Bastam alguns dias sem exercício para o organismo iniciar uma regressão. Ganhar condicionamento físico é um processo lento e trabalhoso, mas perder, por outro lado, é surpreendentemente rápido.
Em apenas 72 horas de inatividade, o organismo e a musculatura já começam a sofrer pequenas mudanças fisiológicas. O metabolismo desacelera, a força começa a cair e o sistema cardiovascular perde eficiência.
Se você está precisando de um incentivo para retomar os treinos, acompanhe, a seguir, as consequências de fazer uma pausa:
Após 15 dias: o fôlego começa a ir embora
Um estudo do Journal of Applied Physiology (EUA) observou que atletas apresentaram queda de 7% na capacidade máxima de usar oxigênio durante o exercício (VO2máx) após apenas 12 dias de pausa. O VO2máx é um dos principais marcadores de resistência aeróbica.
Após um mês: músculos mais fracos e coração acelerado
Com 30 dias de inatividade, a perda de condicionamento fica mais evidente. O sistema circulatório se torna menos eficiente em distribuir sangue e oxigênio aos músculos, reduzindo o fornecimento de nutrientes e a força.
Além disso, a frequência cardíaca em repouso aumenta, um sinal de que o sistema cardiovascular precisa trabalhar mais para fazer o mesmo esforço de antes. O corpo começa a perder o equilíbrio que o treino proporcionava.
A partir de três meses, entra em cena um efeito mais sutil: o prejuízo da ativação neural. O cérebro se comunica com os músculos por meio de impulsos elétricos, e essa rede de conexões se enfraquece com o tempo. O resultado é uma queda na coordenação motora: os movimentos aprendidos com o treinamento passam a não ser tão bem feitos, perdendo técnica e fluidez.
Após cinco meses: sedentarismo à vista
Cerca de 20 semanas depois da última sessão de treino, o corpo está completamente destreinado. Isso significa que praticamente desaparece a especificidade esportiva, que é a capacidade de executar bem um movimento típico de determinada atividade.
Corredores perdem técnica, praticantes de musculação sentem a barra mais pesada e até acompanhar uma aula de ginástica pode parecer tarefa impossível. Nesse estágio, o organismo se comporta quase como o de alguém sedentário.
Memória esportiva
Quem já treinou em algum momento da vida tem mais facilidade para recuperar o condicionamento físico do que quem está começando do zero. Essa vantagem se deve à chamada memória motora, uma forma de aprendizado que grava no sistema nervoso os gestos e padrões de movimento.
Mesmo após meses sem atividade, o corpo mantém essa base, o que acelera o retorno ao desempenho anterior. E quanto mais tempo você treinou antes da pausa, mais lenta tende a ser a perda e mais rápida a recuperação.
Em resumo, o destreino chega rápido, mas o retorno é possível. A chave é não deixar o corpo esquecer completamente o que é se mover.
*Com informações de reportagem de VivaBem.