 | BTS quebra diversos recordes com ARIRANG em menos de uma semana | Camila Monteiro/Arte UOL/Big Hit Entertainment |
| BTS retorna e mostra que domina muito além do k-pop |
|  | Camila Monteiro |
| Não sabia o que era uma cidade paralisada até ver Seul se preparando para o comeback do BTS. Desembarcar na Coreia do Sul para cobrir esse retorno histórico foi uma experiência absurda. A capital inteira foi tomada: outdoors gigantescos servindo os melhores visuais, músicas ecoando em cada esquina, e moradores locais se misturando ao ARMY global para aproveitar atividades gratuitas por parques, praças, lojas, cafés e museus. Não foi apenas uma agenda promocional de lançamento mas um verdadeiro takeover de Seul. A cidade respirava Bangtan, provando que a gravidade que esses sete homens exercem é capaz de colocar uma metrópole inteira em sua órbita. E por falar em órbita, o epicentro desse furacão foi a icônica praça de Gwanghwamun. Caminhar por ali durante o show ao vivo, numa superprodução com a Netflix, deixava clara a magnitude logística para trazer o grupo de volta aos palcos após mais de quatro anos de hiato. Jornais físicos comemorativos eram distribuídos nas ruas como relíquias, enquanto a imprensa global (eu inclusa!), influenciadores e os grandes executivos da HYBE e da Netflix marcavam presença. Você pode ver como foi toda essa cobertura no nosso perfil K-pop no UOL. Tudo o que o BTS faz tem peso histórico, mas ver a engrenagem colossal que se moveu para esse retorno ao vivo foi um espetáculo que colocou eles em outro patamar.Se havia alguma dúvida sobre o poder digital deles pós-serviço militar, os números de 'ARIRANG' já falam por si só. Em menos de uma semana, eles estilhaçaram todos os recordes de streaming, ficando atrás apenas de Bad Bunny no cenário global. Mas o plot twist que me deixou surpresa? O país que mais está consumindo esse comeback é o nosso Brasil! Pela primeira vez, eles cravaram o topo do Spotify por aqui, um feito absolutamente inédito e difícil, considerando a muralha intransponível de dominância do sertanejo e do funk. Esse sucesso estrondoso prova que, mesmo após um hiato tão longo, o fandom não só continuou fiel como cresceu, mostrando uma força de mercado enorme. Muito se fala sobre eles serem os 'reis do K-pop', mas a verdade é que este novo projeto, uma ponte sonora perfeita entre Seul e Los Angeles (onde gravaram com produtores ocidentais de altíssimo renome), prova que eles foram muito além dessa caixinha limitante. É estranho ver que, apesar de lotarem estádios no mundo todo e apresentarem números que engolem ou empatam com titãs como Taylor Swift, Justin Bieber, Beyoncé e The Weeknd, eles ainda são frequentemente escanteados nas grandes premiações ou tratados como 'nicho' asiático. A razão para essa relativização do sucesso deles é bastante óbvia: xenofobia pura e simples. Já passou da hora da indústria engolir o fato de que eles não são uma modinha, mas sim uma força motriz global. Contra as apostas cínicas e contra todos que juravam de pés juntos que o hiato resultaria em disband, BTS ressurge mais forte, coeso e maduro do que nunca. São mais de 13 anos de carreira entregando uma ética de trabalho em equipe impecável, aproximando fãs da cultura sul-coreana e reescrevendo as regras da música pop mundial. Eles movimentam milhões de pessoas, injetam bilhões na economia e provam que a barreira da língua é um mito para quem tem talento e propósito. Seja em coreano, inglês ou na língua que eles decidirem falar. |
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 | No programa EPIKASE, Namjoon falou que Jimin é 'o preferido' de todos os membros | EPIKASE/Youtube |
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 | Sabe aqueles programas de namoro que tem sempre alguém que ganha todos os votos? É tipo isso, o Jimin é assim | | Namjoon, falando sobre como Jimin é 'a pessoa' de todos os integrantes do grupo; sempre presente e próxima | rapper e líder do BTS |
