O ano é 1978, Leci Brandão compõe a música Zé do Caroço, apesar de uma carreira consolidada, a gravadora não aceitou a inclusão desta faixa em seus álbuns, de toda forma, a música se tornou um sucesso nas rodas de pagode e nos shows da cantora, finalmente, em 1985, no álbum Leci Brandão, produzido por uma nova gravadora (Copacabana) a canção ganhou sua versão de estúdio. Eduardo Araújo – Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal da Paraíba (Neabi-UFPB). Brasil de Fato. 23 set 2022 |
Zé do Caroço narra uma história do comunicador Mendes, que instalou um sistema de alto-falante na laje de sua casa com o intuito de transmitir notícias, eventos, divulgar diariamente de notícias úteis, desde avisos sobre tempestades, falecimentos, preços de feira, até horários de transporte, sem custo para os moradores. Eduarda Bogo – Notthesamo. 09 jul 2025 |
Zé do Caroço foi José Mendes da Silva, um nordestino aposentado que se tornou figura querida e respeitada da comunidade no Morro do Pau da Bandeira, em Vila Isabel (Rio de Janeiro), cresceu nos becos e ladeiras, e aos poucos, tornou-se um personagem respeitado por toda a comunidade – não pela violência, mas pela palavra e pela capacidade de unir as pessoas. O apelido “Caroço” vinha de uma condição de saúde: José desenvolveu caroços nas articulações, o que resultou em sua aposentadoria. |
Zé do Caroço: O Samba Político de Leci Brandão |
Nessa altura da vida, Zé tinha largado os estudos, filho de diarista retirante nordestina com pedreiro de nome incerto, ainda não era “do Caroço”, apenas Zé, algumas vezes era chamado de Zé do Pau da Bandeira. Aos domingos ia à praia de Copacabana pegar jacaré, após uma semana cuidando dos irmãos e fazendo pequenos serviços para os mais velhos. |
“pega uma carteira de hollywood maço em Seu Tonho pra galera, pode ficar com o troco!” |
De serviço em serviço, de troco em troco, foi ganhando a confiança da geral, para Zé não tinha tempo ruim, no morro ou no asfalto era só pedir algo que ele desenrolava. |
Em 1992 pediram para Zé ir buscar uma encomenda na Barra da Tijuca, lá ia ele rápido tal qual Robson Caetano, quando escutou: |
“Zé ! Zé ! Tem uma tal de ECO – 92 por aí, cheio de milico, não vacila em lugar de rico”. |
Zé do Pau da Bandeira pegou 03 anos de FEBEM, tinham dito para ele, “fica peixe, em 02 meses tu saí daqui”, saiu com 17 anos, já era Zé do Caroço, líder de pavilhão, um pacificador de crises, levava tudo na palavra, sem arma ou covardia. |
A infância, adolescência ficaram para trás, até a moeda não era a mesma, tudo era no Real, a mãe apesar de o querer bem, não poderia recebê-lo em casa, agora estava casada com Pastor Luiz e seria uma vergonha na comunidade da Igreja ter um filho bandido. |
Nas andanças pelas zonas do Rio era festejado, mantinha uma rede de “prestadores de serviços” que fazia delivery de encomendas antes mesmo da palavra delivery existir, nunca entrava em confusão por disputa por ponto/território. |
Após 03 anos nas ruas percebia que os tempos e as gerações estavam mudando rapidamente, falavam que tinha uma tal de internet, agora era a vez dos celulares e as armas cada vez mais pesadas circulando nas mãos de pessoas cada vez mais jovens. |
Sua atividade chegou a gerar tensões: uma moradora, esposa de militar, teria reclamado do barulho do auto‑falante durante a novela, acionando a repressão da ditadura militar e desencadeando conflitos. |
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Zé Do Caroço · Leci Brandão |
℗ 1985 EMI Records Brasil Ltda |
Composer Lyricist, Vocalist: Leci Brandão |
Producer: Alceu Maia YouTube |
“Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer.”
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