Patrocinadora da Copa do Mundo desde 2018, a marca chinesa Hisense aproveitará o mundial deste ano, que acontece no mês que vem, para desembarcar "de vez" no Brasil. Presente em mais de 160 países e uma das maiores fabricantes de eletrônicos e eletrodomésticos do mundo, a Hisense chegou ao Brasil em 2022 -e agora busca fortalecer suas vendas, principalmente de televisores, no país. Canhão de comunicaçãoEntrar no mercado brasileiro de televisores significa disputar espaço com marcas já consolidadas e enfrentar um consumidor que busca cada vez mais confiança, tecnologia e preço competitivo. Para a Hisense, a estratégia para acelerar o reconhecimento no país passa por ampliar a presença no varejo mostrar sua marca por meio do esporte -além da Copa do Mundo, a empresa também havia sido patrocinadora do Mundial de Clubes, disputado ano passado. "A Copa do Mundo funciona como um canhão de comunicação para acelerar reconhecimento de marca no Brasil", diz Matheus Benatti, diretor de marketing e produtos da Hisense no Brasil. Atendida pela agência BeHumble, a marca já lançou uma campanha com o ex-jogador Raí e tem uma promoção que levará consumidores ao Mundial. A reportagem de UOL Mídia e Marketing conversou com o executivo, que ainda explica como a marca tenta simplificar o discurso tecnológico para o consumidor -e porque aposta no vendedor da loja como peça-chave para construir confiança. Confira: Construir marca no mercado brasileiro de TVs parece um desafio enorme. Como vocês têm trabalhado isso? O mercado de televisores tem players muito bem consolidados. Temos um diferencial que ajuda bastante: somos uma empresa completa para a casa do consumidor. Não temos só televisores. Temos refrigerador, lava e seca, freezer, adega, frigobar, ar-condicionado. Entregamos uma solução completa e isso ajuda a posicionar a marca de uma forma diferente. A chegada ao Brasil e esse primeiro approach que fizemos foi através do esporte, que é uma estratégia global da empresa. A Hisense começou o caminho fora da China passando por Ásia, Oceania, África, Europa, Estados Unidos e agora chega ao Brasil. Nós já estamos entre os maiores fabricantes de TVs do mundo e chegamos ao mercado brasileiro com força mesmo no ano passado. Qual é a melhor forma de ganhar awareness de forma mais rápida? Esporte. A empresa já patrocinou o Australian Open (tênis), a Eurocopa (futebol) e estamos com a Copa do Mundo desde 2018. A Copa deste ano vai ser a maior da história em termos de engajamento digital. É um ótimo palco para mostrar a marca e falar dos produtos. A estratégia é descer isso localmente com ativações que conectem com o consumidor. A gente vai muito forte para o ponto de venda, temos uma identidade de marca jovem e produtos extremamente bem-acabados. Estamos trabalhando para criar a marca de cima para baixo. O consumidor vê a marca no grande evento esportivo, encontra o produto no varejo e depois vê ativações no digital, como fizemos com o Raí. É assim que vamos criando familiaridade. Além de awareness, existe uma barreira de confiança para marcas novas. Como vocês trabalham isso? Esse é um movimento que já aconteceu há uma década e meia com os coreanos. As montadoras coreanas chegaram, abriram portas e isso reverberou nos eletrônicos. Hoje estamos vivendo uma onda parecida com a cultura chinesa. As marcas automotivas ajudam muito a corroborar tecnologia e confiabilidade. Nós trazemos produtos, principalmente de linha branca, com 10 anos de garantia no compressor. Quem dá 10 anos de garantia confia no produto que está entregando. Temos índices de problemas extremamente baixos e fábricas com um nível de automação muito alto. Na China, eu tenho mais engenheiros buscando desenvolvimento de produto do que pessoas trabalhando dentro das fábricas. Isso é investimento em tecnologia, em segurança e em tornar a vida do consumidor melhor. Aqui dentro existe uma cultura de "longtermismo". Nosso objetivo é ser uma empresa centenária. Para isso, você precisa viver ano a ano sem deixar o consumidor na mão. E isso começa a aparecer quando você fala com vendedores e varejistas. A confiança começa no boca a boca do vendedor. Eu posso fazer a propaganda que for, posso contar o quanto sou bom. Enquanto o consumidor não usar e não sentir na pele, ele não vai confiar 100%. Quem ajuda a quebrar essa barreira é o vendedor. Ele vai percebendo que vende mais Hisense, que o consumidor volta satisfeito e fala bem do produto. Isso vai construindo confiança passo a passo. Hoje existem muitas tecnologias nas TVs. Como simplificar isso para o consumidor? Esse talvez seja o maior desafio da indústria: mostrar o benefício tangível de cada tecnologia lançada. A indústria passou por várias grandes mudanças. Primeiro vieram as telas planas, depois as Smart TVs, depois as telas 4K e agora as telas grandes, mini LED e QLED. Quando tentamos explicar o line-up, mostramos o que o consumidor ganha em cada passo. Quando ele vai para uma TV 4K, ganha mais qualidade de imagem. Quando vai para QLED, ganha mais qualidade de cor. Quando vai para mini LED, ganha ainda mais contraste e ainda mais brilho. Estou sendo simplista porque precisamos falar dessa forma para o consumidor entender. E aí entra também a questão do tamanho de tela. Antigamente a decisão era só sobre polegada. Hoje existem muitas diferenças e o consumidor nem sempre consegue decidir sozinho. Por isso, o vendedor da loja continua sendo fundamental para tangibilizar tudo isso. Qual a importância da Copa do Mundo dentro da estratégia de comunicação da marca? A Copa do Mundo é um asset gigantesco. A cada ciclo de quatro anos, ela é o maior ativo de comunicação do mercado. É um canhão global de comunicação. Estamos chegando agora no ponto máximo dessa comunicação, muito fortes no ponto de venda e no digital. A ideia é que, quando o consumidor estiver vendo os jogos e enxergar a marca nas placas do estádio, ele já tenha tido contato com a Hisense em outros momentos. Isso acelera a conexão com as pessoas. A gente está usando muito a bandeira da Copa para nos apresentar para o brasileiro. Hoje não está nos nossos planos fazer comunicação em TV aberta porque a própria Copa já faz isso por nós. Nossa estratégia está muito mais na segunda tela, no varejo e no digital. Se eu não mostrar para o consumidor o que a Hisense faz, ele não vai saber quem a Hisense é. O primeiro passo é apresentar a marca. Depois disso, a gente começa a aprofundar cada vez mais os detalhes dos produtos e das tecnologias. |