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 | Namjoon e Yoongi foram ao EPIKASE e conversaram com EPIK HIGH | @BTS_twt/X |
| Namjoon e Yoongi no EPIKASE: reunião de gigantes |
| A participação de Namjoon (RM) e Yoongi (Suga) no EPIKASE, programa com formato híbrido de talk show e culinária capitaneado pelo trio Epik High, não foi apenas mais um conteúdo promocional, foi um exercício de vulnerabilidade pública raramente visto entre nomes tão relevantes da indústria. Entre o descascar de bergamotas e o aroma da cozinha de Mithra Jin, o que testemunhamos foi uma conversa de luxo entre amigos, que também são ídolos de muitos. Ali, diante de Tablo e Tukutz, Yoongi e Namjoon não eram apenas fenômenos de vendas, mas discípulos e amigos de longa data, celebrando uma simbiose criativa que já nos rendeu colaborações icônicas como 'Eternal Sunshine' e 'Stop the Rain'. O charme da produção reside na subversão das expectativas de poder. Ver Namjoon, compositor que move multidões, ser gentilmente chamado atenção ao manejar uma faca de cozinha humaniza o artista de forma hilária. A dinâmica entre eles flui com a naturalidade de quem compartilha cicatrizes e sucessos: enquanto Yoongi destila seu pragmatismo sereno, o grupo mergulha em memórias da nova era 'Arirang', revelando bastidores de brigas triviais mediadas pelo álcool e a rotina exaustiva de gravações de MVs. Um dos momentos mais emblemáticos, e que certamente ressoa na audiência internacional, envolve a nova geração da família Epik High. Descobrir que Haru, a filha de Tablo agora com 15 anos, recorreu diretamente ao 'tio Min Yoongi' para realizar um trabalho escolar sobre o BTS, é o ápice da sofisticação cotidiana. Esse acontecimento não apenas ilustra a proximidade genuína entre as famílias, mas também solidifica a transição de Namjoon e Yoongi: de fãs ávidos do Epik High na juventude para mentores e referências diretas dentro do próprio círculo familiar de seus ídolos. Para o espectador, seja ele um stan devoto ou um entusiasta casual da cultura Hallyu, o episódio é um deleite. Ver essa troca descontraída e horizontal entre artistas que moldaram o som da Coreia moderna é um lembrete necessário de que a arte, em sua essência, sobrevive através de conexões humanas. O EPIKASE nos entregou o que o media training geralmente esconde: a risada franca, o respeito mútuo e a celebração de uma trajetória comum. É, sem dúvida, um conteúdo imperdível para quem gosta dos rappers. |
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Assista BTS | |  | Netflix/Divulgação | 'BTS x Netflix' | O grande evento de retorno do grupo aconteceu simultaneamente para o mundo inteiro e teve mais de 18 milhões de pessoas assistindo ao vivo. Bateu premiações grandes como Oscar, Emmys e Grammy! Muita gente reclamou de alguns ângulos ao vivo e a Netflix avisou que já rolou update e novos takes foram acrescentados ao show. Com pouco mais de uma hora e looks Songzio que misturam referências orientais e ocidentais, BTS voltou com tudo. | Onde? Netflix |
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|  | Jimmy Fallon/Divulgação | 'BTS x Jimmy Fallon' | Se existe uma certeza quando o assunto é promoção de BTS no Ocidente, é a de que eles vão passar pelo programa do Jimmy Fallon. E agora na 'Era Arirang' não está sendo diferente. O grupo vai ser apresentar todos os dias da semana por lá e já abriu os trabalhos com entrevista e uma performance especial de 'SWIM' no Museu Guggenheim. Um dos destaques é ver as interações entre Jimmy e Jimin que parecem amigos de longa data. | Onde? YouTube | |
