Quando falamos em mudanças climáticas, a ideia que circula é a de que todas as pessoas sofrem igualmente seus impactos, mas os dados mostram outra realidade. No Brasil, 67% das pessoas que vivem em áreas de risco ambiental são negras e os impactos atingem de forma ainda mais intensa mulheres negras e indígenas, muitas delas chefes de família e mães solo, sobrecarregadas por desigualdades estruturais.
Esse cenário é resultado de um processo histórico de exclusão territorial, de racismo estrutural e da ausência de políticas públicas que coloquem a justiça racial no centro da agenda climática.
Para aprofundar essa conversa, o episódio recebe Thaynah Gutierrez, administradora pública, assessora de Clima e Racismo Ambiental no Geledés – Instituto da Mulher Negra e secretária executiva da Rede por Adaptação Antirracista. Thaynah explica como o racismo ambiental torna populações negras, indígenas e quilombolas mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas e conecta esse cenário a processos históricos, como a abolição sem reparação.
O episódio também aborda os limites da atual transição energética, que beneficia grandes indústrias e mantém a pobreza energética, muitas vezes à custa da exploração de territórios indígenas e quilombolas.