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 | Arte UOL |
| Granola não é tão saudável quanto parece |
| | Sinônimo de café da manhã "equilibrado", a granola vem embalada em promessas atrativas: "tradicional", "7 grãos", "fonte de fibras", termos que convencem quem não presta muita atenção nos rótulos. Mas sua fama de saudável é superestimada. Basta ler a embalagem com calma para perceber que a base desses produtos não é tão especial quanto parece. |
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O componente em maior quantidade nas granolas é a aveia, frequentemente acompanhada por flocos de arroz, milho e trigo — todos são cereais ricos em amido, o que torna a granola uma fonte de carboidratos, assim como o tradicional pão. Até aqui, nenhuma surpresa. O problema é que esses cereais, por si só, não têm muito sabor; eles são neutros. Para transformá-los numa granola crocante, dourada e saborosa, é preciso adicionar adoçantes como açúcar, mel, melado, xarope de glicose e gorduras, ou ainda alguma combinação desses ingredientes, que atua como uma "cola", formando a aparência aglomerada que caracteriza a granola. |
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Na lista de ingredientes, os itens aparecem em ordem decrescente: vem primeiro o que tem mais. Nas granolas populares, algum tipo de açúcar aparece logo após os grãos na lista, o que indica que, combinados, eles preenchem a maior parte do pacote. |
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Algumas marcas utilizam açúcares que soam mais saudáveis, como "açúcar mascavo", "calda de açúcar demerara" ou "melado", mas o corpo humano não diferencia a origem: depois de consumidas, todas essas formas são convertidas em açúcares na digestão e têm o mesmo efeito sobre a glicose no sangue. Como vimos nesta coluna sobre o marketing do açúcar, trocar o refinado por mascavo só muda a cor, o sabor e o preço — mas o impacto metabólico é praticamente o mesmo. |
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"7 grãos" nem sempre é uma vantagem |
| Muitos consumidores associam o consumo de grãos integrais a benefícios à saúde, mas ter mais grãos nem sempre significa que o produto é melhor. De fato, grãos integrais têm uma quantidade ligeiramente superior de fibras em comparação aos refinados, mas, avaliando os valores absolutos na tabela nutricional, vemos que a quantidade total de fibras segue bem pequena, algo que não chega a 3 g numa porção de 40 g, dependendo da marca. Até as gorduras, adicionadas para dar crocância e textura, superam a quantidade de fibras nas formulações. Quem domina a composição é o carboidrato, que representa mais da metade da receita (uma porção pode chegar a 30 g do nutriente, quantidade semelhante a duas fatias de pão branco). Na prática, o consumidor pensa que está comprando um pacote de fibras quando lê "7 grãos", mas leva para casa um produto rico em carboidratos e gordura, com pouca fibra. |
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O tamanho da porção também engana |
| A tabela nutricional informa os valores para uma porção de 40 g, mas quanto é isso na tigela? Cerca de três colheres de sopa, que podem conter até 170 calorias, dependendo da granola. Se você não prestar atenção na quantidade, é fácil ultrapassar essa porção — e, consequentemente, aumentar as calorias. |
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Granola não é uma vilã, mas também não é o alimento neutro que parece ser. Ela pode ter seu lugar, desde que você perceba o que ela realmente contém e consiga incluí-la com moderação. Lembre-se de que frutas secas e passas, comuns nas granolas, concentram os açúcares da fruta original — são, portanto, mais uma forma disfarçada de adoçar o produto. Isso vale para todas as pessoas, mas é especialmente relevante para quem tem diabetes: preste atenção ao total de carboidratos na tabela nutricional, não apenas à linha dos açúcares. Existem opções que levam castanhas, sementes e coco como ingredientes principais, em vez de grãos ricos em amido; essas tendem a ter menos carboidratos e mais gorduras saudáveis, trazendo mais saciedade e melhor controle glicêmico. Na hora de escolher, não se deixe enganar pelas promessas do painel frontal: vire a embalagem, leia os ingredientes e confira a tabela nutricional. |
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Eu sou Sari Fontana, química industrial de alimentos e faço avaliações didáticas para ajudar você a comer de forma mais consciente (me siga no Instagram). Como você já sabe, o Guia do Supermercado não é patrocinado por nenhuma marca. Por isso temos a liberdade de criticar, mas também de elogiar os produtos que merecem um lugar no nosso carrinho de compras. Os produtos apresentados aqui são usados como exemplo ilustrativo, mas as explicações valem para alimentos similares de outras empresas. O mais importante é mostrar para você como interpretar a tabela nutricional e a lista de ingredientes dos alimentos, para fazer boas escolhas. Lembre-se sempre de conferir o rótulo dos produtos que avaliamos, pois o fabricante pode alterar a receita a qualquer momento, adicionando ou substituindo ingredientes. |
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