Os testes de carros autônomos já vêm ganhando o mundo: antes restritos aos Estados Unidos, os táxis sem motorista já estão levando passageiros também em lugares como China, Emirados Árabes Unidos, Japão e Europa. Além disso, modelos particulares com capacidade de direção própria também já são oferecidos por marcas como BMW, Mercedes-Benz e Li Auto.
Com mais carros sem condutor rodando, a tecnologia avança e aperfeiçoa sua inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, as falhas vêm ficando mais evidentes e problemas simples, mas de potencial catastrófico, vão sendo flagrados em vídeos que circulam e viralizam nas redes sociais.
Bagunça nos EUA
Em Austin, Texas (EUA), um táxi autônomo da Waymo - subsidiária da Alphabet, dona do Google - viralizou ao 'bugar' no pior momento possível: a saída de ambulâncias para resgate de vítimas de um tiroteio em massa. O atentado, ocorrido no domingo passado (1º), deixou três mortos e 13 feridos até o momento.
Nas imagens, o Jaguar I-Pace adaptado usado pela empresa repentinamente para atravessado na rua, enquanto os socorristas aguardam passagem. Aparentemente "confuso", o carro tentava balizar para frente e para trás, sem sair do lugar de fato.
Um policial, então, se aproxima do veículo e aperta um botão que faz contato com um operador remoto da empresa. Em seguida, um motorista humano assume o comando remotamente e o carro se retira para um estacionamento ao lado.
No fim, os socorristas informaram que o atraso foi pequeno, sem prejuízo às vítimas. A solução, entretanto, só veio rápida porque os policiais de Austin tiveram um treinamento específico para lidar com tais veículos.
Caso mais grave aconteceu na cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA): lá, os robotáxis já operam há mais tempo e alguns geraram grandes transtornos também em um momento crítico.
Ao longo de dezembro do ano passado, a cidade registrou cerca de 20 apagões, que geraram caos aos habitantes e acabaram impactando veículos de condução autônima.
Acontece que, sem energia, os supervisores remotos dos carros não conseguiam se conectar a eles. Sem a supervisão humana - obrigatório em intervalos de tempo -, os carros entravam em modo de segurança e simplesmente não saíam do lugar.
O caso foi para a Justiça, onde a Waymo se desculpou e admitiu quase 1.600 bloqueios de via causados pela parada dos carros em meio ao apagão. Na audiência, as autoridades questionaram até o impacto dos carros autônomos em grandes tragédias, como terremotos.
Lá, as forças policiais também são treinadas para remover tais veículos em caso de emergência. Os legisladores, entretanto, afirmaram que, com 1.600 paradas, foram perdidas inúmeras horas de trabalho em um momento crítico.
"Nossos socorristas não são assistentes de automóveis", afirmou um supervisor do serviço na sessão.
De quem é a culpa?
A questão de responsabilidade também vem sendo posta à prova com o aumento dos carros autônomos, incluindo casos de vítimas fatais (humanas e animais).
Via de regra, os estados e as cidades que permitem tais veículos submetem-nos a uma legislação sob medida.
No caso da Califórnia, por exemplo, as empresas devem possuir seguro que inclui terceiros para cada carro que circula. As câmeras e dispositivos de armazenamento de dados do carro também devem reter todo o histórico de corridas, a fim de conferência em caso de acidentes.
Quando acidentes ocorrem, a legislação diz, em linhas gerais, que haver uma análise se o carro operava em condições permitidas e cumprindo todos os resguardos de segurança.
Mesma coisa foi definida pela Suprema Corte da China: o 'STF chinês' determinou, no mês passado, que, se um carro com ADAS se envolver em um acidente, o condutor pode ser responsabilizado caso tenha descumprido a regra de atenção mínima para cada nível de automação.