Que antes de 1600 as mulheres ocidentais davam à luz em agachamento, sentadas ou de pé? |
Outro tipo de parto que deixou de ser usado com o tempo, mas que está sendo recuperado é o parto verticalizado, na posição de cócoras. Segundo Hugo Sabatino, professor de tocoginecologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), estudos antropológicos demonstraram que em 99% das civilizações antigas as mulheres davam à luz na posição vertical, principalmente de cócoras. Conselho Federal de Medicina – CFM. 20 fev 2004 |
Isso mudou quando o rei Luis XIV da França dispôs que para poder testemunhar o nascimento dos seus filhos, as suas mulheres deviam dar à luz deitadas. Existe Guarani em São Paulo – 2021 nov 11 |
Embora essa postura torne o parto mais difícil e doloroso, logo se generalizou e os médicos franceses tiveram que inventar os fórceps para evitar algumas das suas consequências. Em pouco tempo os instrumentos obstétricos se multiplicaram e chegou-se a crer que o parto era sempre uma emergência que exigia assistência médica para que fosse sem complicações. 15 fev 2022 |
O parto natural acontece sem intervenções e de acordo com o tempo e as características de cada mulher. Be Generous – 03 ago 2021 |
Para as mamães de primeira viagem, pensar sobre o parto gera um misto de sentimentos e emoções. |
Cada vez mais populariza-se a idéia de que a mulher deve se guiar pelo próprio instinto com relação ao parto. O número de futuras mães que optam pelo parto natural, entendido como o parto em que a intervenção externa é a mínima possível. |
O chamado parto humanizado, defendido pelo médico francês Fréderick Leboyer, prega, entre outras coisas, o respeito ao bebê e é extremamente benéfico para a mãe. Um dos princípios do parto humanizado é dar liberdade à gestante. |
O obstetra francês Michel Odent, um dos defensores mais notáveis do parto natural, afirma que a parturiente não deve respeitar nenhuma regra, mas obedecer ao seu instinto. Odent deu a seus pacientes total liberdade para continuar como quiserem e até permitiu sentar em uma banheira morna para aliviar a dor das contrações uterinas. Daí surgiu a ideia do parto em água. |
O importante é que a água esteja morna e a gestação tenha sido saudável, sem complicações para a mãe ou o bebê. A sensação de bem-estar se estende também ao bebê, que mergulha diretamente na água morna ao nascer. Ele continua respirando por meio do cordão umbilical e não há risco de afogamento. |
“O parto natural não é um modismo, mas um direito que as mulheres têm e que está sendo negado a elas. Ele traz benefícios em todos os níveis, da experiência pessoal ao desenrolar do próprio parto. Não digo que o parto na água seja para todas as gestantes, mas deve ser uma opção viável para aquelas que queiram”, afirma o ginecologista e obstetra Adailton Salvatore Meira, especialista em partos na água. O efeito relaxante da água reduz as sensações de dor provocadas pelas contrações que ocorrem durante o trabalho de parto e descontrai a musculatura do períneo – espécie de músculo que oferece resistência à saída da criança no momento do nascimento. |
“A água é como um analgésico. Ameniza a sensação dolorosa porque diminui o peso gravitacional. O corpo fica mais leve e, consequentemente, o bebê pesando menos é empurrado com mais facilidade” |
Da mesma forma, o parto deve ser acompanhado por profissionais capacitados. |
Os conhecimentos atuais de fisiologia mostraram que o parto vertical, em pé ou em agachamento; permite que o nascimento do bebê seja mais rápido e menos traumático. No entanto, não existe uma postura universal para dar à luz. Nas comunidades mais primitivas, as parturientes primitivas são orientadas pelo conselho de mulheres mais experientes. |
O que é fato, estudado e comprovado, é que a posição deitada da parturiente pressiona importantes vasos sanguíneos que levam oxigênio ao bebê, não sendo a posição que mais facilita o momento do expulsivo. Coletivo Nascer – 03 mar 2026 |
Já a posição vertical – de cócoras ou sentada em alguma banqueta de parto, em pé ou de quatro apoios – descomprime os vasos, expande a pélvis e possibilita que a gravidade ajude na descida do bebê. |
Além disso, a musculatura da pelve e do abdômen fica mais relaxada, o que facilita o nascimento do pequeno. Para realizar o parto de cócoras, é fundamental que o bebê esteja com a cabeça para baixo, não seja muito grande (acima de 4kg) e a mamãe tenha a dilatação necessária. |
O Parto Leboyer, também conhecido como “parto sem violência”, tem como principal objetivo não estressar o bebê durante o nascimento, criado pelo médico francês Frédérick Leboyer, na década de 70, com o intuito de tornar o processo menos traumático para os bebês. Nesse tipo de parto, o cordão umbilical é cortado somente ao parar de pulsar. O ambiente deve estar tranquilo, silencioso e com pouca luz. |
No de Parto de Lótus o cordão umbilical não é cortado logo após o nascimento e a placenta permanecem com o bebê em seus primeiros dias de vida e se desprende naturalmente, o que ocorre entre 7 e 10 dias após o parto. |
No entanto, é preciso conversar com seu médico e estar atenta aos cuidados especiais com a higiene da placenta durante esse período. |
A futura mamãe pode optar por realizar o próprio parto desassistido, com o companheiro(a) ou a família em casa, sem a presença de uma equipe médica, a gestação precisa ser saudável e sem complicações. A mãe e o bebê não podem apresentar nenhum fator de risco. |
Em caso de problemas durante o parto, não haverá nenhum profissional capacitado para atender a ocorrência. |
Muitas grávidas acabam fugindo do parto normal (cócoras, na água ou horizontal), e incentivadas por muitos médicos por ser mais prática e rápida, é agendar um dia, tomar sucessivas anestesias e passar por uma cirurgia: a cesariana. O recurso, no entanto, segundo o Ministério da Saúde, deveria ser o último, utilizado apenas nos casos em que, por algum problema, a mulher não pode dar à luz por meio de um parto normal. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 32,4% dos partos feitos em 1995 foram cesarianas. O número vem diminuindo, resultado, provavelmente, de campanhas feitas pelo governo para incentivar o parto normal. Em 2000, 23,8% dos nascimentos foram realizados por meio de cesariana. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo lideram a lista de cirurgias. Cremepe – Equilíbrio Online |
Dados da Organização Mundial da Saúde – OMS apontam que o Brasil é o segundo país com maior número de cesáreas no mundo. Em torno de 55% dos partos realizados são cesáreas, enquanto o número recomendado pela OMS para este tipo de parto é de apenas 15%. |
Munida de conhecimento, ao lado de uma equipe de sua confiança e com o apoio da família, certamente seu parto será um momento mágico, especial e inesquecível. Exatamente do jeitinho que você sonha! |
Além do plano de parto, os cuidados nos primeiros 1000 dias, do início da gestação ao 2º ano da criança, contribuem para fortalecer a saúde da mulher e do bebê, seu bem-estar e qualidade de vida. |
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