Era um dia qualquer do segundo semestre do ano passado, quando Ciro Nogueira subiu no palco com Tarcísio de Freitas em um evento do Esfera e o lançou candidato a presidente. Ahã, teve isso. Lançaram até um slogan: 40 anos em 4. Tarcísio nem tocou no nome de Bolsonaro. Corta para maio de 2026. Tarcísio não conseguiu ser candidato a presidente e vai ter que disputar de novo o governo do estado. Já o Ciro Nogueira virou alvo da Polícia Federal por conta do Master.
E aí, nessas circunstâncias, o que acontece? Cancela o apoio do PP, partido do Ciro Nogueira. Ia ter um evento para o partido dar seu apoio a Tarcísio na próxima segunda-feira e o povo achou melhor cancelar. Tarcísio fez a egípcia, disse que o importante era a aliança que havia consolidado com os partidos e, quando perguntado sobre a ligação com Ciro Nogueira, respondeu: “Isso não tem nada a ver com a gente, não prejudica em nada”.
Como não, governador? Só para lembrar, Ciro Nogueira não só lançou Tarcísio como candidato a presidente, como queria ser seu vice. E tem mais: Ciro foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro. Não qualquer ministro. Ministro da Casa Civil. Naquela época o Daniel Vorcaro já circulava de jatinho para cima e para baixo.
Mas impactante mesmo foi a nota do Ciro Nogueira:
“Todo ano político é a mesma coisa e tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos.”
Gente, que pesquisa será essa, né? Ciro Nogueira estava tão mal na foto que sua única saída era ser vice do Tarcísio, por isso o movimento no ano passado. Já não havia esperança de Ciro ser um candidato competitivo no Piauí para ser senador. Tanto que no fim do ano chegou a tentar se aliar ao Lula. Ahã, teve isso também.
Mas na política vocês sabem, né? Quando a gente acha que o político acabou, ele renasce das cinzas.
Bolsonaro
O Bolsonaro, por exemplo, tenta ressurgir das cinzas pedindo para o Supremo anular sua condenação de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. Qual alegação? A de que o julgamento da Primeira Turma foi irregular. A melhor parte é que o advogado de Bolsonaro neste caso é um ex-assessor do supremo Luiz Fux, que foi o único que deu voto contra a condenação de Bolsonaro.
Penduricalhos
O povo dos penduricalhos não quis saber muito da decisão do Supremo e o rolê continuou rolando solto. Aí os ministros Xandão, Zanin, Dino e Gilmar Mendes tomaram uma série de decisões para fechar o cerco contra os penduricalhos que continuam sendo pagos pelo Judiciário e pelo Ministério Público. Sim, o pessoal deu o seu jeitinho para continuar com as vantagens. Socorro, né, BRASEW?
Então nossa vida está assim. De um lado vendo Xandão com sua esposa ganhando milhões do Master por serviços advocatícios e Gilmar impedindo a quebra de sigilo do rolê do Toffoli no caso Master, e de outro lado os super supremos litigando contra a bandalheira. Até me dói a vista tentando entender.
Dosimetria
Lula se recusou a promulgar a nova lei que reduz as penas do povo do 8 de janeiro e então o Alcolumbre, Davi, foi lá e publicou a lei no Diário Oficial. Mas é claro que o caso já foi parar no Supremo e adivinha quem é o relator do processo para decidir se a lei é inconstitucional? Sim, ele mesmo, Xandão. O ministro já até pediu para o presidente do Congresso e para o presidente Lula que se manifestem sobre a nova lei. E eu aqui só querendo uma dosimetria.
Trunfo
As análises de hoje dão conta de que Lula ressurgiu das cinzas, depois das derrotas históricas da semana passada que foram impostas pelo Congresso. Um dos motivos foi a reunião com Trump. Mas hoje já tem gente dizendo que a reunião foi boa para dar mais prazo, mas ainda existe um medo de que o governo americano imponha novas tarifas. Apenas sorria, Trump.
