A irreverente Dercy Gonçalves (1907-2008) foi testemunha de um século de transformações na história do entretenimento no Brasil. A atriz viveu o apogeu e a queda do teatro de revista e da era do rádio, acompanhou as diferentes fases do cinema brasileiro (das chanchadas aos filmes financiados por leis de incentivo) e viu a evolução da televisão —dos primórdios, com imagens desfocadas em preto e branco, até a era da alta resolução. Foi, nas palavras do crítico teatral e imortal da Academia Brasileira de Letras Sábato Magaldi, a "maior marginal do teatro brasileiro". Dezoito anos após sua morte, aos 101 anos, a irreverência de Dercy faz com que seja resgatada por uma geração que não a viu no teatro, no cinema e na televisão, mas se sente atraída por suas opiniões fortes —algumas delas a colocariam na rota de cancelamento dos tempos atuais. Cortes de vídeos da artista vociferando palavrões, falando mal de homens e políticos e defendendo os bons costumes (um paradoxo com sua fama de pornográfica) viralizam nas redes sociais. Um trecho de uma entrevista dela em que se diz violenta acumula 360 mil curtidas no TikTok. Uma peça sobre sua trajetória, "Nasci para ser Dercy", fez mais de 230 apresentações pelo Brasil desde 2024, para um público estimado em 100 mil pessoas —além de faturar prêmios, como o Shell, o APCA e o Bibi Ferreira. Dercy Gonçalves também é tema de biografia escrita por esta repórter -"Dercy, a Diva Debochada" (editora Objetiva, 290 págs., R$ 79,90) —a ser lançada em 5 de maio. O UOL relembra a trajetória de Dercy e pede desculpas antecipadas a ela por chamá-la de "irreverente" na abertura deste texto --ela odiava que a rotulassem assim e costumava aplicar um de seus famosos palavrões a quem se arriscasse a fazê-lo.
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