South Summit Brazil 2026 Nesta semana, o Cais Mauá, em Porto Alegre (RS), voltou a se tornar o ponto de encontro para quem trabalha e se interessa por inovação e tecnologia. O South Summit chegou à quinta edição no país, com a missão de debater como o ser humano deve estar no centro das decisões tecnológicas em meio aos rápidos avanços da inteligência artificial.
“A tecnologia, por si só, não gera valor. O que buscamos é utilizar a inovação como vetor de transformação econômica e social. Porto Alegre vive um momento de protagonismo, com uma das maiores densidades de startups per capita do país, e temos a responsabilidade de converter esse potencial em impacto real e sustentável”, afirmou José Renato Hopf, presidente do South Summit Brazil, durante a abertura da conferência, na quarta-feira (25/3).
O evento, que acontece até esta sexta (27), contabiliza 700 palestrantes — sendo 150 nomes internacionais — em oito palcos simultâneos. Entre os nomes que já passaram pelas plenárias, estão agentes do ecossistema como Salim Ismail, fundador da Singularity University; Alex Szapiro, head do SoftBank no Brasil; Diego Barreto, CEO do iFood; e Robson Privado, cofundador da MadeiraMadeira. A expectativa de público é de 23 mil pessoas.
Poder humano. Durante o painel “Construindo o product market fit na era da IA”, os investidores de venture capital Larissa Bomfim, da Canastra Ventures, e Marcelo Ciampolini, da Antler Brasil, afirmaram que, apesar dos avanços da inteligência artificial e do ganho de eficiência no desenvolvimento e validação de produtos, a tecnologia não substituirá fundadores em funções essenciais como vendas, já que a decisão de compra segue sendo relacional e centrada em humanos. Segundo eles, a IA potencializa a produtividade, mas os fundadores que mantêm proximidade com clientes e capacidade de adaptação do negócio vão se destacar. Os especialistas recomendam foco no cliente, profundidade no problema e execução consistente como diferenciais competitivos.
Erro. O empreendedor e autor Ted Yang afirmou que, embora a inteligência artificial aumente a eficiência e acelere processos, velocidade não é vantagem sem direção estratégica – ele destacou que o erro mais comum é usar IA apenas para fazer mais rápido o que já era feito. Segundo Yang, a diferenciação virá da capacidade dos fundadores de redesenhar a forma de liderar, atuando como “maestros” na integração entre humanos e agentes de IA.
Globalização. A Endeavor aproveitou o palco do South Summit para lançar um novo estudo sobre internacionalização de startups brasileiras na quinta-feira (26/3). De acordo com o levantamento, 71% das scale-ups brasileiras já expandiram ou planejam expandir para fora do país, movimento motivado principalmente por potencial de mercado (75%) e demanda de consumo (42%). A pesquisa, que ouviu 101 fundadores, mostra que startups brasileiras tendem a crescer mais localmente (60% dos unicórnios tinham tese doméstica), ao contrário das startups de outros países da América Latina, que adotam a mentalidade global mais cedo. Leia mais insights da pesquisa na reportagem publicada no site.
Tese internacional. O tema de expansão para outros países também foi abordado no painel “Global na concepção”, que debateu as estratégias de internacionalização. Para os painelistas Juan Manuel Barrero (Lazo), Thomas Kuczynski (14B VC) e Adriana Morawska (Stripe), nem todas as companhias devem ser globais e a decisão pela expansão deve ser baseada em justificativas claras, como tamanho do mercado, baixo custo de internacionalização ou vantagem competitiva. Para aquelas com operação barata, vale investir em uma tese global desde o dia zero. Para as startups que dependem de vendas consultivas para o B2B a recomendação é validar produto e modelo antes de investir em expansão.
Era dos agentes. Com o assunto de agentes de IA em alta, empreendedores apresentaram como suas startups utilizam a tecnologia. A Zapia AI, de Allan Paladino, utiliza agentes para realizar tarefas como reservas, organização de planilhas, cancelamento de reuniões e envio de mensagens, com casos de uso em compras e organização diária. A Lastro, de Michele Chahin, desenvolveu a IA Laís para automatizar o atendimento e personalizar a interação com clientes do mercado imobiliário. Já a BeConfident, de Robson Amorim, proporciona aprendizado de idiomas por meio de interações conversacionais em texto, áudio e vídeo, coletando dados para personalização do ensino. De acordo com eles, o Brasil e a América Latina são mercados promissores para essas tecnologias devido à alta adoção de plataformas digitais e à abertura para novas soluções. |