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|  | Apple Music/Divulgação | 'BTS x Zane Lowe' | A primeira grande entrevista sobre o retorno de BTS aos holofotes aconteceu com o radialista, produtor e apresentador Zane Lowe, em parceria com a Apple. Em pouco menos de uma hora, os sete integrantes conversam sobre como foi voltar a produzir música depois do hiato por causa do Exército. A conversa foca na relação entre os membros e na produção do disco, colaboradores, parcerias e expectativas em torno do lançamento.| Onde? YouTube | |
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GERAÇÕES K-POP | |  | RM, Suga e J-Hope formam a icônica rap line do BTS | Camila Monteiro/Arte UOL |
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Rap Line deu o tom para toda uma nova geração de rappers no K-pop |
| Como a news essa semana está especial BTS, nada mais justo do que trazer um dos principais pilares do grupo: a rap line. Se hoje o BTS é esse titã global, a gente precisa agradecer ao suor e à lírica afiada dessa tríade icônica. O que começou lá no underground, longe dos holofotes e das grandes empresas de k-pop. RM (o líder filósofo) e Suga (o mestre das rimas cortantes) vieram das batalhas de rap de rua, onde o que importava era a caneta e o flow, enquanto o J-Hope já se destacava tudo nas batalhas de dança na sua cidade natal, Gwangju. Muito antes de serem treinados para debutarem em um grupo, eles foram parte da resistência de quem precisou provar que um idol também pode ser um artista visceral. A chave do sucesso aqui é que eles não tentam ser iguais. É uma alquimia absurda; RM traz aquela profundidade introspectiva, quase acadêmica, questionando a existência com um vocabulário invejável. Já o Suga é o soco no estômago, ele entrega a crueza, a dor e a ambição com uma honestidade que beira o desconforto (estamos aqui pela arte, não pela zona de conforto!). E o J-Hope? Ele é a técnica personificada. O flow dele é elástico, percussivo, trazendo a dinâmica da dança para o microfone. Essas perspectivas distintas não competem, elas se completam de um jeito que eleva qualquer faixa. E vamos falar de carreira solo? Se no grupo eles são gigantes, sozinhos eles são ainda maiores. O 'Capítulo 2' do BTS provou que cada um tem um universo inteiro para explorar. O Namjoon com a sensibilidade artística de Indigo e RPWP, o Yoongi (ou melhor, Agust D) incendiando tudo com a turnê D-Day — que foi um evento cinematográfico —, e Hoseok trazendo o experimentalismo de Jack In The Box e o street style de Hope on the Street. Eles não precisam da marca 'BTS' para validar seu talento, eles são a própria marca. O trajeto até aqui não foi um tapete vermelho estendido, foi uma maratona de obstáculos. Eles enfrentaram o preconceito da cena hip-hop coreana, que os chamava de vendidos, e o desdém da indústria de idols, que não entendia a profundidade deles. Ver onde eles chegaram, saindo de dormitórios minúsculos para o topo da Billboard, é a prova de que a narrativa de 'self-made' deles é real e não apenas estratégia de marketing de assessoria barata. No fim das contas, a Rap Line do BTS é o exemplo perfeito do que acontece quando a gente para de tentar vender e começa a conectar. Eles traduziram a experiência humana em versos que ressoam tanto em Seul quanto em São Paulo. É uma trajetória impecável, carregada de simbolismo e, acima de tudo, de uma competência técnica que coloca muito rapper ocidental no chinelo. |
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 | Ilustração | Manda pra gente! | Tem história inesquecível com seu idol? Passou perrengue para ir a algum show? Mande seu relato com foto e/ou vídeo: kpopuol@uol.com.br. |
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|  | Playlist | BTS está de volta e montamos uma playlist especial ARIRANG! Siga a nossa playlist de K-pop no TOCA! | |
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