Não é exatamente uma metodologia neutra e imparcial. Nada surpreendente, já que a pesquisa foi comprada e paga pela administração de Nunes.
O Painel da Folha repercutiu a “notícia” sem revelar a natureza enviesada da pergunta.
Tudo isso deve ser um grande erro, certo? Bem, de acordo com a DataFolha, não. “As pesquisas contratadas pela prefeitura seguem os padrões de metodologia e rigor do instituto”, disse à ombudsman da Folha. A Secretária de Redação também defendeu suas decisões.
Peraí, então esses são os padrões enviesados que o DataFolha e a Folha seguem normalmente? Bom saber.
O Intercept já revelou como Nunes pagou milhões à Folha por “publicidade nativa” que, às vezes, não foi identificada como tal, parecendo indistinguível de seu jornalismo. E a Folha, a Globo, o Estadão e muitos outros aceitam orgulhosamente enormes somas de dinheiro de empresas para patrocinar a cobertura do próprio setor em que atuam. Por exemplo, quando a JBS e a Vale – os dois maiores vilões ambientais do país –, patrocinaram a cobertura da conferência ambiental COP30 pelas principais redações.
A grande mídia adora culpar o bolsonarismo pela queda na confiança no jornalismo nos últimos anos, mas raramente ousa olhar no espelho.
Existe hoje uma aliança profana entre jornalismo e governos. O fisco pega seu dinheiro suado e, em vez de usá-lo para fornecer serviços essenciais, prefeitos, governadores e ministros o entregam aos meios de comunicação para fazer propaganda que engana você.
Acho isso uma baita palhaçada. Você concorda?
Esse tipo de comportamento deveria ser um escândalo, mas ninguém que está recebendo esses milhões e milhões de reais em dinheiro fácil vai questionar esse esquema publicamente. Por fim, a prática se tornou a norma no setor.
É por isso que, no Intercept Brasil, decidimos nunca aceitar dinheiro do governo. E é também por isso que não fazemos publicidade nativa, “publis” ou patrocínios.
No jornalismo, sua credibilidade é tudo o que você tem. E enquanto outros veículos alegam que precisam fazer esses acordos com o diabo para sobreviver, provamos que isso não é verdade. Mas com certeza não é o caminho mais fácil.
O Intercept Brasil depende quase inteiramente de pequenas contribuições mensais de milhares de seus leitores para sustentar seu jornalismo – pessoas como você. Sim, como resultado, arrecadamos muito menos dinheiro do que nossos concorrentes, mas podemos manter a cabeça erguida ao afirmar que nossa reportagem é verdadeiramente independente.
Isso significa que, embora possamos errar em algum fato de vez em quando, você pode confiar que isso nunca será porque alguém nos pagou para isso. Dá para dizer o mesmo de qualquer redação da grande mídia hoje em dia?
Olha, acabamos de lançar nossa importantíssima campanha de arrecadação de maio. O Intercept precisa urgentemente recrutar 1.000 novos apoiadores mensais que acreditem no valor do jornalismo independente.
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Vamos revelar os segredos dos poderosos e estabelecer um padrão mais alto de honestidade e ética no jornalismo. O Brasil merece melhor – e isso começa com você e comigo. Junte-se a nós hoje.