemas’ — isso as IAs já podem fazer. Precisamos ser líderes voltados para soluções, com visão estratégica e capacidade de construir o futuro”, afirmou em painel no GITEX Global 2025. Ele apontou que a busca por eficiência existe desde a Revolução Industrial, quando também ocorreu perda de empregos para as máquinas. “A inteligência artificial é parte dessa evolução. Está nos tornando mais rápidos e produtivos. O ser humano sobrevive por instinto e se reinventa constantemente. O que antes levava dias, hoje fazemos em minutos — e essa busca por eficiência nunca vai parar.”
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