
A atriz norte-americana Carolyn Jones nasceu no dia de hoje, 28 de abril, em 1930. Apesar de ter tido uma carreira bem sucedida tanto no cinema quanto na televisão, incluindo uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo drama "Despedida de Solteiro" (1957), ela ficou eternamente marcada na memória dos fãs por seu icônico papel como Mortícia na cultuada série de TV dos anos 60, "A Família Addams".
Carreira antes de Mortícia Addams
Carolyn Sue Jones nasceu em 28 de abril de 1930, em Amarillo, Texas, filha da dona de casa Chloe Jeanette Southern e do barbeiro Julius Alfred Jones. Carolyn tinha uma irmã mais nova, Bette Rhea Jones. O pai de Carolyn abandonou a família quando ela tinha 4 anos, em 1934, obrigando sua mãe a mudar-se com as filhas para a casa dos avós maternos ali mesmo em Amarillo. Carolyn sofria de asma crônica e impossibilitada de realizar diversas atividades típicas de sua idade, passava horas folheando revistas de cinema e sonhando em se tornar atriz. Aos 18 anos, ela conseguiu se matricular no prestigiado teatro Pasadena Playhouse, na Califórnia, graças ao avô, Charles W. Baker, que pagou seus estudos. Em 1950, ela se casou com um colega de classe, Don Donaldson, oito anos mais velho, mas o casamento terminou em divórcio no ano seguinte.
Durante seu período no Pasadena, Carolyn foi descoberta por um olheiro e ganhou um contrato com a Paramount Pictures para atuar em pequenos papéis (a maioria não creditado), fazendo sua estreia nas telas no thriller noir "Tributo de Sangue" (The Turning Point, 1952), estrelado por William Holden, e em produções estreladas por Bob Hope e Bing Crosby. Outros de seus filmes no período incluem o clássico de ficção científica "A Guerra dos Mundos" (War of the Worlds, 1953), onde é vista como uma convidada loira em uma festa, e o terror "Museu de Cera" (House of Wax, 1953), no qual recebeu os créditos como Cathy Gray, a mulher que é transformada em estátua de cera por Vincent Price. Ainda em 1953, ela apareceu como Doris no clássico noir de Fritz Lang "Os Corruptos" (The Big Heat), estrelado por Glenn Ford e Gloria Grahame. Embora Carolyn Jones tenha sido escalada para atuar como Alma "Lorene" Burke, uma das personagens principais em "A Um Passo da Eternidade, de 1953, uma pneumonia a obrigou a desistir, e o papel foi para Donna Reed, que acabou vencendo o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Carolyn Jones fotografada por Allan Grant, 1957.
Depois de se recuperar, Carolyn apareceu em pequenos papéis no drama noir "Make Haste to Live" (1954), estrelado por Dorothy McGuire, no faroeste "Três Horas para Matar" (Three Hours to Kill, 1954), estrelado por Dana Andrews e Donna Reed, na comédia de Billy Wilder "O Pecado Mora ao Lado" (The Seven Year Itch, 1955), estrelada por Marilyn Monroe, no qual interpretou a enfermeira Finch, na ficção científica cult de Don Siegel "Vampiros de Almas" (Invasion of the Body Snatchers, 1956), e no thriller de suspense de Alfred Hitchcock "O Homem Que Sabia Demais" (The Man Who Knew Too Much, 1956), no qual viveu Cindy Fontaine, amiga da personagem de Doris Day no filme. Em 1953, Carolyn Jones se converteu ao Judaísmo para se casar com o futuro produtor de TV Aaron Spelling, então um jovem roteirista tentando fazer carreira em Hollywood. Carolyn havia feito sua estreia na televisão em 1952, no seriado de antologias "Gruen Playhouse", exibido pelo canal pioneiro DuMont, e depois fez aparições ao longo da década em séries importantes como "Dragnet" (creditada como "Caroline Jones"), "City Detective" e "State Trooper", além de "Alfred Hitchcock Presents", no episódio "The Cheney Vase" (1955), e estrelou o episódio "The Girl in the Grass" do seriado de antologia "Schlitz Playhouse of Stars", além de aparecer na série de faroeste "Wagon Train", no começo dos anos 60.
A carreira de Carolyn Jones parecia que iria dar uma guinada quando em 1957 ela atuou ao lado de Don Murray no polêmico drama "Despedida de Solteiro" (The Bachelor Party), como uma jovem festeira que se revela extremamente solitária, papel que deu à ela uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. No ano seguinte, atuou ao lado de Natalie Wood e Gene Kelly no drama romântico "Até o Último Alento" (Marjorie Morgenstern), no papel de Marsha Zelenko, que lhe valeu o Globo de Ouro de Revelação do Ano - Atriz, que dividiu com Sandra Dee e Diane Varsi. No mesmo ano, atuou com Elvis Presley em "Balada Sangrenta" (King Creole, 1958). Em 1959, Carolyn apareceu em quatro filmes importantes: a comédia "Os Viúvos Também Sonham" (A Hole in the Head", dirigida por Frank Capra, ao lado de Frank Sinatra e Edward G. Robinson, o drama "Calvário da Glória" (Career), com Dean Martin e Shirley MacLaine, o faroeste de John Sturges "Duelo de Titãs" (Last Train from Gun Hill), estrelado por Anthony Quinn e Kirk Douglas, e o thriller de suspense de Michael Curtiz "A Mulher Que Comprou a Morte" (The Man in the Net), ao lado de Alan Ladd.

