Mas foi quando falou sobre milícias e policiais acusados de crimes que o discurso de Flávio revelou sua dimensão mais controversa. Em dado momento da entrevista, ele teve que explicar por que relativizava denúncias e colocava em dúvida enquadramentos mais amplos do fenômeno na época da Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI, das Milícias no Rio de Janeiro, em 2008, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj.
“Qualquer prédio que tinha dois, três policiais morando era milícia... Se tinha uma rua onde moram 10 policiais e eles não deixavam ter uma boca de fumo na porta da casa deles, chamavam de milícia... Nesse cenário, a gente defendia a legitimidade dos policiais”.
Uma justificativa parecida surgiu no caso de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Bope, apontado como um dos líderes da milícia Escritório do Crime. Na entrevista, Flávio afirma: “Eu o conheci dentro do Bope, dando instrução de tiro para mim... Era uma referência, exímio atirador, super respeitado dentro da polícia”.
O histórico dessa relação é conhecido. Adriano foi homenageado por Flávio com a Medalha Tiradentes, uma das mais altas honrarias da Alerj, quando já respondia a acusações criminais.
Depois, a mãe e a ex-esposa do miliciano foram empregadas no gabinete do então deputado estadual — ambas citadas em investigações sobre o esquema de rachadinha envolvendo Fabrício Queiroz.
Na entrevista, Flávio justifica: “Fiz uma homenagem para ele e entreguei dentro do batalhão especial prisional para publicamente manifestar: ‘Ó, tô aqui defendendo um policial injustiçado’”. E acrescenta: “Eu conheci a família dele porque tinha movimento de esposas de policiais militares que defendiam esses familiares...”