Juliana Ventura, editora-executiva de PEGN, Bruno Teixeira, da Raio Capital, e Sidney Levy, da Invest.Rio (Foto: Fernando Souza)
Voices 2025 O Museu de Arte do Rio (MAR) foi o palco do Voices 2025, evento que debateu tecnologia, empreendedorismo e os caminhos da inovação nesta quarta-feira (10/12). O encontro, realizado por Valor Econômico, O Globo, CBN, Época NEGÓCIOS, Pequenas Empresas & Grandes Negócios, TechTudo e Rádio Globo, contou com a participação de Orkut Büyükkökten, fundador do orkut.com, e Luciana Santos, ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação.
PEGN foi responsável pela curadoria da trilha Startup Labs, que teve pessoas fundadoras de empresas selecionadas para a lista 100 Startups to Watch 2025 como painelistas, além de nomes relevantes do ecossistema de inovação.
À noite, um coquetel de comemoração à publicação da lista 100 Startups to Watch 2025 foi realizado para convidados, com a presença de fundadores e fundadoras das empresas contempladas. Confira a galeria de fotos com os premiados e os melhores momentos da festa.
Rumos do capital. O primeiro painel do Startup Labs no Voices 2025 destacou que, após um período de euforia e investimentos pouco criteriosos, o venture capital no Brasil entrou em uma fase de depuração, com fundos mais exigentes e foco em eficiência, retenção e caminhos claros para lucratividade. Bianca Martinelli (Alexia Ventures), Bruno Teixeira (Raio Capital) e Sidney Levy (Invest.Rio) apontaram desafios estruturais, como a concentração geográfica dos investimentos e a falta de coordenação entre governo, academia e mercado, ao mesmo tempo em que veem na IA uma oportunidade para reposicionar ecossistemas, como o do Rio de Janeiro. Para os investidores, a seleção mais dura exige proximidade com fundadores, clareza sobre risco e ambição para além do mercado doméstico, com startups que combinem tecnologia robusta, dados proprietários e estratégias escaláveis. Para os empreendedores, a mensagem foi direta: capital existe, mas vai para equipes maduras, negócios sustentáveis e soluções que resolvem problemas reais.
IA. O uso da inteligência artificial na criação e expansão de negócios inovadores também foi debatido no Voices 2025, com especialistas destacando erros comuns entre fundadores, como tratar a IA como base do negócio em vez de ferramenta, ignorar governança, construir produtos sem consistência e escalar sem arquitetura adequada. Leonardo Paixão (PX Data), Victor Zaban (Shaped), Vinícius Pantoja (Proffer) e Kakal Lima, head de startups da AWS, reforçaram que a pressa em implementar IA sem clareza de valor pode gerar mortalidade precoce, além de apontarem que dados bem estruturados e ciclos de desenvolvimento mais rápidos redefinem a dinâmica das startups.
Edtechs. Já no debate sobre educação, Alexandrine Brami (Lingopass), Hector Gusmão (42Rio) e Rogério Tamassia (Liga Ventures) destacaram que, embora a IA permita escala, velocidade e alcance em regiões remotas, ela não substitui fundamentos, profundidade crítica e a dimensão humana da aprendizagem. Para edtechs, isso implica equilibrar automação com formação sólida, especialmente para quem deseja liderar em tecnologia. Ao mesmo tempo, a pressão por sustentabilidade financeira tem empurrado startups do setor para modelos B2B, até que o ciclo de grandes investimentos retorne.
Impacto. Com participação de Thiago Monsores (Carteiro Amigo Express) e Marcus Vinicius Athayde (CUFA e Favela Holding), o quarto painel da programação discutiu os desafios dos negócios de impacto nas favelas, destacando a dificuldade de atrair investidores que desconhecem o potencial econômico dessas comunidades e temem interferências externas. Ambos ressaltaram que os moradores veem cada vez mais o empreendedorismo como caminho de ascensão e que o setor público precisa identificar problemas e oportunidades locais para impulsionar negócios capazes de transformar realidades e escalar globalmente.
Escala. No talk de encerramento do Voices 2025, especialistas discutiram como escalar uma startup “do jeito certo”, ressaltando que encontrar o product market fit exige sucessivos MVPs, clareza da tese e um time capaz de sintetizar a proposta rapidamente. Segundo os participantes, a transição para a fase de tração demanda disciplina, capital na medida certa e revisões constantes. Eduardo Schaeffer (Globo Ventures) lembrou os erros cometidos na era da abundância e defendeu ciclos de financiamento curtos, enquanto Naielly Marques (Instituto Gênesis da PUC-Rio) destacou acompanhamento próximo, conexões e editais como fatores importantes para dar o impulso inicial. Na mensagem final, ambos reforçaram a importância da visibilidade, foco e construção consistente para quem busca crescer em um cenário de competição maior e liquidez mais restrita.
O Voices 2025 é uma iniciativa da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio, com patrocínio da Prefeitura do Rio e Secretaria Municipal de Educação, apoio da Zapt, patrocínio das trilhas especiais por Claro Empresas e Insper e parceria da Play9. |