13 abril, 2026

Alma Preta

 

 

Oi, pessoal!

Estamos de visual novo aqui na news. Aos poucos, vamos fazendo ajustes para melhorar esse canal de comunicação com vocês. Inclusive, se você tiver um tempinho, pode me responder: qual dia da semana você prefere receber a news? Sexta-feira, domingo, quinta ou segunda-feira? Estamos em teste para entender qual o melhor dia. 🩷

Mas bom, vamos aos assuntos da última semana.


Chocante, mas comum

Na última semana, a polícia de São Paulo fez mais uma vítima ao matar Thawanna, uma mulher negra, mãe, moradora da Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo. O caso é chocante, mas não é exceção. Ele revela, com clareza e com imagens, a anatomia de uma violência que se repete: a abordagem desproporcional, o uso letal da força, a obstrução do socorro e a versão “oficial” que tenta sobrepor a realidade.

Conversei com a repórter Manuela Rached, que cobriu o caso pela Ponte Jornalismo e conversou com o Luciano, companheiro de Thawanna, e outros familiares. A versão de quem Manuela ouviu contraria a apresentada pelos policiais no boletim de ocorrência e expõe exatamente como esse padrão funciona na prática:

"O que o Luciano me conta é que a viatura passou muito próxima deles em velocidade reduzida. A viatura bate no braço dele, eles reclamam, a viatura volta de ré. O policial já começa a discussão xingando. A Yasmin, a policial, saiu da viatura e começou a xingar a Thawanna de vagabunda, apontando o dedo. A Thawanna fala: 'Não aponta o dedo para mim'. Segundo a testemunha e o Luciano, a Yasmin chega e começa a dar tapas na Thawanna e um chute entre as pernas dela. Depois desse chute, a Thawanna tenta se levantar e dá um tapa no braço da Yasmin, que não estava empunhando nenhuma arma naquele momento. Nisso, a Yasmin dá um passo para trás e atira na Thawanna. Esse tiro pega na região do abdômen. E aí o resto é o que a gente já sabe."

Depois da escalada de violência que termina em tragédia, vem a obstrução do socorro, outro elemento recorrente nesses casos. Thawanna não morreu só pelo tiro. Ela ficou agonizando enquanto os policiais impediam qualquer ajuda:

"A Thawanna ficou agonizando por muito tempo, pedindo socorro, e os policiais cercaram a área e não deixaram ninguém chegar perto. Eles nem socorreram, nem deixaram os vizinhos socorrer, nem deixaram o Luciano chegar perto. Ela ficou agonizando por mais de meia hora. Um policial ainda, mesmo ela baleada, mesmo ela já caída, aponta um fuzil para ela quando ela tenta se levantar, e aí ela cai de novo", narrou Manuela. 

E, claro, a narrativa oficial termina de completar a violência. Em casos como esse, a palavra dos agentes quase sempre é a primeira e, muitas vezes, a única levada em consideração. O que muda aqui é a existência de imagens. Já que existe uma dimensão enorme de casos iguais que nunca chegam ao noticiário, sem câmeras, sem testemunhas, sem contestação possível. Como conta Manuela:

"Muitas testemunhas fizeram imagens que circularam e enviaram para a imprensa, e isso foi muito fundamental para contestar a versão oficial inicial."

O caso de Thawanna é absurdo, mas é cotidiano. E, diante de tudo isso, falar em despreparo parece insuficiente. Ainda que a policial estivesse estagiando, com pouco tempo de rua, o caso segue o enredo que infelizmente costuma seguir: o da escolha pela violência como única forma de resolver conflitos.

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Indicações 


🎧Para ler: Da redação, a gente indica cinco autores negros para ler gratuitamente no MEC Livros, a nova biblioteca digital gratuita que visa democratizar o acesso à leitura.

🎬Para assistir: Semana passada fizemos uma live sobre a cobertura especial da Alma Preta na República Democrática do Congo. Foi um papo massa para quem quiser entender melhor o conflito que o país atravessa. Que tal tirar um tempinho para assistir a gravação