Escrever sobre violência contra a mulher sendo mulher nunca é uma tarefa fácil.
Desta vez foi ainda mais difícil. Não apenas pelos acontecimentos da última semana —que envolveram estupro coletivo contra uma adolescente, a absolvição em um caso de estupro de criança e as denúncias que se seguiram contra o desembargador do caso—, mas também pelas horas ouvindo policiais vítimas de violência doméstica.
E o pior: os agressores são policiais que, em algum momento da carreira, provavelmente vão atender ou já atenderam uma ocorrência do tipo.
Essas vítimas, antes de serem policiais, são mulheres e demonstram que nem a farda nem o distintivo as protegeram.
Reconhecer-se como vítima, denunciar e arcar com as consequências de acusar um parceiro ou familiar —que pode ser seu colega de trabalho— se torna um peso ainda maior, que elas não deveriam carregar.
Falar sobre o assunto é um ato de coragem. Há medo de represálias no trabalho e o fato de os agressores terem acesso facilitado a armas de fogo.
Sessenta e quatro ocorrências de violência contra a mulher foram praticadas por agentes da segurança pública em 2024 em 9 estados, segundo a Rede de Observatórios da Segurança, organização vinculada ao Centro de Estudos de Segurança e Cidadania.
A falta de dados qualificados dificulta um diagnóstico preciso e, consequentemente, a adoção de políticas públicas que protejam essas vítimas e tratem o assunto de forma aprofundada.
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