01 agosto, 2025

Revista Zum

 

SE EU INTERPRETAR UMA FOTOGRAFIA... por Rafaela Kawasaki & Luana Lorena & Henrique Fujikawa

A escritora paulista Rafaela Tavares Kawasaki resenha dois recentes fotolivros de artistas nipo-brasileiros: Canção à poeira (2025), de Luana Lorena; e Fujikawa – o sol daqui brilha amarelo (2024), de Henrique Fujikawa. Para ela, ambos formam uma experiência complementar justamente nos pontos onde se diferenciam com radicalidade.
 
“Participar dessa triangulação entre fotografias, esses dois artistas que as manipulam e nós mesmos, enquanto espectadores, possibilita reconhecer que o olhar sobre registros de arquivo é também uma projeção inventiva, simbólica e política sobre o passado dos outros e, inevitavelmente, sobre o nosso próprio”, escreve Rafaela. [Imagem: Henrique Fujikawa]

FICÇÕES ARQUIVÍSTICAS por Gabz 404 & Laura Sapucaia

Para o artista gaúcho Gabz 404, a fotografia é um dispositivo de invenção de espaços possíveis. Suas séries são emaranhadas entre si por um desejo comum de investigar narrativas cristalizadas. Nelas, concebe diferentes arquivos, caminhando entre ficção e realidade para questionar o estatuto de verdade atribuído às imagens.

Na visão da pesquisadora e educadora Laura Sapucaia, perguntar algo ao trabalho de Gabz 404 é retornar com certezas embaralhadas. Não por conta de uma confusão ou falta de clareza, mas pelo modo como suas imagens chacoalham determinados modos de afirmar.

TRABALHO por Lincoln Péricles & Juliano Gomes

O cineasta paulistano Lincoln Péricles antecipa imagens de seu novo filme, em que liberta os trabalhadores da repetição de seus papéis no cinema. Em texto publicado na edição impressa da revista ZUM #28, o crítico Juliano Gomes ressalta que a obra de Péricles propõe novas formas de representar a periferia.
 
“A experiência do trabalho precisa conservar certa brutalidade, para se proteger de uma eventual fetichização ou adequação aos regimes contemporâneos de docilização da expressão urbana periférica.”

GENTE DE VERDADE por Paiter Suruí & Coletivo Ixomasoden

Há pouco mais de 50 anos, a fotografia chegou aos Paiter Suruí. Da mão de viajantes e exploradores, a câmera passou a instrumento de resistência. Reunidas e comentadas por Ubiratan Suruí na edição impressa da revista ZUM #20, estas fotos registram o cotidiano da aldeia, sua relação com as imagens e as consequências do contato com os não indígenas.

“Tem homem branco que, quando olha uma árvore, só enxerga um toco de madeira e logo pensa em quanto dinheiro pode lucrar com aquilo. Na mesma situação, nós, indígenas Paiter Suruí, avistamos a vida, refletimos sobre os espíritos, contemplamos remédios e meditamos sobre Palob, o criador do universo. O tronco e as folhas não mudaram e nossos olhos são idênticos, mas o que vemos não é igual.”

ARQUIVO ZUM

Os messias do século 21 - O fotógrafo norueguês Jonas Bendiksen viajou pelo mundo para registrar o cotidiano de sete homens que alegam ser Jesus Cristo: o brasileiro INRI Cristo, o siberiano Vissarion, o sul-africano Moses Hlongwane, o japonês Mitsuo Matayoshi, o zambiano Bupete Chibwe Chishimba, o inglês David Shaylers e o filipino Apollo Quiboloy. “A verdade e a fé mais estabelecida de um é a loucura de outro. E vice-versa. E as pessoas não diriam isso das narrativas das religiões já estabelecidas?”

Letizia Battaglia: Palermo - Em ensaio escrito para o catálogo da exposição realizada no IMS em 2019, o crítico de arte Lorenzo Mammì chama a atenção para a postura ética da fotógrafa italiana Letizia Battaglia e a sua maneira peculiar, e ao mesmo tempo exemplar, de entender a imagem fotográfica em termos de militância política e social.⁠ “A questão não é o que a câmera, como se fosse invisível, viu na cena. O verdadeiro assunto da foto é o que a menina parece ter visto na câmera.”

Desde aquele beijo - Inspirada na fotografia anônima de um beijo na praia do Flamengo, a escritora Eliane Alves Cruz reflete em conto inédito sobre a visibilidade pública do afeto entre pessoas negras. Encontradas em feira livre do Rio de Janeiro e recuperadas pelo pesquisador Rafael Cosme, a foto do beijo faz parte de um grupo maior de imagens que revelam personagens ausentes dos cartões-postais da orla carioca.
RECOMENDAÇÕES 

O trabalho de reimaginação do álbum familiar da fotógrafa ítalo-togolesa Silvia Rosi é destaque no site da revista Aperture. “Rosi começou a fotografar na adolescência, documentando amigos e familiares na região de Reggio Emilia, no norte da Itália, para onde seus pais imigraram do Togo no final da década de 1980. A mudança de Rosi da Itália para a Inglaterra, para cursar fotografia no London College de 2013 a 2016, instigou um período de introspecção sobre o que significa sair de casa e criar raízes em outro lugar. ” [Revista Aperture]

A recente reedição do fotolivro Yoko, de Masahisa Fukase, nos revela a conturbada relação do fotógrafo com Yoko Miyoshi, sua ex-esposa. “Quando se casaram, ele a fotografou incansavelmente: em casa, na rua, com a família e, finalmente, após o divórcio, através das imagens de corvos que ele criou em sua tristeza. É um livro sobre os lugares na fotografia onde obsessão, coerção, performance e ego se combinam.” [PHMuseum]

O site da revista Musée entrevistou o fotógrafo holandês Anton Corbijn. Por décadas, Corbijn moldou as histórias visuais de ícones da música e do cinema. De Depeche Mode a Joy Division e Nirvana, ele capturou a essência de artistas lendários, não apenas visualmente, mas intimamente. “Sempre encarei meu trabalho com uma mentalidade específica. Costumo não ter grandes expectativas, o que faz com que tudo o que me acontece pareça uma surpresa agradável. Sou bastante prático e prefiro não ter uma equipe grande.” [Revista Musée]

A revista Quatro cinco um publicou uma resenha do livro Uma ilha chamada Armênia, de Cassiana Der Haroutiounian, que combina fotografias suas com poemas de poetas armênias. A obra explora a conexão emocional da autora com a Armênia, sua terra ancestral, apesar de não ter nascido lá. Através de imagens e versos, o livro reflete sobre pertencimento, memória e a história complexa do povo armênio.
[Revista Quatro cinco um]

INSCRIÇÕES ABERTAS

Prix Henri Cartier-Bresson 2025 – até 15 de agosto
2025 Lucie Photo Book Prize – até 22 de agosto
Fundación MAPFRE - KBr Photo Award 2025 – até 1 de setembro
2025 Paris Photo–Aperture PhotoBook Awards – até 5 de setembro


REVISTA ZUM #28

IVI MAIGA BUGRIMENKO & LEO FELIPE / THE ANONYMOUS PROJECT & OMAR VICTOR DIOP & TAOUS DAHMANI / RICO DALASAM / LENORA DE BARROS & POLLYANA QUINTELLA / LINCOLN PÉRICLES & JULIANO GOMES / MUSEU PALESTINO & NASSER RABAH / MOMO OKABE / PAULA SAMPAIO & FLAVYA MUTRAN / PEDRO COSTA & NUNO CRESPO



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ZUM é a revista de fotografia contemporânea do Instituto Moreira Salles.