Bloqueio no Golfo Pérsico: Os EUA anunciaram um bloqueio a partir de hoje para interromper todo o tráfego que entra e sai dos portos iranianos, o que o Irã classificou como violação da trégua. O anúncio fez o petróleo disparar, com o barril do WTI vendido a cerca de US$ 104, e reações de Londres a Teerã. Eleições e democracia: na Hungria, o Tisza venceu de lavada, conquistando maioria que permite alterar a Constituição e encerrando o reinado de Viktor Orbán após 16 anos. No Peru, a votação foi marcada por atrasos e saída fragmentada; a conservadora Keiko Fujimori lidera, mas haverá segundo turno. Crise na Ucrânia: Ucrânia e Rússia trocaram acusações de quebrar a trégua de Páscoa de 32 horas; Kiev registrou 2.299 violações, Moscou 1.971, com civis mortos no lado russo e fiéis inseguros na celebração da Páscoa ortodoxa, celebrada ontem. Virada no Canadá: uma deputada conservadora aderiu ao governo de Mark Carney. Os liberais agora têm 171 dos 343 assentos - um a menos que a maioria - e duas eleições suplementares podem definir o rumo da Câmara. Escalada EUA‑Irã ameaça trégua e preços do petróleoO fim de semana foi tomado pela tensão no Golfo Pérsico. O Comando Central dos EUA informou que, a partir de hoje navios de guerra interceptarão qualquer embarcação que entre ou saia de portos iranianos. A decisão veio após 21 horas de negociações fracassadas e inclui ameaças do ex‑presidente Donald Trump de bombardear instalações hidráulicas e pontes caso o Irã não abandone seu programa nuclear. Teerã reagiu dizendo que qualquer navio que se aproxime violará a trégua de duas semanas e "será tratado com firmeza". O Irã ameaçou alvejar todos os portos da região e alertou que o bloqueio empurrará 32 milhões de pessoas para a pobreza. O Reino Unido recusou participação e o preço do petróleo disparou para mais de US$ 104 por barril. A iniciativa arrisca colapsar a frágil pausa humanitária e já movimentou mercados globais. Risco de escalada: além de reacender conflitos no Estreito de Hormuz, o bloqueio pode interromper cadeias de suprimento globais e pressionar países que dependem das exportações iranianas. Reação regional: aliados como Paquistão tentaram mediar a crise, sem sucesso, e Londres sinalizou que não pretende aderir ao bloqueio, ampliando a divisão no Ocidente. Pressão política interna: Trump aposta na retórica dura para satisfazer eleitores conservadores, enquanto a Casa Branca teme um novo conflito em pleno ano eleitoral. Trégua de Páscoa se esvai na UcrâniaO cessar‑fogo de 32 horas em razão da Páscoa ortodoxa durou pouco. As Forças Armadas da Ucrânia relataram 2.299 violações russas, incluindo artilharia e drones, até as 7h de domingo. Moscou contou 1.971 violações e afirmou que dois civis morreram na região russa de Belgorod em decorrência de ataques ucranianos. Fiéis ucranianos celebraram a Páscoa em meio a sirenes e abrigos, e um capelão afirmou que esta guerra "é a nossa Páscoa". A trégua, proposta por Moscou como gesto humanitário, não mudou o curso do conflito. Diplomacia estagnada: a troca de acusações evidencia a falta de confiança e mantém distante qualquer diálogo de paz. Crise humanitária: ataques contínuos impedem retiradas de civis e agravamento das condições em regiões devastadas, como Kharkiv e Donbass. Fronteiras vulneráveis: a ameaça a regiões russas como Belgorod mostra que o conflito já ultrapassa a linha de frente e pressiona o Kremlin a retaliar. Magyar vence e encerra era Orbán na HungriaQuase 80% dos eleitores compareceram às urnas e deram vitória massacrante ao partido Tisza, de Péter Magyar, com 138 dos 199 assentos do Parlamento e 98,74% das urnas apuradas. Viktor Orbán, no poder desde 2010, admitiu a derrota. A