Shirley Temple (23 de abril de 1928 – 10 de fevereiro de 2014) não foi apenas a estrela infantil mais icônica de Hollywood, mas também uma diplomata pioneira e a pessoa mais jovem a receber um Oscar. Como estrela infantil, Shirley Temple era um prodígio extraordinário, com um charme natural e carismático, memória fotográfica para falas, letras de músicas e passos de dança, e uma radiante coroa de cachos dourados que pontuava sua alegria ou discórdia na tela com um aceno de seu rosto com covinhas. O fascínio do público por Shirley beirava o fanatismo no auge de sua popularidade, em meados e no final da década de 1930, e inúmeros artigos de jornais e revistas destacavam suas atividades dentro e fora das câmeras. Como aconteceu com muitas crianças-prodígios do cinema, a carreira de Shirley Temple perdeu fôlego quando ela atingiu a idade adulta. Após se aposentar do cinema em 1950, aos 22 anos, Shirley Temple ingressou no serviço público e tornou-se ativa no Partido Republicano da Califórnia, iniciando sua carreira diplomática em 1969, quando foi nomeada para representar os EUA em uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde trabalhou na Missão dos EUA sob o comando do embaixador Charles Yost. Rapidamente ela se transformou em uma diplomata de carreira altamente respeitada. Seu currículo era impressionante: Embaixadora dos EUA em Gana (1974–1976), primeira mulher a ocupar o cargo de Chefe de Protocolo dos EUA (1976–1977), e Embaixadora dos EUA na Checoslováquia (1989–1992), onde testemunhou em primeira mão a Revolução de Veludo.
Aos 44 anos, casada duas vezes e mãe de três crianças, Shirley Temple foi diagnosticada com câncer de mama em 1972. Em uma época em que era tabu falar sobre a doença em público, ela foi uma das primeiras mulheres a falar abertamente sobre sua mastectomia, ajudando a desestigmatizar a doença e encorajando outras mulheres a assumirem um papel ativo em suas próprias escolhas médicas. Shirley Temple morreu em 10 de fevereiro de 2014, em sua casa em Woodside, Califórnia, aos 85 anos. A causa da morte foi doença pulmonar obstrutiva crônica. Fumante inveterada, Shirley evitava ser vista fumando em público para não dar mau exemplo aos fãs. Com sua carreira meteórica como estrela-mirim estrelando filmes extremamente populares que ajudaram a salvar a 20th Century Fox da falência durante o tempo em que esteve sob contrato com o estúdio, Shirley é lembrada por muitos de seus filmes, nos quais atuou ao lado de astros como Carole Lombard, Gary Cooper, Alice Faye, Lionel Barrymore, Joel McCrea, Randolph Scott, entre outros, mas principalmente por um filme que ela nunca fez, e que permanece até hoje como uma das maiores lendas de Hollywood. Shirley Temple e O Mágico de OzEntre os livros favoritos de Shirley Temple frequentemente citados, estava a série "O Mágico de Oz", de L. Frank Baum e sua sucessora póstuma, Ruth Plumly Thompson. Em visitas à casa dos Temple, os livros de Oz eram claramente visíveis na estante de seu quarto, e havia referências ao seu interesse pelas aventuras de Dorothy e seus amigos. Em "Child Star", sua autobiografia de 1988, a própria Shirley Temple afirmou que, quando sua mãe sugeriu que ela interpretasse Dorothy em adaptações para o cinema, Shirley respondeu que ela queria sim conhecer Dorothy, tão absorta estava nas histórias de Oz. Shirley Temple tinha contrato com a 20th Century-Fox e o chefe do estúdio, Darryl F. Zanuck, manifestou o interesse de produzir um filme sobre Oz estrelado por sua maior estrela já por volta de 1937. Uma das grandes lendas de Hollywood foi a batalha entre a Metro-Goldwyn-Mayer e a 20th Century Fox. A MGM queria Shirley Temple para o papel de Dorothy em "O Mágico de Oz" (1939), mas na época Shirley estava sob um contrato rigoroso com a 20th Century Fox como a principal artista do estúdio. Nicholas Schenck, chefe da empresa controladora da MGM (a Loew's Inc.), insistia em tê-la em seu filme porque ela era a maior atração de bilheteria na época, e ele a queria para interpretar Dorothy e garantir que "O Mágico de Oz", um filme de produção arriscada e de alto orçamento, desse lucro, mesmo se a MGM tivesse que barganhar um acordo oferecendo Clark Gable, Jean Harlow ou qualquer outro contratado em troca de Shirley Temple. A morte repentina de Jean Harlow em 7 de junho de 1937 atrapalhou as negociações.
Na época, a MGM ainda não detinha os direitos cinematográficos de "O Mágico de Oz", e essa história é frequentemente descartada como apócrifa. Mas na primavera de 1937 - e antes da morte de Harlow - "O Mágico de Oz" apareceu em uma lista de livros recomendados para adaptações para o cinema, muitos dos quais foram produzidos nos cinco anos seguintes. Se alguma vez houve um momento propício para essa velha história de Hollywood sobre os dois estúdios discutindo uma troca mútua de estrelas, o momento seria esse. A confusão sobre Shirley interpretando Dorothy surgiu porque os supostos eventos de 1937 se misturaram com os eventos da produção de "O Mágico de Oz" em 1938. Tendo garantido os direitos de adaptação para o cinema do magnata Sam Goldwyn em fevereiro de 1938, a MGM começou a escalar o elenco para sua superprodução.
