07 março, 2026

Rosamaria Murtinho contracena com a neta Sofia para discutir etarismo | AURORA CINEMA & TV

 

Aurora Miranda Leão*

“Uma vida em cores” é a oeca que estreia amanhã no Rio de Janeiro com Rosamaria Murtinho no papel de Iris Apfel, lendária designer e empresária americana, falecida em 2024 com 102 anos.


Rosamaria Murtinho está com 93 e retorna ao palco para contracenar com a neta Sofia, filha de seu caçula Maurinho Mendonça.

Com texto e direção de Cacau Hygino, a consagrada atriz, reconhecuda por uma legião de personagens icônicas no teatro e TV, protagoniza um espetáculo que aposta na importância da memória, afeto e potência criativa e não se furta a debater e provocar diálogos com gerações subsequentes. 

O texto de Cacau Hygino (que anteriormente levara a nesma personagem ao palco com a atriz Natália Thimberg) é uma nova perspectiva, mais íntima e geracional, sobre a vida de Iris Apfel, fruto de projeto nascido há quase 10 anos.

Referência mundial de estilo, irreverência e liberdade criativa, Apfel motivou a peça, na qual destaca-se a potência da maturidade, a reinvenção constante e a recusa em aceitar os limites impostos pelo preconceito estrutural contra os mais cronometrados, sobretudo se estes são mulheres.

Exuberância no vestir,  Liberdade de ser

A montagem que sobe ao palco amanhã estende o tradicional monólogo e aposta na contracena entre Iris Apfel e a jornalista Emily, estagiária da revista Vogue americana, escalada para entrevistar a empresária. A depender do êxito no cumprimento da missão, Emily pode ou não garantir mais espaço na publicação.

Quem vive a repórter na peça é Sofia Mendonça, neta de Rosamaria Murtinho. É a peneira vez que as duas dividem o tablado e é até desnecessário dizer o quanto esse encontro está envolto em satisfação,  vivências afetivas, emoção e simbologia, substanciando a narrativa dramática com um subtexto cheio de simbolismos. No centro da “coxia”, bate forte e silencioso o coração do diretor Mauro Mendonça Filho, dividindo-se entre o amor filial e o orgulho paterno.

Dramaturgia incita reflexão

O que poderia ser apenas uma entrevista corriqueira, aos poucos vai se transformando em um jogo de provocações, humor e cumplicidade.

Estilo, etarismo, moda como identidade, amor e dor, tristezas, perdas e recomeços, escolhas, pró-atividade, legado da experiência e valor do tempo vivido estão no cerne do que o espectador vai ver e deve ensejar boas conversas e reflexões.

“Uma Vida em Cores” mescla ficção e memória afetiva, sublinhando casos reais da vida de Iris Apfel, incluindo seu casamento de 68 anos com o marido, Carl Apfel.

Outrossim, a volta de Rosamaria Murtinho com nova peca de autor brasileiro mostra a escolha preferencial da artista por apostar no talento nacional e reitera a importância da dramaturgia como prática produtora de sentidos, afirmação do humano, criação de memória e estímulo a ressignificações.

Para além, o enlace da trajetória de Rosamaria Murtinho com o legado de Iris Apfel provoca simetrias, sintonias e prospecções que permeiam algumas pautas muito em evidência nos dias que correm.

Portanto, se você mora na capital carioca ou vai estar por lá nestes dias de março a abril, não perca a chance de ir ao Teatro I Love PRIO e conferir o espetáculo.

SERVIÇO

Estreia de “Uma Vida em Cores”, espetáculo com
Rosamaria Murtinho e
Sofia Mendonça

Participação Especial: Simone Soares
Participação em OFF: Heloisa Périssé

Criação
Texto e Direção: Cacau Hygino
Assistente de Direção: Simone Soares

Equipe Artística e Técnica
Cenário e Visagismo: Alex Palmeira
Figurino: Alex Palmeira e Adilson Salú

Temporada: de 6 de março a 5 de abril de 2026.

Horário:

  • Sexta-feira: 20h
  • Sábado: 19h
  • Domingo: 18h 

Local: Teatro I Love PRIO – Jockey Club Brasileiro – Av. Bartolomeu Mitre, 1110B – Leblon, Rio de Janeiro