super‑maioria permite ao Tisza alterar a Constituição e prometeram restaurar o Estado de direito, aproximar‑se da União Europeia e combater a corrupção. O resultado é descrito por analistas como terremoto político que inspira opositores do populismo na Europa. Desgelo com a UE: o novo governo pretende recuperar bilhões de euros de fundos suspensos e pode aderir à Procuradoria Europeia, medidas que sinalizam retorno ao bloco. Efeito dominó: a derrota de Orbán enfraquece a ultradireita europeia e pode influenciar eleições na Polônia e na França. Juventude mobilizada: o alto comparecimento de jovens eleitores foi decisivo; eles exigem reformas, transparência e políticas ambientais. Deputada muda de lado e deixa Carney a um assento da maioria No Canadá, a deputada conservadora Marilyn Gladu trocou de partido e se juntou aos liberais do primeiro‑ministro Mark Carney, citando as tarifas de Donald Trump e a necessidade de se alinhar à defesa do país. Ela é a quinta a cruzar o plenário desde janeiro. Com 171 cadeiras das 343, os liberais precisam de um assento a mais para uma maioria absoluta, e Carney convocou eleições suplementares para duas vagas na segunda‑feira. O líder conservador Pierre Poilievre criticou a "traição" e pediu que desertores renunciem. Agenda em jogo: uma maioria permitirá a Carney aprovar pacotes de infraestrutura e contramedidas às tarifas norte‑americanas sem depender de aliados. Pressão sobre Poilievre: a debandada aumenta rumores de liderança fraca e reforça críticas internas sobre sua estratégia combativa. Relação com os EUA: a instabilidade política canadense ocorre enquanto Washington toma medidas comerciais agressivas, exigindo resposta coesa. Peru enfrenta filas e incerteza após primeiro turnoMais de 30 candidatos disputaram a presidência, mas nenhum chegou perto de 50% dos votos. Segundo apurações preliminares, a conservadora Keiko Fujimori lidera com cerca de 16,6% dos votos, seguida por Roberto Sánchez e Ricardo Belmont. Problemas logísticos fizeram urnas e cédulas chegarem atrasadas a 63 mil eleitores; as autoridades estenderam a votação para hoje. A segunda rodada está marcada para 7 de junho. A alta rotatividade presidencial (nove chefes de Estado em dez anos) e a desconfiança na classe política deixam o país dividido. Voto fragmentado: o grande número de candidatos e o baixo apoio a cada um mostram a dispersão do eleitorado e dificultam a formação de coalizões. Legado Fujimori: filha do ex‑presidente Alberto Fujimori, Keiko enfrenta forte rejeição, mas sua base organizada a levou à frente na corrida. Disputa geopolítica: tanto Washington quanto Pequim observam de perto; os principais candidatos prometem continuar parcerias econômicas com os EUA, enquanto a China expande investimentos na mineração de cobre. Cessar‑fogo de três dias para a visita do papa em CamarõesUma aliança de grupos separatistas anglófonos de Camarões, incluindo o Conselho Governante de Ambazônia, anunciou um "passo seguro" de três dias (15 a 17 de abril) para permitir a viagem do papa Leão 14. A medida visa garantir segurança aos civis e à comitiva papal em regiões sob controle dos rebeldes. Os separatistas afirmam que outras tréguas foram ignoradas pelo governo, e o conflito, iniciado em 2017, já matou milhares. Yaoundé não comentou. Sinal político: a trégua temporária busca atrair atenção internacional para a situação da minoria anglófona e mostrar disponibilidade ao diálogo. Risco de fracasso: armistícios anteriores foram descumpridos; sem acordo com o governo, civis continuam vulneráveis. Importância religiosa: a visita papal, a primeira ao país desde 2023, deve reunir multidões e representa esforço do Vaticano para mediar conflitos africanos. |