Os dois shows que o cantor porto-riquenho Bad Bunny fez no Allianz Parque na semana passada foram uma daquelas raras circunstâncias: um artista ou banda que vem a São Paulo quando está no "topo do mundo", no auge de sua carreira internacional.
Nas semanas anteriores a sua vinda, Bad Bunny ganhou o Grammy de Disco do Ano por seu álbum "DeBÍ TiRAR MáS FOToS" (assim mesmo, com maiúsculas e minúsculas se confundindo) e impressionou o mundo com seu show no intervalo do Super Bowl (a final do campeonato de futebol americano dos EUA).
Também atingiu marcas de mais de 1 bilhão de audições para algumas de suas músicas no streaming.
No Grammy e no Super Bowl, Bad Bunny foi explícito em seu protesto contra a atual política anti-imigração do governo do presidente Donald Trump, que já causou mortes. O cantor de reggaeton também clamou por uma integração de toda a América Latina.
Nos shows em São Paulo, Bad Bunny lembrou aos brasileiros que nós também somos América Latina.
Talvez Bad Bunny nunca mais repita este momento supremo em sua carreira. Mas, em fevereiro de 2026, ele está no auge.
Em algumas ocasiões, houve apresentações em São Paulo de artistas no topo. Podemos até recuar ao longínquo ano de 1963 quando o cantor Ray Charles veio. Na época, ele enfileirava um sucesso atrás de outro nos EUA, como a hoje clássica canção "I Can't Stop Loving You".
Ou a vinda de Stevie Wonder em 1971, quando também vinha de uma sequência de sucessos mundiais. Aqui dá para dizer que Stevie ainda não tinha atingido seu auge artístico, que viria com obras-primas a partir do ano seguinte.
Mas Ray e Stevie vieram ainda na época de shows em teatros e auditórios. A era dos shows em estádios foi efetivamente inaugurada pela histórica apresentação da banda inglesa Queen no Morumbi em 1981.
O Queen de Freddie Mercury era a maior banda do planeta naquele momento. Seu álbum "The Game" e músicas como "Crazy Little Thing Called Love" e "Another One Bites the Dust" tinham dominado as paradas dos EUA como nunca tinha acontecido antes com a banda.
Sem falar que "Love of My Life" era um estrondoso sucesso nas rádios brasileiras havia pelo menos um ano e meio. O Queen mostrou que era possível para músicos internacionais vir ao Brasil e tocar em boas condições técnicas e de segurança.
Em termos estritamente pop, pode-se dizer que o grupo porto-riquenho Menudo veio em seu auge internacional em suas vindas a São Paulo em 1984 e 1985.
A banda grunge Nirvana também era mega quando se apresentou no festival Hollywood Rock no Morumbi em janeiro de 1993.
Só que seu líder Kurt Cobain estava completamente alterado no palco e o show desagradou a maioria esmagadora do público. Entrou para a história como um anti-show.
Também em 1993, veio Madonna, que também se apresentou no Morumbi. Podemos dizer que a cantora teve vários auges em sua trajetória, mas aquela fase e aquela turnê "The Girlie Show" foi um deles.
Deixamos de fora aqui grandes mitos que fizeram grandes shows por aqui, mas muitos anos depois de viverem seus maiores triunfos, como Paul McCartney, Michael Jackson ou Rolling Stones. E muitos, muitos outros.
O que diferencia Bad Bunny dos grandes nomes é que ele veio justamente quando tudo que ele faz parece aumentar sua reputação.