Parceria entre Fundação Florestal e setor privado contribui para garantir água de qualidade para São Paulo
Por meio do incentivo às RPPNs, o estado fortalece a segurança hídrica e prepara os mananciais para enfrentar os desafios das mudanças climáticas
A parceria entre o Governo de SP e o setor privado preserva atualmente mais de 8,2 mil hectares do meio ambiente paulista (cerca de 8 mil campos de futebol). Este Programa é chamado de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, conhecido como RPPNs, da Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), que são fundamentais para a proteção e metas de desenvolvimento sustentável. Nessa iniciativa, o estado apoia proprietários de terras que desejam transformar suas propriedades em aliadas da natureza, o que garante a preservação da nossa biodiversidade para o futuro.
Na região de Nazaré Paulista, próxima à Serra da Cantareira, a RPPN Jacarandás é um exemplo de apoio ao abastecimento de água para a região metropolitana de São Paulo (RMSP) A propriedade do engenheiro ambiental, Marcelo Hector Sabbagh Haddad, possui uma área de mais de 22 hectares, com mais de 50% voltada à conservação perpétua de espécies da Mata Atlântica (equivalente a 12 campos de futebol). A região é próxima à represa Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de mais de 46% da população da RMSP.
A criação dessa unidade de conservação privada ocorreu em 2021 e foi muito importante para aumentar a quantidade e qualidade de água do principal manancial que abastece a RMSP. Entre os resultados, a criação da RPPN Jacarandás promoveu o acúmulo de água em uma das nascentes antes seca. Isso foi possível, porque a vegetação reflorestada atua como um mecanismo natural de infiltração, armazenando água e protege o solo, funcionando como uma "esponja" que recarrega os lençóis freáticos.
A reserva promoveu o plantio de mais de 9,7 mil mudas nativas, pertencentes a 150 espécies da Mata Atlântica. A ação também garantiu o aparecimento de 161 espécies de aves identificadas e o surgimento de mais de 20 espécies de mamíferos no local.
Nesta RPPN existem quatro cursos de rio, sendo dois rios e dois afluentes do rio Atibainha. Antes, o terreno era coberto com plantações de Eucaliptos, o que drenava muita água e interferia no fluxo dos rios e nascentes existentes no local..
“Eu adquiri o terreno para deixar um legado para as futuras gerações, por meio da conservação perpétua de um remanescente da Mata Atlântica”, diz Marcelo Haddad.
O que é uma RPPN?
A RPPN é uma categoria de unidade de conservação criada em área privada, por vontade do proprietário, com o objetivo de proteger a biodiversidade local. Ao formalizar essa intenção, o proprietário mantém o domínio sobre o imóvel, mas assume o compromisso de conservar a natureza, podendo desenvolver atividades de baixo impacto, como a pesquisa científica, a educação ambiental e o ecoturismo. Trata-se de uma ferramenta poderosa, já que transforma o proprietário de terra em um protetor oficial da natureza.
Em relação à água, a RPPN contribui para a segurança hídrica, já que a preservação é responsável pela proteção de nascentes e mantém o solo poroso para a recarga dos aquíferos. Atualmente, o estado de São Paulo possui 63 reservas estabelecidas oficialmente, por meio da Semil/Fundação Florestal e outras 32 encontram-se em análise.
Consultoria para tornar sonho em realidade
A Fundação Florestal exerce um papel estratégico no fortalecimento das RPPNs em São Paulo, por meio da interação entre a iniciativa privada com as metas públicas de conservação. A função do órgão público é de garantir suporte e assessoria para os interessados em desenvolver projetos preservacionistas e socioambientais.
São apoios na esfera jurídica, técnica e científica, assim como de suporte e capacitação. Trata-se de uma iniciativa que apoia a transformação das propriedades particulares em locais fundamentais para a manutenção da fauna e flora.
"As RPPNs comprovam que a conservação da biodiversidade é um compromisso compartilhado. Na Fundação Florestal, nossa missão é garantir que o proprietário dos terrenos não esteja sozinho na jornada”, explica Ana Xavier, analista de Recursos Ambientais da Fundação Florestal. “Nossa atuação oferece segurança jurídica e suporte técnico necessários para que o desejo de preservar se transforme em um legado oficial”, complementa.
Boas influências
Além da parceria entre a Fundação Florestal com o proprietário da RPPN Jacarandás, o programa atraiu a participação de 14 empresas privadas, institutos de pesquisas e de ensino, que atuam com o replantio de espécies nativas. “No começo disseram que eu era maluco de fazer isso. Hoje, o projeto até influenciou os vizinhos a plantarem em suas terras espécies nativas, para contribuir com o enriquecimento da biodiversidade da região”, afirma Haddad.
Com a força da atuação em conjunto na RPPN, estima-se que o acumulado nos anos de programa contribuiu para a remoção de aproximadamente 875 toneladas de CO2 da atmosfera, proporcionadas pela vegetação, apenas nesta propriedade. Isso representa o sequestro de carbono de mais de 100 voltas completas no Planeta Terra de um carro.
"Criar uma RPPN é investir também em uma verdadeira 'fábrica de água', já que o apoio da Fundação Floresta ao proprietário garante, entre tantos benefícios, um modelo de segurança hídrica com qualidade e que chega ao copo do cidadão e da cidadã da região metropolitana de São Paulo. É um programa com foco na manutenção da biodiversidade dos recursos hídricos para hoje e com uma visão para o futuro das próximas gerações”, conclui o Diretor Executivo da Fundação Florestal.

Everton Souza
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