Klajner diz que, se soubesse como chegar ao top 10 mundial, o Einstein não era apenas o 16º melhor hospital, segundo o ranking da revista Newsweek. Mas depois admite que a equipe estuda os critérios do ranking ano a ano. E que um dos quesitos, as Medidas de Desfecho Relatadas pelo Paciente (Proms, na sigla em inglês), já são adotadas desde 2016 na entidade. Os formulários tentam captar o nível de satisfação e bem-estar das pessoas após passar por algum tratamento. E, nessa jornada, cada inovação adotada conta. Venha de onde vier.
Graças à tecnologia de uma startup portuguesa que monitora batimentos, movimentos e respiração de bebês durante partos, o Einstein atingiu em março deste ano 700 dias sem incidentes com falta de oxigênio para recém-nascidos. A empresa europeia estava reticente, mas convencida pelo Eretz.bio, topou trazer sua tecnologia ao nosso país.
A atração de novos tratamentos e cuidados é uma das formas como o Einstein inclui o Brasil no itinerário das tecnologias mais avançadas. A outra é colaborando em pesquisas que empurram algumas fronteiras da ciência, até mesmo de áreas efervescentes como a IA.
César Truyts, consultor do Einstein, e Edson Amaro, superintendente de Dados Globais e Tecnologias Avançadas para Equidade do Einstein, integraram o time de pesquisa por trás do Merlin, um modelo fundacional especialista em ler imagens em 3D. A partir de tomografias, essa IA consegue sozinha delimitar os órgãos abdominais e identifica quais doenças o paciente pode desenvolver nos próximos cinco anos.
Antes de seguirmos, uma contextualização: o dinheiro gasto pelo Einstein em eficiência e tecnologia não é para sair bem na fita em reportagens como essa, mas por obrigação institucional. Como organização filantrópica, seu estatuto a obriga a reinvestir os rendimentos em práticas que melhorem a saúde. "Se eu fosse uma organização que os objetivos fossem maximizar o resultado, provavelmente eu não estaria fazendo essas coisas", diz Henrique Neves.
Atuar no SUS, onde o impacto é maior, faz parte dessa missão. Nas contas do Einstein, duas vezes mais leitos estão sob sua administração na rede pública do que na privada —são oito hospitais públicos em São Paulo, Goiânia e Salvador, além de 31 unidades de saúde na capital paulista. Segundo Klajner, a sociedade beneficente recebe propostas todos os dias, mas recusa a maioria. Aceitar exige deslocar uma equipe de até 12 pessoas. Fora isso, interessa assumir as unidades onde o impacto é maior. Os últimos a passarem para debaixo de seu guarda-chuva foram os hospitais de Heliópolis, Ipiranga e Darcy Vargas, na zona sul de São Paulo.
Fora a gestão, a marca do Einstein chega à rede pública por meio da transferência de tecnologia. Exemplo disso são o Teleames, que leva telemedicina com 90% de resolução a populações ribeirinhas na Amazônia, e a doação de tecnologias avançadas, como robôs cirúrgicos, para hospitais oncológicos municipais. Ainda há dezenas de projetos conduzidos junto ao Ministério da Saúde via PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde). É o caso do Vigiambsi (Vigilância Ambiental e Saúde Indígena), que usa sensores e IA para monitorar a poluição do ar e entender a conexão entre fatores ambientais e a saúde de indígenas.