10 maio, 2026

Uma guitarra transcendental | Blog do Gerson Nogueira


De Pitadas do Sal

Idealiza a cena:

O riff entra cortando o silêncio como navalha elétrica. A bateria cresce. Rita Lee vem rasgando tudo. E no meio daquele vendaval chamado Fruto Proibido existe uma guitarra que não apenas acompanha a música. Ela fala. Ela provoca. Ela empurra o rock brasileiro para outro lugar.

Luiz Carlini partiu, “foi beijar o céu”.

E eu confesso que escrever isso ainda parece estranho.

Existem artistas que ultrapassam o limite da técnica e entram num território mais raro: o da memória afetiva coletiva. Carlini era isso. Um guitarrista capaz de transformar poucas notas em identidade. Um músico que ajudou a construir a linguagem do rock brasileiro quando tudo ainda era descoberta, improviso, amplificador no talo e vontade de fazer história.

Muito antes de algoritmo, trend ou fórmula pronta, Carlini já entendia algo essencial: música precisa ter verdade.

Sua guitarra em “Ovelha Negra”, “Agora Só Falta Você”, “Esse Tal de Roque Enrow” e tantas outras canções não envelheceu. Continua quente. Continua viva. Continua perigosa. Porque ali existia personalidade. Existia alma. Existia um cara tocando para a canção crescer, não para alimentar vaidade técnica.

Recebê-lo no Pitadas do Sal foi uma honra gigantesca para mim. Carlini carregava aquela mistura rara de grandeza histórica com simplicidade humana. Falava sobre música com brilho no olhar. Como alguém que ainda acreditava no impacto transformador de um riff atravessando o peito da gente.

E atravessa.

O rock brasileiro perde hoje um de seus arquitetos centrais. Um homem que ajudou Rita Lee a incendiar padrões, desafiar conservadorismos e construir um dos discos mais importantes da história da música brasileira.

Mas certas pessoas não desaparecem completamente.

Enquanto existir alguém colocando Fruto Proibido para tocar no volume máximo, Luiz Carlini continua vivo.

Escrevi um texto especial no blog do Pitadas do Sal sobre a trajetória, a importância histórica e o legado desse gigante da guitarra brasileira.

Hoje o rock brasileiro toca mais baixo.


Luiz Carlini era puro talento e dedicação máxima ao ofício de tocar guitarra,

 desde o final dos anos 1970, nos bares e boates roqueiras de São Paulo. Praticou tanto que atingiu status de herói da guitarra. Sempre se destacou pela fluência absurda no manejo do instrumento e na versatilidade para transitar entre diferentes gêneros, do rock ao blues e ao pop.

Criado no bairro Paulistano da Pompeia, ele iniciou como assistente de palco dos Mutantes, onde absorveu muito da técnica experimental de Serginho Dias Baptista. Em 1973, Carlini fundou o Tutti-Frutti, que se destacaria como base sonora para a fase mais rock’n’roll de Rita Lee, pré-Roberto Carvalho e novelinhas da Rede Globo.

A discografia de Rita deve muito ao toque mágico de Carlini nas guitarras, principalmente no clássico LP Fruto Proibido (1975) e Entradas e Bandeiras (1976). Corista de Rock é desta época. Parceria dele com Rita, assim como nas canções Agora só falta você, Esse tal de Roque Enrow, Lá vou eu e na icônica Ovelha Negra, que eternizou o solo mais genial do rock brasileiro.

Sobre a canção, Carlini contava que o solo não estava no arranjo original e foi incluído por insistência do músico durante as sessões na Companhia Industrial de Discos, no Rio de Janeiro. Ele disse ter sonhado com a melodia e defendido o solo diante da Resistência da produção, que considerava a balada finalizada sem necessidade de novas inserções instrumentais.

Depois do Tutti-Frutti, Carlini saiu pelo mundo, tocando com muita gente de diferentes estilos, de Lobão a Guilherme Arantes, passando por Erasmo Carlos e uma experiência brilhante com o Camisa de Vênus no disco ao vivo Desplugado, com solos caprichados para os hits da banda baiana.

