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18 novembro, 2025
Instituto Moreira Salles
Shaft por Amaro Freitas: entrevista com o pianista
Com álbuns aclamados como Sangue Negro (2016), Sankofa (2021) e o mais recente Y’Y (2024), o músico recifense Amaro Freitas é conhecido por sua linguagem marcada pela ancestralidade afro-brasileira e pela improvisação.
A convite do IMS, Amaro preparou uma apresentação inédita, inspirada no filme Shaft (1971), de Gordon Parks, marco da cultura negra nos EUA. A apresentação acontecerá após a exibição do longa-metragem, em sessões gratuitas, nos dias 25 e 26/11, no IMS Paulista, e 27/11, no IMS Poços.
A partir da narrativa e sonoridade de Shaft, o músico estabelecerá diálogos entre sons e imagens. As sessões integram a programação da mostra de filmes de Parks, em cartaz no Cinema do IMS Paulista, e da exposição Gordon Parks: a América sou eu, exibida no centro cultural. Na conversa abaixo, Amaro fala sobre a idealização do projeto, sua relação com a obra de Parks e com o filme Shaft.
1- Qual foi o seu primeiro contato com a obra do Gordon Parks e como ela o impactou?
Acredito que a primeira vez que ouvi falar de Gordon Parks foi quando cursava a faculdade de Produção Fonográfica, em Recife. Durante uma palestra, mencionaram alguns diretores do cinema negro americano. Eu me recordo de falarem dele e também do Spike Lee. Isso foi mais ou menos no ano de 2014. Nesse momento, eu estava entrando em contato com os debates raciais, “descobrindo” o que representa ser um homem negro na sociedade e me conectando com minhas raizes afro-nordestinas.
Foi importante saber sobre o Gordon Parks e entender o cinema como um lugar possível para um homem negro. Perceber também, por exemplo, como o roteiro de um filme pode trazer outras perspectivas e narrativas, a partir do nosso lugar de fala, para a comunidade negra, elevando a autoestima e criando referências de um novo imaginário sobre o nosso povo, sobre a nossa história.
2- Falando do filme Shaft, qual foi sua emoção ao assisti-lo pela primeira vez? Como os temas, a estética e a sonoridade do filme, com a trilha sonora composta por Isaac Hayes, dialogam com a sua produção autoral e as suas referências?
Me senti muito envolvido assistindo ao filme. O chefe do crime, que tinha o nome de Bumpy Jonas, me lembrou muito a elegância e a postura do Nat King Cole. Já o Shaft, com sua jaqueta de detetive, me lembrou algumas fotografias do Thelonious Monk. O chefe de polícia, um homem branco, me lembrou muito o Joe Pass, guitarrista que tocou em muitos concertos com o lendário pianista canadense Oscar Peterson. Eu fazia esse correlações, imaginava essas lendas da música como atores nesse filme.
Retomando, posso dizer que Shaft é extremamente empolgante. A estética dos anos 70, as cores, as roupas, as músicas, as gírias, tudo fazendo parte de uma memória construída por meio do cinema americano. O protagonismo preto revela o início de uma nova era, em que as pessoas pretas são colocadas em lugares de destaque, mas com seu próprio jeito de ser, com as características do seu povo ou grupo social. Isso é muito legal no filme também.
3- Como se deu o processo de concepção da apresentação para o IMS, criando diálogos entre sons e imagens? Você pretende se basear tanto na sua obra quanto na de outros autores, incluindo a própria trilha do filme?
A música do filme, do incrível Isaac Hayes, declaradamente gira em torno da Soul Music, do R&B, do Blues e tem uma relação muito forte com a percussão, com as notas graves do piano. O roteiro musical para a apresentação que imaginei, tanto pela estética do filme quanto pelos lugares aonde esse filme me levou, foi “Dança dos Martelos”, minha composição, devido à intensidade dos tambores nos graves no piano, muito marcantes, como patas de rinocerontes que, quando pisam, fazem o chão tremer. Nessa música, eu usei a técnica do piano preparado.
