Começando no final da pandemia e disparando em 2025, os imensos cenários cinematográficos de Hengdian, na China, passaram a abrigar produções de microdramas, parte deles para o mercado americano. São as séries verticais com episódios de poucos minutos, para assistir no celular. O ator canadense Greg Wollner trabalhou em tantos que mal consegue lembrar, mas avisa que seus elencos estão sendo as primeiras vítimas da chegada da IA ao setor audiovisual chinês. O marco foi o lançamento quase simultâneo do Seedance 2.0 e do Kling 3.0 — que geram vídeos com personagens que parecem humanos, das expressões aos movimentos. "Estávamos filmando toneladas de microdramas para o mercado externo, eu estava super ocupado com eles", diz ele. "Em fevereiro, saiu o Seedance. E as empresas que estavam fazendo 150 a 200 microdramas por mês de uma hora para outra fazem apenas três. Todo o resto foi para IA." Acrescenta que vários profissionais conhecidos seus estão mudando de carreira, voltando para o interior, e que seu próprio futuro —assim como o de Hengdian— depende da reação do público agora que essas produções por IA estão chegando ao mercado. "Parece que muita gente só quer se entreter. Os mais jovens, que nasceram com celular na mão, vão achar que robôs e inteligência artificial são normais. Vão ficar assim: O que é um ator?" Alguns atores chineses mais estabelecidos passaram a vender suas imagens para as plataformas. Ao menos uma atriz, Dilraba Dilmurat, já ganhou processo pelo uso de sua imagem num microdrama por IA. |