Compositor, diretor musical e reconhecidamente um dos maiores guitarristas da história do Brasil, Carlini morreu aos 73 anos nesta quinta-feira (7), no Hospital Metropolitano, em São Paulo. A causa não foi informada. Estava em plena atividade nos últimos anos, apresentando-se em shows regularmente.

O timbre de Carlini e a capacidade de produzir arranjos memoráveis deram a ele um status de excelência entre os músicos de sua geração. Em 2012, a revista Rolling Stone Brasil o incluiu entre os trinta maiores ícones da guitarra no país. Sua biografia foi registrada no documentário “Luiz Carlini – Guitarrista de Rock“, lançado em agosto de 2023 sob direção de Luiz Carlos Lucena.

A obra tem depoimentos de Frejat, Pepeu Gomes e Andreas Kisser, que destacam a influência de Carlini na transição do rock psicodélico para o hard rock nacional.

(Com informações da Billboard Brasil, Bizz e Folha de S. Paulo)




Luiz Carlini era puro talento e dedicação máxima ao ofício de tocar guitarra, desde o final dos anos 1970, nos bares e boates roqueiras de São Paulo. Praticou tanto que atingiu status de herói da guitarra. Sempre se destacou pela fluência absurda no manejo do instrumento e na versatilidade para transitar entre diferentes gêneros, do rock ao blues e ao pop.

Criado no bairro paulistano da Pompeia, ele iniciou como assistente de palco dos Mutantes, onde absorveu muito da técnica experimental de Serginho Dias Baptista. Em 1973, Carlini fundou o Tutti-Frutti, que se destacaria como base sonora para a fase mais rock’n’roll de Rita Lee, pré-Roberto Carvalho e novelinhas da Rede Globo.

A discografia de Rita deve muito ao toque mágico de Carlini nas guitarras, principalmente no clássico LP Fruto Proibido (1975) e Entradas e Bandeiras (1976). Corista de Rock é desta época. Parceria dele com Rita, assim como nas canções Agora só falta você, Esse tal de Roque Enrow, Lá vou eu e na icônica Ovelha Negra, que eternizou o solo mais genial do rock brasileiro.

Sobre a canção, Carlini contava que o solo não estava no arranjo original e foi incluído por insistência do músico durante as sessões na Companhia Industrial de Discos, no Rio de Janeiro. Ele disse ter sonhado com a melodia e defendido o solo diante da resistência da produção, que considerava a balada finalizada sem necessidade de novas inserções instrumentais.

Depois do Tutti-Frutti, Carlini saiu pelo mundo, tocando com muita gente de diferentes estilos, de Lobão a Guilherme Arantes, passando por Erasmo Carlos e uma experiência brilhante com o Camisa de Vênus no disco ao vivo Desplugado, com solos caprichados para os hits da banda baiana.

Compositor, diretor musical e reconhecidamente um dos maiores guitarristas da história do Brasil, Carlini morreu aos 73 anos nesta quinta-feira (7), no Hospital Metropolitano, em São Paulo. A causa não foi informada. Estava em plena atividade nos últimos anos, apresentando-se em shows regularmente.

O timbre de Carlini e a capacidade de produzir arranjos memoráveis deram a ele um status de excelência entre os músicos de sua geração. Em 2012, a revista Rolling Stone Brasil o incluiu entre os trinta maiores ícones da guitarra no país. Sua biografia foi registrada no documentário “Luiz Carlini – Guitarrista de Rock“, lançado em agosto de 2023 sob direção de Luiz Carlos Lucena.

A obra tem depoimentos de Frejat, Pepeu Gomes e Andreas Kisser, que destacam a influência de Carlini na transição do rock psicodélico para o hard rock nacional.

(Com informações da Billboard Brasil, Bizz e Folha de S. Paulo)