Pneus automotivos tradicionais duram, em média, de 40 mil a 80 mil quilômetros. Mas, como em diferentes aspectos do mundo dos carros, as empresas já batalham pela criação de compostos muito mais resistentes — que tragam economia e sustentabilidade. Um deles é o Goodyear Eagle GO, criado pela companhia norte-americana como parte do carro-conceito Citroën Oli. Ele ainda não está em produção, mas pode chegar nos próximos anos, prometendo até 500.000 km de rodagem. O caminho para chegar a esse número não é simplesmente usar uma borracha mais resistente: segundo dados oficiais do projeto, a Goodyear prevê essa longevidade por meio de reutilização da carcaça e da possibilidade de renovar a banda de rodagem duas vezes ao longo da vida do pneu. Em termos microscópicos, o Eagle GO também foi pensado para reduzir dependência de derivados de petróleo. Isso porque, na sua banda, a marca optou por materiais quase todos sustentáveis ou reciclados, incluindo óleo de girassol, sílica de cinza de casca de arroz, resinas de pinheiro e borracha natural, substituindo parte de insumos sintéticos de origem fóssil. O Eagle GO ainda foi desenvolvido junto a um conjunto de rodas igualmente fora do comum no Citroën Oli, que usa peças híbridas de aço e alumínio. A Stellantis diz que essa solução fica 15% mais leve do que uma roda equivalente totalmente de aço, contribuindo para reduzir massa total do veículo e, consequentemente, o desgaste sobre o conjunto pneu-roda. Outro ponto central é o uso de um sistema com sensor embarcado para monitorar continuamente parâmetros de saúde do pneu. Tal software consegue acompanhar o estado da peça em tempo real, alertando ao condutor sobre a rodagem fora das condições ideais. Outros caminhosEm paralelo ao Eagle GO, há marcas que apostam em pneus vazados, sem ar, para atingir quilometragens sem precedentes. É o caso do Michelin Vision Concept, que não tem informado uma meta numérica, mas foi concebido como um objeto "infinitamente renovável" pela marca, com estrutura "airless" e banda que pode ser "recarregada" sob demanda por impressão 3D. É um conceito importante porque ataca o mesmo problema do Eagle GO por outra via: em vez de trocar o pneu inteiro, ele busca manter a estrutura e renovar a banda. Enquanto os pneus sem ar ainda vencem a fase de prototipagem, entretanto, a indústria trabalha modificando a fórmula química dos pneus — principalmente o papel do sistema "sílica + agente de acoplamento silano". Em linguagem simples, a sílica pode melhorar resistência ao desgaste e reduzir perdas energéticas, mas isso depende de ela se dispersar bem e de "conversar" quimicamente com a borracha. Isso, somado a desenhos otimizados da banda de rodagem e alterações na estrutura dos pneus ajudam a explicar, por exemplo, o sucesso do Goodyear Assurance MaxLife 2, já à venda. Lançado em 2025, ele é descrito pela empresa como seu pneu de passeio mais durável, com garantia de 140 mil km. A marca atribui isso ao que chama de "TredLife Technology": na prática, uma combinação de composto químico aprimorado e desenho de banda inovador. |