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\ Arte na Rua \ Londres| Jornal Flit Paralisante |
IDOSO APOSENTADO ATROPELA CICLISTA AO SAIR DE UM PUTEIRO COM GAROTA PELADA NO COLO
O noticiário da manhã trouxe em letras garrafais o drama de uma esquina qualquer. No cruzamento acanhado, entre a embriaguez e o descuidado consigo e com outrem , um idoso aposentado atropelou uma ciclista ao sair de um estabelecimento de portas discretas e luzes azuis e avermelhadas. Detalhe : com uma garota nua que inopinadamente – talvez com muitos pinos, ou falta de, na cabeça - resolveu sentar-se no colo do cliente. Não fosse o destino, seria apenas mais um hilário acidente, perdido entre tantos outros registros secos do cotidiano. A manchete, cortante, lança o leitor para o julgamento imediato. O verbo não se detém nos detalhes da dinâmica do acidente ou mesmo na morte da ciclista, mas na periferia do cenário — a idade ( não tão avançada ) , a condição de aposentado, o local que a cidade finge não ver. Mas muito bem frequentada ! A narrativa já está montada: um inesperado tropeço tardio , talvez de moral, talvez do destino. Talvez de quem por toda a vida teve conduta ilibada e , agora , aposentado e com certa idade , resolveu se permitir certas libações. Seu único erro: não ir e vir de táxi! Fosse esse homem qualquer um de nós, um invisível do bairro, provavelmente pouco se diria além do quase folclórico. Seria quando muito “mais um caso”; provavelmente apenas um boletim de ocorrência sem prisão como se faz na imensa maioria dos atropelamentos. Mas, uma vez ou outra, o acaso confere o nome ao anonimato. Quando o idoso em questão é ex-juiz, o peso se instala de um jeito diferente. Esquecemos a vítima, o acidente e preferimos narrar a biografia, o contracheque vultoso , resgatar processos arquivados e sentenças passadas. O que era indivíduo tornou-se instituição, o erro vira símbolo, e a justa medida humanizada se desfaz sob a avalanche do julgamento coletivo. Mas, ao fim, permaneceu no asfalto as marcas de sangue e o eco de uma dor que não cabe em títulos nem posições morais. A tragédia, para além das narrativas, é sempre de pessoas: de quem se acidenta, de quem provoca, de quem testemunha, dos familiares e amigos de ambos e de quem lê com empatia. Numa cidade feita de encontros e desencontros, todo mundo carrega sua história ; e merece muito mais do que a relatada pela vida privada ou pelo ofício. Por trás da notícia, segue a vida daquele idoso — com acertos, tropeços, desejos e medos, como qualquer outro. A manchete ruge muito mais contra a magistratura e seus invejáveis vencimentos , mas o silêncio do cotidiano logo retorna, cobrando dos que julgam o difícil exercício da empatia. Porque, antes de profissões ou manchetes, somos todos, necessariamente, humanos — sujeitos a cruzar seus próprios limites nos desvios da vida. Poderia ter acontecido comigo e com tantos outros idosos solitários com sede de alguma diversão que lhes devolvam a alegria da juventude. Deixo o alerta: vá de Taxi e durma no puteiro até a bebedeira melhorar. Também alerto alguns juízes e juízas que parecem ter prazer sádico de transbordar do julgamento jurídico para o julgamento moral: amanhã pode ser com você! “O que você faz quando Ninguém te vê fazendo ? Ou o que você queria fazer Se ninguém pudesse te ver” ?( Capital Inicial ) Como o Flit não pode deixar de ser o Flit; se não fosse pela tragédia apenas diria: Esse juiz aposentado é dos nossos! Dinheiro é para torrar e nada como a fantasia de ser Xerife ou Ministro na Zona... ( mas de táxi ) |
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| Estado de Minas - 27/07/2025 | |||||
| Jornal O Tempo - 26/07/2025 | |||||
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