Em 4 de março de 1974, a ditadura militar inaugurava a Ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como Ponte Rio–Niterói. Com 13,29 quilômetros de extensão, atravessando a Baía de Guanabara, a obra foi apresentada como símbolo do chamado “milagre econômico” e da promessa de modernização do regime. Antes da ponte, quem precisava ir do Rio a Niterói tinha duas opções pouco práticas: percorrer mais de 100 quilômetros por estrada, passando por Magé, ou atravessar a baía em balsas. A nova ligação encurtou o trajeto e passou a integrar a BR-101, mudando a dinâmica de circulação na região metropolitana.
A construção começou em 1969, no período mais duro da ditadura, logo após o AI-5. Grandes obras como essa eram usadas pela propaganda oficial para projetar a imagem de um país em desenvolvimento, enquanto o regime restringia liberdades e perseguia opositores.
Também houve um custo humano pouco discutido na época. O regime registrou 33 mortes na construção, mas estimativas posteriores apontam números muito maiores, chegando a centenas de trabalhadores mortos em acidentes no canteiro de obras. A ponte se tornou, assim, um símbolo ambíguo: ao mesmo tempo em que transformou a mobilidade da região, também carrega as marcas de um período de autoritarismo e silenciamento.
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