O Carnaval me faz voltar num assunto de uma newsletter minha de outubro que até hoje, na versão Reels no Insta, rende compartilhamentos e comentários, digamos, fervorosos.
O título era "Festas sem álcool?", e, embora meu radar estivesse mais focado nos novos tipos de festas (regadas a café, raves em saunas e afins), o que é um fato, a seção de comentários virou um FlaXFlu entre pessoas que diziam que sim, jovens estavam bebendo menos; contra as que argumentavam que a informação só valia para classes A e B, afinal, na periferia, o álcool ainda anima todas as festas e a vida dos jovens.
Há também algumas centenas de comentários sobre o uso de drogas (lícitas e ilícitas) por esses jovens, o que causaria a baixa no consumo de bebidas.
Os assuntos que escolho para pesquisar têm mil camadas, sempre alerto isso ao final dos vídeos. É impossível falar de todas elas em um post de 1,5 minuto. Fora isso, não havia, na época, dados recentes sobre o comportamento de consumo de álcool pelas novas gerações no Brasil. Até que esta matéria da Folha de S.Paulo revelou uma pesquisa recente sobre o assunto.
A pesquisa é de janeiro e não é do meu costume dar notícia velha, mas como os comentários no post nunca param de chegar, acho de bom tom esclarecer as dúvidas de todos.
Bom, está comprovado: jovens brasileiros estão bebendo menos. A abstenção de álcool no país cresceu de 46% para 64% entre os jovens de 18 a 24 anos. Já na faixa dos 25 a 34 anos, foi dos 47% aos 61%.
Os motivos? Só temos hipóteses, mas vamos lá: parte desses jovens pode estar substituindo o álcool por outras substâncias, como cigarros eletrônicos, maconha e outras drogas ilícitas - neste ponto, tudo é bastante subjetivo, pois substâncias ilegais escapam do rastreamento e, portanto, de pesquisas confiáveis.
Outra hipótese é o aumento de antidepressivos e ansiolíticos por pessoas nesta faixa etária. O crescimento da igreja evangélica entre jovens no Brasil também pode ser um fator causal, bem como as canetas emagrecedoras - que podem diminuir o desejo e a compulsão pelo álcool.
Sabe o que também gera compulsão, né? A dopamina, liberada pelo cérebro a cada likezinho num post, a cada gratificação que recebemos nas redes. Com jovens cada vez mais conectados, fechados nos quartos, as bebidas vão mesmo ficando de lado - e outros perigos aparecem.
Sobre o recorte de classe: sim, agora já dá para ver com mais nitidez que a queda no consumo foi mais observada nas classes A e B e entre pessoas com maior escolaridade. Sobre isso, a socióloga Mariana Thibes afirma existir uma consciência maior sobre os riscos do álcool.
O que me interessa nisso tudo? Olhar para o futuro. Para onde essa diminuição no consumo de álcool vai nos levar? Volto com novidades, quando elas aparecerem.