Judy Garland era ainda uma jovem promessa na MGM, apesar de seu sucesso como atriz juvenil em produções voltadas para o público adolescente, incluindo participações na série de filmes de Andy Hardy. Sua habilidade para a atuação e principalmente seu enorme talento como cantora, levantou a questão dentro da MGM de que ela seria uma opção melhor para o papel de Dorothy do que Shirley Temple, pois o arranjador vocal do estúdio e mentor de Judy Garland, Roger Edens, e o letrista e aspirante a produtor Arthur Freed, estavam preocupados com a limitada capacidade vocal de Shirley em comparação com Judy, que conseguia lidar com os números musicais mais desafiadores. A própria Judy havia vencido uma batalha interna na MGM com sua concorrente direta e bastante talentosa, Deanna Durbin, ao posto de maior promessa do estúdio. Edens marcou, com certa hesitação, uma audição para Shirley Temple nos estúdios da 20th Century-Fox, após a qual ele retornou à MGM para informar que ela não possuía a potência vocal necessária para o espetáculo que estava sendo preparado. Em 1941, a mãe de Shirley, Gertrude, ainda demonstrava ressentimento ao relatar que Zanuck a havia enganado: ele lhe assegurara que a Fox detinha os direitos de adaptação cinematográfica de "O Mágico de Oz". Para piorar a frustração de Shirley Temple, Judy Garland que tinha 16 anos quando a produção foi encerrada, sempre foi considerada velha demais para a personagem que no livro é retratada como uma menina de 10-12 anos, enquanto Shirley, então com 11 anos, tinha a idade ideal para viver Dorothy. Com a indisponibilidade de Shirley, Judy Garland foi escalada, atendendo à preferência da equipe criativa, incluindo o produtor Mervyn LeRoy. Para disfarçar a idade da atriz, Judy usou maquiagem pesada e uma faixa apertada que escondia seus seios, além de uma peruca loira que foi descartada ainda no início das filmagens.
Como um prêmio de consolação, Zanuck escalou Shirley para uma série de histórias clássicas infantis adaptadas para o cinema, culminando com "O Pássaro Azul", de 1939 — um musical em Technicolor que, assim como "O Mágico de Oz", começa em tons sépia antes de passar para a cor em uma longa sequência de fantasia. "O Mágico de Oz" foi um sucesso extraordinário, mas "O Pássaro Azul" foi o primeiro filme de Shirley Temple a dar prejuízo. Isso marcou o fim de sua magnífica carreira como a principal atriz infantil do mundo. Mais tarde, a própria Shirley Temple confirmou que ela deveria ter sido emprestada à MGM para o papel, mas o acordo não se concretizou. Em retrospectiva, ela observou que Judy Garland era a melhor escolha para o interpretar Dorothy: "Às vezes, os deuses sabem o que é melhor". Com o fim de seu contrato com a Fox, que preferiu não renovar com a atriz após seus sucessivos fracassos de bilheteria, Shirley Temple foi bater à porta da MGM em busca de trabalho. Ao se encontrar com o produtor Arthur Freed para uma entrevista preliminar, não se sabe se para se vingar da atriz ou humilhá-la pelo fracasso de sua contratação para "O Mágico de Oz", ele supostamente expôs seus genitais para ela. Como Shirley reagiu com nervosismo, Freed a expulsou de seu escritório. O estúdio ainda queria Shirley e a ideia era escalar a atriz ao lado de Mickey Rooney e Judy Garland no musical "Calouros na Broadway", de 1941, mas temendo que ela pudesse ofuscar seus dois astros, a substituiu por Virginia Weidler. Ela ficou encostada por um tempo até aparecer no fracassado "Kathleen", lançado em dezembro de 1941, seu único filme para a MGM. Shirley apareceu em papéis de adolescente em filmes como "Miss Annie Rooney" (1942), outro fracasso, além de "O Solteirão Cobiçado" (The Bachelor and the Bobby-Soxer, 1947), estrelado por Cary Grant, e "Fort Apache" (1948), estrelado por John Wayne e Henry Fonda - seus dois únicos filmes notáveis ao longo de toda a década de 1940. Shirley apareceu em seu último filme, "O Eco de um Beijo" (A Kiss for Corliss), em 1949. No ano seguinte, anunciou sua aposentadoria do cinema. Durante os final dos anos 50 e início dos anos 60, ela ainda estrelou programas de TV como "Shirley Temple's Storybook" e "The Shirley Temple Show" e deu adeus à sua carreira de atriz em uma participação especial em um episódio de "The Red Skelton Show" em 1963. Fonte: Wikipedia, Huffpost | Fotos: Acervo do Blog
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