O início da cobrança no WhatsApp é consequência direta de uma decisão do tribunal do Cade, tomada nesta quarta: - Os conselheiros rejeitaram por unanimidade o recurso de Facebook e WhatsApp, ambos controlados pela Meta, para derrubar a decisão de outro órgão do Cade, a Superintendência-Geral;
- Em janeiro, a área técnica suspendeu preventivamente o veto imposto pela Meta aos chatbots de IA no WhatsApp. Além disso, abriu investigação para averiguar se a conduta afeta a concorrência, já que, na ausência de ChatGPT, Copilot e companhia, o Meta AI seria a única opção de serviço de IA no WhatsApp;
- A Meta sofreu o mesmo revés em outros países, como a Itália. E, quando isso ocorreu em fevereiro, optou pela estratégia de cumprir a ordem regulatória com uma mão e cobrar das plataformas com a outra;
- Como obteve uma liminar na Justiça, a dona do WhatsApp manteve a emissão dos boletos em suspenso por aqui. Nesse meio-tempo, a Zapia deu um passo ousado e anunciou a chegada de agentes de IA à sua plataforma e já prepara a entrada deles no WhatsApp.
- Agora, no entanto, a cobrança chega ao Brasil. Tão logo o Cade divulgou sua decisão, a Meta reativou o plano:
Onde formos legalmente obrigados a disponibilizar chatbots de IA por meio da API do WhatsApp, estamos atualizando nossos termos e nosso modelo de preços para que possamos continuar a oferecer suporte a esses serviços. Porta-voz do WhatsApp - Não é trivial aferir o preço a ser pago por conversas no WhatsApp, mas, neste caso, a própria Meta indica como a fatura será calculada: "Por exemplo, se um usuário na Itália enviar um comando a um Provedor de IA e o Provedor enviar três respostas de mensagens que não são de modelo ao usuário em um período de cinco minutos, isso resultará em três cobranças".
- Nos bastidores do WhatsApp, as mensagens de provedores de IA serão rotuladas como "general_purpose_ai" e serão cobradas, enquanto as interações de marcas e empresas que usam IA em seus canais de atendimento serão enquadradas como "AI_BOT" e ficarão isentas;
- Mas de quanto será a cobrança? Eis um problema. A Meta não confirmou em qual categoria incluirá as mensagens de IA (são quatro: 1) "autenticação": para checar identidade, 2) "marketing": para envio de ofertas, 3) "utilidade": para acompanhar atividades e pedidos e 4) "serviço": para respostas sobre serviço).
- O enquadramento confunde provedores ao ponto de acharem que as mensagens de seus chatbots serão classificadas como "serviço", o que, no Brasil, não gera pagamento. "É complexo para nós entendermos também", diz um executivo.
- Conforme guias elaborados pela Meta, o mais provável é que ocorra uma combinação entre as modalidades. O WhatsApp cobra pelas mensagens de marketing R$ 0,33 (é o valor na moeda nacional da tarifa de US$ 0,0625 considerando a cotação do dólar de R$ 5,287). Esse, porém, não é o caso preponderante para os chatbots, pois as mensagens de marketing geralmente são enviadas diretamente pelas empresas para promover algum produto ou serviço.
- A categoria mais aplicável é a de "utilidade", cuja cobrança varia conforme o volume de mensagens. Quanto mais forem enviadas, mais barato fica.
- Para um pacote de 100 milhões, a conta seria a seguinte, considerando as faixas de preço aplicadas pela Meta:
- Até 250 mil enviadas: R$ 8987,9 (R$ 0,0359516 por envio);
- Mais 1.750.000 enviadas: R$ 60.139,625 (R$ 0,0343655 por envio);
- Mais 15 milhões: R$ 483.760,5 (R$ 0,0322507 por envio);
- Mais 18 milhões: R$ 551.962,8 (R$ 0,0306646 por envio);
- Mais 35 milhões: R$ 999.243 (R$ 0,0285498 por envio);
- Mais 30 milhões: R$ 808.911 (R$ 0,0269637 por envio).
- O total da fatura no fim do mês seria de R$ 2.913.004,82, com mensagens variando de R$ 0,035 a R$ 0,026.
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