30 junho, 2025

Revista Zum

 

RAINHAS DAS MATAS por Rafaela Kennedy & Rainha das Matas

No mês do Orgulho LGBTQIAPN+, convidamos a artistaRafaela Kennedypara realizar um ensaio visual doFestival Rainha das Matas, que acontece em Soure, no arquipélago do Marajó.Ágata Felina, performer e uma das idealizadoras do evento, se une a Rafaela e às rainhas e princesas para refletir sobre o artivismo queer socioambiental e seus processos criativos.

“Cada tronco tingido de urucum devolve à terra o erotismo que lhe foi amputado. No Marajó, barro, seiva e suor unem-se num mesmo perfume mineral, desobedecendo a fronteira entre carícia e ecologia. Contra o roteiro heteroecológico que ainda quer separar nossas potências do mundo vivo, o Rainha das Matas faz germinar uma volúpia vegetante, trepadeira que escala troncos, brotando em tudo.”

FOTOMONTAGEM & IA por Jörg Colberg

Em artigo, o editor e crítico de fotografia alemão Jörg Colberg traça paralelos políticos e estéticos entre a fotomontagem e as imagens geradas por inteligência artificial e se pergunta: “em teoria, imagens geradas por IA poderiam ser usadas para combater o fascismo. Mas isso não ocorre, uma vez que elas não cumprem esse papel. Por quê?”

“Na montagem, o artefato é um recurso expressivo; na IA generativa, é um erro. Como a IA busca evitar qualquer imperfeição, não vejo como um artista comprometido com sua prática poderia adotá-la. A boa arte nasce da dúvida e dos erros, precisamente o que os desenvolvedores da IA generativa se esforçam para eliminar.” [Imagem: Hannah Höch]

...UMAS por Lenora de Barros & Pollyana Quintella

Na coluna semanal que a artistaLenora de Barrosmanteve noJornal da Tarde, no início dos anos 1990, artes visuais e cultura pop se misturam em raro espaço de experimentação num veículo de circulação de massa.

Em texto escrito para a edição impressa da revista ZUM #28, e agora aberto no site, a curadora e pesquisadoraPollyana Quintellaressalta que “foi o espaço do jornal, e não o do museu, que permitiu a Barros circular entre diferentes estratos culturais, embaralhando valores do kitsch e do bom gosto, das estéticas do alto e do baixo escalão.”

ARQUIVO ZUM

O corpo fotográfico - A artista japonesa Mari Katayama utiliza o autorretrato como forma de expressão e coloca seu próprio corpo como elemento central de suas produções. Nascida com hemimelia tibial e apenas dois dedos na mão esquerda, teve as duas pernas amputadas aos nove anos de idade e passou a utilizar próteses que a acompanham durante toda a vida. Os pesquisadores brasileiros Daniel Salum e Lucas Gibson conversaram com Mari sobre sua obra.

Cinema em Cabul - A partir de trabalhos do cineasta belga Francis Alys e do artista chileno Alfredo Jaar, o colunista Moacir dos Anjos comenta processos de supressão de imagens ao longo da história comum do Afeganistão, do Talibã e dos Estados Unidos. “É nesse campo de disputa em que imagens são apagadas e outras se tornam inevitavelmente públicas que se tece uma política do olhar que implica, para muitos, a possibilidade de permanecer ou não vivo. ”
Máquinas de visão⁠ - O jornalista e curador Érico Elias relaciona a obra do cineasta alemão Harun Farocki a ideias e conceitos de três grandes pensadores da fotografia do final do século passado: Flusser, Barthes e Virilio.⁠ "[Farocki] não se cansa de denunciar a guerra como resultado direto da crescente autonomização do pensamento e da produção. No campo das imagens, essa autonomização se realiza por meio das 'máquinas de visão', máquinas que passam a prescindir dos seres humanos nas atividades que realizam a partir de imagens coletadas e processadas internamente".⁠
RECOMENDAÇÕES 

A revista Musée publicou um perfil da artista norte-americana Lee Miller: “Poucos fotógrafos personificaram de forma tão totalizante a definição de Nietzsche da vida como obra de arte. Como? Miller nunca teve medo de dançar pela vida, explorando todos os talentos que possuía, transitando (de uma forma bastante contemporânea) da carreira de modelo para a fotografia do cotidiano, para o registro de histórias de moda e para o embarque em um voo rumo à frente de batalha.” [Revista Musée]

Ensaio do escritor Ocean Vuong publicado pela revista Aperture investiga o trabalho da fotógrafa vietnamita An-My Lê. Na visão da revista, suas imagens exploram a complexa história do Vietnã e o impacto da guerra nas pessoas e nas paisagens, mesclando quietude e movimento, capturando a vida de pessoas comuns em meio às cicatrizes do conflito. “A ideia de a fotografia oferecer descrição narrativa é adequada, considerando a função historicamente probatória da fotografia, mas, como a maioria das ‘evidências’, o significado é estabelecido pela composição e pelo contexto.” [Aperture]

O site C4 Journal resenha o fotolivro Apolis, do artista iraniano Arash Fayez. O livro documenta a vida de Fayez de 2014 a 2018, quando, após obter uma bolsa de mestrado em Belas Artes no California College of Arts, em São Francisco, se viu em uma zona cinzenta civil que seu advogado de imigração descreveu como: “não ilegal, mas (…) também não legal”. Nesse estado de precariedade, Fayez vivia entre mundos, navegando em um sistema que tanto definia quanto negava sua presença. [C4 Journal]

Por ocasião de sua exposição Comunidades. Projetos 2005-2025, o Giornale Dell’Arte entrevistou o fotógrafo franco-argelino Mohamed Bourouissa. “Vindo de uma família sem formação artística, meu primeiro contato com a arte foi através de quadrinhos, ‘tirinhas’ e, posteriormente, grafite. Por isso, não faço distinção entre arte menor e arte maior, mas acredito que haja uma interdependência entre esses gêneros. O termo subcultura implica uma hierarquia. Tento simplesmente descrever o que me cerca, o que, de fato, faz parte da minha cultura.” [Giornale Dell'Arte]

INSCRIÇÕES ABERTAS

Gomma Get Published photobook dummy – até 14 de julho
Premio STGO Fotolibro 2025 – até 15 de julho
ValenciaPhoto 2025 – até 30 de julho
Prix Henri Cartier-Bresson 2025– até 31 de julho
2025 Lucie Photo Book Prize– até 22 de agosto


REVISTA ZUM #28

IVI MAIGA BUGRIMENKO & LEO FELIPE / THE ANONYMOUS PROJECT & OMAR VICTOR DIOP & TAOUS DAHMANI / RICO DALASAM / LENORA DE BARROS & POLLYANA QUINTELLA / LINCOLN PÉRICLES & JULIANO GOMES / MUSEU PALESTINO & NASSER RABAH / MOMO OKABE / PAULA SAMPAIO & FLAVYA MUTRAN / PEDRO COSTA & NUNO CRESPO