A COP30 de Belém, que acontecerá em novembro, já enfrenta críticas antes mesmo de começar. As contradições entre o discurso ambiental brasileiro e as ações práticas do governo federal têm gerado polêmica no cenário internacional.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo, disponível nas principais plataformas. Ouça aqui.
"A COP vai acontecer em novembro, mas para a agenda ambiental ela já está a todo vapor", ironiza Thais Bilenky no podcast A Hora desta sexta-feira (20), destacando que esta conferência tem como missão implementar os acordos fechados nas edições anteriores, especialmente o famoso parágrafo 28 da COP de Dubai.
O parágrafo 28 marcou história por ser "a primeira vez, em 30 anos de COP, que se falou no fim dos fósseis", como explica a colunista, lembrando que 75% das emissões de gases de efeito estufa no mundo vêm da queima de combustível fóssil. O problema, segundo ela, é que "nunca se falou como ia ser feito, nem por onde ia começar, nem quanto".
A contradição brasileira ficou evidente quando, durante a conferência preparatória de Bonn, na Alemanha, o governo federal deu sua contribuição para acabar com o combustível fóssil, fazendo um leilão de mais de 170 blocos de petróleo, 47 deles na forma da Amazônia. Para Bilenky, essa situação é "quase comparável", em termos de sabotagem à agenda ambiental, à polêmica declaração do ministro Alexandre Silveira no primeiro dia da COP de Dubai sobre a possível entrada do Brasil na Opep+.
Além das questões políticas, a logística da COP30 virou um pesadelo. Um diretor de grande empresa relatou que reduziu a equipe que vai à COP, "a praticamente só três ou quatro pessoas, normalmente seria uma delegação de 15 a 20, porque não tem onde ficar e custa caríssimo".
Os preços chegaram a níveis absurdos: R$ 50 mil por 15 dias em hotel três estrelas, o que representa mais de R$ 3 mil por diária. Em hotéis cinco estrelas, o valor salta para R$ 250 mil por pessoa em um apartamento, com alguns imóveis sendo alugados por R$ 1,5 milhão.