Morreu hoje, aos 92 anos, Manoel Carlos, um dos autores mais influentes da história da televisão brasileira. A morte foi confirmada pela produtora Boa Palavra, administrada por Júlia Almeida, atriz e filha do autor. A causa não foi divulgada. O velório será fechado, restrito a familiares e amigos próximos. Ele vivia no Rio e enfrentava, nos últimos anos, limitações severas provocadas pelo Parkinson.
Manoel Carlos não foi apenas um novelista de sucesso: criou um universo reconhecível na televisão brasileira. Durante décadas, fez do Leblon um território mítico da dramaturgia nacional e transformou o cotidiano da classe média em matéria-prima de conflitos morais, afetivos e familiares. Seus diálogos longos, diretos e sem pressa iam na contramão do ritmo acelerado da TV, apostando na conversa como motor dramático — uma escolha que ele nunca renegou, mesmo quando a audiência começou a cobrar outro tempo.
Seu nome está indissociavelmente ligado às Helenas, protagonistas que atravessaram gerações entre Baila Comigo (1981) e Em Família (2014). Foram nove mulheres centrais, fortes, contraditórias, capazes de mentir, trapacear e sacrificar tudo em nome dos filhos — e ainda assim manter a empatia do público. Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Julia Lemmertz deram corpo a personagens que redefiniram o papel feminino nas novelas e consolidaram a marca autoral de Manoel Carlos.
Antes disso, ele já havia sido ator, diretor, roteirista e produtor desde os primórdios da TV brasileira, passando por Tupi, Record, Excelsior e Globo. Foi peça-chave de programas históricos como Família Trapo, O Fino da Bossa e do nascimento do Fantástico. Viveu tragédias pessoais devastadoras — a perda de três filhos — e rejeitava a ideia de "superação": preferia falar em seguir vivendo. A morte de Manoel Carlos marca o desaparecimento de um dos últimos autores centrais da era de ouro da televisão aberta no Brasil.
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