No começo dos anos 60, a carreira de Carolyn Jones no cinema perdeu fôlego: ela fez apenas um filme em 1960, o drama histórico "Ice Palace", e mais um em 1961, a comédia de assalto "Sail a Crooked Ship", e em 1962 apareceu no faroeste multiestelar "A Conquista do Oeste", dirigido por John Ford, Henry Hathaway e George Marshall. Ajudada por seu marido Aaron Spelling (foto ao lado; fonte Wikipedia), ela retornou à televisão, escalada para vários de seus programas de TV, incluindo "The Lloyd Bridges Show" e "The Dick Powell Show". Em 1963, ela foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série de TV por interpretar quadrigêmeas (uma vítima de assassinato e as outras suspeitas), no episódio "Who Killed Sweet Betsy?" da série policial "Burke's Law", também produzida por Aaron Spelling. Em 1963, Carolyn Jones teve um papel coadjuvante na comédia "Operação Matrimônio" (A Ticklish Affair"), estrelada por Shirley Jones. No ano seguinte, ela se divorciou de Spelling, mas ambos continuaram amigos, com Carolyn fazendo aparições em várias outras de suas séries famosas, como "A Ilha da Fantasia" e "O Barco do Amor", já no final dos anos 70 e início dos anos 80.
Mortícia Addams e carreira posterior
Em 1964, Carolyn Jones foi escalada para o papel que a imortalizou: Mortícia Addams, a matriarca da excêntrica família dos quadrinhos de humor criados por Charles Addams em 1933 e publicados originalmente no jornal The New Yorker, em sua primeira adaptação live-action como um seriado de TV que foi ao ar na rede americana ABC. Produzido por Nat Perrin e David Levy, "A Família Addams" (The Addams Family) foi ao ar de 18 de setembro de 1964 a 8 de abril de 1966, por duas temporadas e totalizando 64 episódios.
Ao mesmo tempo em que humanizou os personagens, dando nomes definitivos a alguns deles e criando toda uma genealogia que seria a base para as futuras produções baseadas nos personagens de Charles Addams, o programa transportou a ação para um cenário atual, criando um tom familiar mas ao mesmo tempo inovando os modelos de seriados de TV com seu humor mórbido e nonsense que misturava sátira social, comportamento e fazia piadas com o american way of life através de tiradas geniais - o produtor Nat Perrin era um amigo próximo de Groucho Marx e foi roteirista de vários filmes dos Irmãos Marx -, caindo no gosto do público graças a um elenco impecável e um tema de abertura que misturava acordes de comédia pastelão com estalos de dedos que entrou para o inconsciente coletivo.
Relembre a sequência de abertura com o tema musical criado pelo veterano compositor de Hollywood Vic Mizzy:
"A verdadeira chefe da família e a força motriz e essencial por trás dela. De voz baixa, incisiva e sutil; sorrisos são raros. Essa beleza decadente também tem um lado romântico e se entrega a rapsódias discretas sobre seu jardim de beladona, meimendro e cabelo de anão. Geralmente tolera as atividades frequentemente sinistras das crianças, mas sente que o Tio Fester precisa ser controlado. Seu traje é sempre o mesmo — o vestido preto justo, esfarrapado ou cortado em tiras nos cotovelos e nos pés. Ocasionalmente, ela usa um xale. Sua voz nunca é elevada, mas tem grande alcance. Desdenhosa e original, com uma lealdade familiar feroz. Ela nunca usa um clichê, exceto para ser engraçada. Ela é uma anfitriã atenciosa à sua maneira e, se um convidado precisar de algo, é aconselhado a gritar por isso. As crianças são instruídas a observar as comodidades e sempre dar um chute de boa noite no papai." — Charles Addams


Além de Carolyn Jones como Mortícia, o seriado apresentava John Astin como seu marido Gomez, o veterano Jackie Coogan (que viveu o menino no clássico "O Garoto", de Chaplin) como Tio Fester, Ted Cassidy como o mordomo Lurch, Blossom Rock como Vovó Addams, mãe de Gomez, as crianças Lisa Loring e Ken Weatherwax, como os filhos do casal, Wednesday e Pugsley, e Thing ("Coisa"), como ela mesma - uma mão que serve como assistente para os membros da família. Além de Mortícia, Carolyn Jones usou uma peruca loira para interpretar também sua irmã mais velha, Ofélia, descrita como "a ovelha branca da família", personagem que, assim como o primo Itt, foi criado especialmente para o seriado. Outros parentes dos Gomez eram a Vovó Hester Frump, mãe de Mortícia, vivida pela veterana Margaret Hamilton de "O Mágico de Oz", e Melancholia, prima de Mortícia, vivida pela atriz Hazel Shermet.