Também tocarei alguns temas de Blues, entre eles, “All Blues” e “Blue in Green”, do Miles Davis, porque me leva direto para essa estética dos anos 70, do Blues e da elegância negra americana. Também fará parte do repertório a música “Unforgettable”, muito conhecida na voz do Nat King Cole, e “Round Midnight” (Thelonious Monk). Essas duas músicas me lembram as cenas de amor do Shaft, depois de um dia de trabalho ou de um ato heroico. Geralmente, essas cenas de amor acontecem no filme durante a madrugada.
“Angico”, uma nova composição que fiz, também fará parte do repertório. Angico refere-se ao lugar onde Lampião foi morto e a música tenta passar um clima de perseguição.
Em cartaz no Cinema do IMS
Nesta semana, como parte da mostra dedicada a Gordon Parks, o cinema do IMS Paulista exibe, no sábado (22/11), às 15h30, Com o terror na alma (1969), primeiro filme dirigido por uma pessoa negra em Hollywood. Outro destaque é a Sessão INDETERMINAÇÕES, dedicada ao cineasta Afranio Vital, também no sábado (22), às 17h50. Em Poços de Caldas, o cinema exibe, no domingo (23), às 16h, Moscou, de Eduardo Coutinho, em diálogo com a exposição dedicada ao diretor, e Chuvas de verão (1978), de Caca Diegues, no sábado, às 18h30. saiba mais
IMS Poços
Oficina de cartazes e encontro com professores
No sábado (22/11), às 14h, o IMS Poços oferece uma oficina de cartazes de filmes documentais, como parte da programação da Ocupação Eduardo Coutinho. Na atividade, serão abordados elementos fundamentais da composição gráfica, como cor, forma e tipografia. Em seguida, os participantes criarão seus próprios cartazes. A atividade é gratuita, com inscrição prévia. Também no sábado, às 9h30, o centro cultural realiza um encontro de formação para educadores, inspirado nas obras de Coutinho e do educador Paulo Freire. O evento é gratuito e para participar também é necessário se inscrever pelo site.
rádio batuta
Rádio Batuta lança podcast sobre Geraldo Filme
Cantor, compositor e ativista, Geraldo Filme (1927-1995) é um dos nomes mais importantes do samba de São Paulo. Para celebrar sua trajetória e seu legado, a Batuta, rádio de internet do IMS, acaba de lançar o podcast Geraldo Filme e o samba Paulista. O programa é composto por quatro episódios, já disponíveis no Spotify, no site da Batuta em outras plataformas.
O podcast é idealizado pelo sambista e sociólogo Tadeu Kaçula, responsável pela organização e pela guarda do acervo de Geraldo Filme. O programa traz depoimentos de pessoas que conviveram com o compositor, além de gravações com falas do próprio Geraldo. Os episódios incluem também músicas do artista, além de faixas do disco O canto dos escravos, com ele, Clementina de Jesus e Doca. ouça aqui
exposições
Vem aí: Agnès Varda no IMS Paulista
Conhecida principalmente pelo seu trabalho como cineasta, Agnès Varda (1928–2019) também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Essa faceta de sua trajetória será apresentada na mostraFotografia AGNÈS VARDA Cinema, que abre no dia 29/11, no IMS Paulista. A exposição reunirá cerca de 200 imagens, incluindo registros tirados em viagens pela China, em 1957, em Cuba, no contexto pós-revolução, e nos EUA, onde Varda documentou os Panteras Negras. saiba mais
Itinerância: Maureen Bisilliat no Uruguai
Exibida no IMS Paulista e no IMS Rio, a mostra Escrever com a imagem e ver com a palavra, de Maureen Bisilliat, está em cartaz no Centro de Fotografía (CdF) de Montevidéu. Com curadoria de Miguel Del Castillo, a exposição apresenta seis livros de Bisilliat, que estabelecem diálogos entre a sua produção fotográfica e obras de escritores nacionais consagrados, como João Guimarães Rosa, Euclides da Cunha e Jorge Amado. No sábado (22/11), o curador participa de uma conversa sobre a mostra no auditório do CdF. saiba mais
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