Os Mamíferos representam uma das classes mais complexas e bem-sucedidas de vertebrados da história evolutiva. Assim, com grande diversidade de formas, comportamentos e adaptações, destacam-se pela presença de pelos e glândulas mamárias. Decerto, sua evolução revela um percurso notável de inovação biológica.
Mamíferos: mestres da adaptação e da complexidade biológica
28/6/2025 :: por Marco Pozzana, biólogo
Ao longo da história evolutiva da Terra, poucos grupos animais demonstraram tamanha sofisticação anatômica, comportamental e ecológica quanto os mamíferos. Esta classe, à qual pertencem os seres humanos, não apenas representa um marco na diversificação da vida, como também simboliza um ápice evolutivo em termos de cuidado parental, regulação fisiológica e plasticidade adaptativa.
Os mamíferos (Mammalia) são vertebrados que compartilham um conjunto único de características. Entre as mais notáveis, destacam-se a presença de glândulas mamárias funcionais nas fêmeas, responsáveis pela produção de leite para nutrir os filhotes, e a presença de pelos, ainda que estes possam ser reduzidos ou ausentes em alguns grupos, como nos cetáceos adultos. São, em sua maioria, endotérmicos, ou seja, mantêm a temperatura corporal constante, característica essencial para sustentar altos níveis de atividade metabólica (Nowak, 1999; Vaughan et al., 2013).
O início dos estudos
Embora tradicionalmente se acredite que os primeiros mamíferos tenham surgido durante o período Jurássico (aproximadamente 176 a 161 milhões de anos atrás), evidências fósseis mais recentes apontam para origens ainda mais remotas, no Triássico Superior, há cerca de 208 milhões de anos (Kielan-Jaworowska et al., 2004). Com efeito, esses dados indicam uma longa história de diversificação evolutiva, repleta de formas intermediárias e adaptações complexas.
Posto que o reconhecimento formal da classe Mammalia começou a se consolidar nos séculos XVII e XVIII, então, John Ray, em 1693, propôs critérios científicos claros para distinguir este grupo. Assim como a presença de pulmões, circulação dupla e viviparidade. Posteriormente, Lineu, em 1758, ao publicar o Systema Naturae, cunhou o termo Mammalia, referindo-se às fêmeas com glândulas mamárias — definição ainda válida, mesmo com a descoberta posterior dos monotremados (Bininda-Emonds et al., 2007).
PARTICULARIDADES (CARACTERÍSTICAS)
O reconhecimento formal da classe Mammalia começou a se consolidar nos séculos XVII e XVIII. John Ray, em 1693, propôs critérios científicos claros para distinguir este grupo, como a presença de pulmões, circulação dupla e viviparidade. Posteriormente, Lineu, em 1758, ao publicar o Systema Naturae, cunhou o termo Mammalia, referindo-se às fêmeas com glândulas mamárias — definição ainda válida, mesmo com a descoberta posterior dos monotremados (Bininda-Emonds et al., 2007).
Os mamíferos marinhos, em particular, evoluíram para aproveitar a distância e a qualidade da propagação do som debaixo d'água e para compensar a pouca visibilidade nas profundezas escuras.
- TATIANA SCHLOSSBERG (JORNALISTA AMBIENTAL E AUTORA AMERICANA)
Contudo, mais recentemente, o zoólogo E. R. Hall (1981) resumiu com precisão os atributos que distinguem os mamíferos de outras classes. Só para exemplificar: o crânio bicôndilo, a presença de pelo em alguma fase do ciclo de vida, o coração com quatro câmaras, o diafragma muscular, e os glóbulos vermelhos anucleados. Além disso, a mandíbula composta por um único osso (dentário) e a articulação direta com o crânio representam inovações significativas.
Ao se observar a anatomia, a fisiologia e o comportamento dos mamíferos, torna-se evidente o grau de integração e complexidade que os caracteriza. O cérebro aumentado, por exemplo, sustenta funções cognitivas sofisticadas, que incluem aprendizado social, memória e resolução de problemas (Jerison, 1973). Em síntese, a presença de um sistema nervoso altamente especializado permite reações comportamentais finas e complexas, frequentemente ajustadas ao ambiente e ao contexto social.
Entre as principais características da classe Mammalia estão:
- Lactação e cuidado parental prolongado.
- Viviparidade obrigatória, excetuando-se os monotremados.
- Pelos e estruturas dérmicas derivadas, como espinhos, escamas, cornos e cascos.
- Respiração pulmonar eficiente, apoiada por um diafragma funcional.
- Coração tetracavitário com arco aórtico esquerdo persistente.
- Sistema auditivo refinado, com três ossículos e cóclea espiralada.
- Sistema sensorial apurado, com grandes aurículas externas e olfato sensível.
- Dentição heterodonte e difiodonte, com dentes especializados por função.
- Locomoção diversificada, com membros adaptados a diferentes tipos de ambiente.

Além disso, os mamíferos apresentam uma impressionante diversidade comportamental. Isto é, desde sociedades altamente estruturadas, como as observadas em elefantes e primatas, até estratégias reprodutivas complexas, o grupo demonstra uma plasticidade adaptativa notável. Comportamentos como cooperação, ensino e comunicação simbólica reforçam a posição desta classe como uma das mais bem-sucedidas da história evolutiva (Wilson, 1975).
Conclusão:
Apesar de seu sucesso evolutivo, os mamíferos enfrentam atualmente desafios consideráveis. A destruição de habitats, a caça predatória e as mudanças climáticas colocam muitas espécies sob grave ameaça. A conservação dos mamíferos não é apenas uma questão ética, mas essencial para a manutenção de ecossistemas equilibrados e funcionais (Ripple et al., 2014).
Em conclusão, os mamíferos não apenas representam um clado extremamente versátil, mas também servem como testemunhos vivos da engenhosidade da evolução. Por certo, sua complexidade fisiológica, combinada à capacidade de aprendizado e à variedade de formas de vida, assegura-lhes um lugar central na biologia moderna e na história natural do planeta.
Fontes e referências:
- Bininda-Emonds, O. R. P., et al. (2007). The delayed rise of present-day mammals. Nature, 446(7135), 507–512. https://doi.org/10.1038/nature05634
- Hall, E. R. (1981). The Mammals of North America (2nd ed.). Wiley.
- Jerison, H. J. (1973). Evolution of the Brain and Intelligence. Academic Press.
- Kielan-Jaworowska, Z., Cifelli, R. L., & Luo, Z. X. (2004). Mammals from the Age of Dinosaurs: Origins, Evolution, and Structure. Columbia University Press.
- Nowak, R. M. (1999). Walker's Mammals of the World (6th ed.). Johns Hopkins University Press.
- Ripple, W. J., et al. (2014). Status and ecological effects of the world’s largest carnivores. Science, 343(6167), 1241484. https://doi.org/10.1126/science.1241484
- Vaughan, T. A., Ryan, J. M., & Czaplewski, N. J. (2013). Mammalogy (6th ed.). Jones & Bartlett Learning.
- Wilson, E. O. (1975). Sociobiology: The New Synthesis. Harvard University Press. [PDF]
Apoie o Biólogo