"A Família Addams" foi um sucesso de audiência, mesmo rivalizando em sua exibição original com outra série de premissa semelhante, "Os Monstros", exibida pela CBS também durante os anos de 1964 a 1966. Mas ao contrário de "Os Monstros", que eram realmente monstros se comportando como seres humanos, "A Família Addams" eram seres humanos aparentemente normais com comportamentos bizarros típicos de monstros. De qualquer maneira, os dois programas se perpetuaram na mente do público ao longo das décadas, gerando a polêmica questão de qual das duas séries foi a melhor. Carolyn Jones recebeu uma indicação ao Globo de Ouro por sua interpretação de Mortícia, além de se consagrar na comédia, mas apesar do sucesso com o público, a ABC decidiu não renovar a série ao final da segunda temporada.
Carolyn Jones e John Astin em uma foto promocional da série de televisão A Família Addams, de 1964, e na foto seguinte com o elenco principal do programa.

Charles Addams e Carolyn Jones no set de filmagem da série de TV A Família Addams (1964-1966).
Carolyn Jones retornaria vestida como Mortícia no programa de estreia do seriado de jogos "Storybook Squares", que foi ao ar em 1969, no qual celebridades se vestiam como personagens famosos, e em 1972, ela dublou Mortícia no episódio "Wednesday Is Missing" da série de animação "The New Scooby-Doo Movies", mas ficaria de fora do elenco da versão animada de "A Família Addams" (1973) que durou uma única temporada e 16 episódios, com Ted Cassidy e Jackie Coogan reprisando seus papéis, e uma Jodie Foster de 10 anos fazendo a voz de Pugsley. A atriz viveria Mortícia (e também sua irmã, Ofélia) mais uma vez, no longa-metragem especial para a TV "Halloween With the New Addams Family", exibido pela NBC em 30 de outubro de 1977, que a reuniu com todo o elenco original da série.
Em 1968, Carolyn Jones se casou pela terceira vez, com o músico vencedor do Tony, Herbert Greene, com quem ficou casada até o divórcio em 1977.
Em 1969, ela apareceu em dois filmes: o faroeste "O Céu à Mão Armada" (Heaven with a Gun), que a reuniu com Glenn Ford, e o suspense australiano "Color Me Dead", refilmagem do filme noir de Hollywood dos anos 50, "D.O.A.", no qual interpretou Paula Gibson, a namorada de um contador (Tom Tryon) que após ser envenenado com uma toxina mortal, passa seus últimos dias de vida procurando o homem que o envenenou. A atriz só retornaria à tela grande em 1976 na produção B de terror "Eaten Alive" (também conhecida como "Death Trap", "Horror Hotel" e "Starlight Slaughter"), dirigida por Tobe Hooper e batizada no Brasil como "Devorado Vivo", ao lado de Robert Englund e Mel Ferrer, e em 1979, no drama "Good Luck, Miss Wyckoff", seu último papel no cinema.

Se por um lado o papel de Mortícia a imortalizou para as gerações futuras, por outro lado a atriz se sentiu estereotipada e lutou durante os anos seguintes para conseguir papéis melhores do que aqueles que lhe eram oferecidos. Ela continuou trabalhando na televisão, e apareceu como Marsha, a Rainha de Ouros, personagem recorrente do seriado "Batman" estrelado por Adam West nos anos 60, além de participações em "The Mod Squad", "The New Perry Mason", "Ironside", "Kolchak: The Night Stalker", "Quincy, M.E.", e "Wonder Woman", na qual atuou por três episódios como a Rainha Hipólita, mãe da Mulher Maravilha vivida por Lynda Carter, já no final dos anos 70. Ela também viveu a Sra. Moore na famosa minissérie "Raízes" (Roots), exibida em 1977.
O quarto e último casamento de Carolyn Jones foi com Peter Bailey-Britton em 1982, durando até a morte dela um ano depois. O último papel de Carolyn foi o de Myrna, a matriarca ardilosa do clã Clegg, na novela da CBS "Capitol", do primeiro episódio em março de 1982 até março de 1983, quando já sabia que estava morrendo de câncer de cólon, diagnosticado ainda em 1982. A doença rapidamente se espalhou e durante suas ausências ocasionais, ela foi substituída pela atriz Marla Adams e em muitas de suas cenas a própria atriz atuava em uma cadeira de rodas. Carolyn Jones entrou em coma em julho de 1983, vindo a falecer em 3 de agosto, aos 53 anos. Ao pedido dela, seu figurino de Morticia e sua peruca preta foram doados para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e uma coleção de roteiros de "A Família Addams" foi doada por Bailey-Britton para a UCLA.
Fonte: Wikipedia | Fotos adicionais: Acervo do Blog