Os assuntos sobre os avanços da inteligência artificial foram tratados de forma transversal no SXSW deste ano, que aconteceu nesta semana, nos Estados Unidos. Do famoso report de Amy Webb (falaremos dele logo mais) à conversa de Steven Spielberg com Sean Fennessey, a grande questão foi até onde a 'criatividade humana' será impactada pela IA. Com a velocidade de todas essas mudanças, o papel dos líderes (e das áreas de comunicação e marketing sempre buscam encabeçar as estratégias das empresas) se torna cada vez mais importante. Brené Brown e Adam Grant falaram sobre líderes narcisistas, a escritora Morra Aarons-Mele discutiu como a incerteza (e a ansiedade causada por ela) podem afetar o dia a dia das empresas e Esther Perel e Spike Jonze analisaram como as ferramentas de IA vão mudar os conceitos de amor e a solidão. O antropólogo digital Brian Solis reforçou que líderes precisam deixar de usar a IA apenas para "automatizar o passado" e pensar em como as novas ferramentas devem ser utilizadas para redesenhar o trabalho que só humanos podem fazer: ter sua inteligência "aumentada", construída com empatia, curiosidade e criatividade. Já Aza Raskin, fundador do Earth Species Project, fez um questionamento que se encaixa perfeitamente nesse momento distópico citado por Brené, Morra e Esther: e se a inteligência artificial nos ajudasse a ouvir o resto do mundo? Todos os debates, entretanto, pareceram remeter ao painel da jornalista Jennifer B. Wallace, dentro do SXSW Edu, que abre anualmente o evento. Autora do livro 'Mattering: The Secret to a Life', ela lembrou que o que importa mesmo é ser ouvido, se sentir valorizado e de que realmente podemos fazer diferença para alguém. O fim e o começoO conceito apresentado por Jennifer parece se encaixar perfeitamente no plano de Amy Webb, CEO do Future Today Strategy Group. Cobiçadíssima por parte dos mais de 2.500 brasileiros em Austin, Amy resolveu 'enterrar' seu famoso relatório de tendências e partir para 'algo novo'. O 'Emerging Tech Trend Report', relatório de tendências apresentado no SXSW há 15 anos, deu lugar ao 'Convergence Outlook 2026', um documento que apresenta uma série de sinais individuais que apontam para transformações 'inevitáveis'. Durante sua apresentação, Webb falou de temas como destruição criativa, humanidade aumentada e o impacto da automação no trabalho —e nas relações humanas. A provocação central era clara: o futuro não é inevitável, mas as escolhas que fazemos agora moldam os cenários que estão por vir. O (novo) relatório de Amy destaca que, para o marketing, não basta acompanhar trends: é preciso entender sistemas. Marcas e pessoas precisam ser mais céticas e desconfiar das tecnologias "cool". A pergunta que cercará todas as marcas agora não é mais "como impactar o consumidor?": é "como ser escolhido por sistemas?". |