O endividamento das famílias brasileiras foi novamente recorde em fevereiro, segundo o Banco Central. A alta mensal foi de 0,1 ponto percentual, atingindo 49,9%, maior número desde janeiro de 2005. Esse número significa que as dívidas das famílias no mês equivalem a 49,9% da renda acumulada por elas nos últimos 12 meses. Neste quadro, pesquisa Datafolha revela que 45% dos brasileiros tentaram obter uma renda alternativa nos últimos meses. 59% dos ouvidos afirmaram que seus ganhos atuais são insuficientes para cobrir suas despesas. As famílias endividadas preocupam o governo federal, que lança em breve um novo programa de renegociação. Analistas creditam ao endividamento parcela de culpa pela baixa popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve concorrer à reeleição. Leonardo Sakamoto alerta que, além dos juros altos e do crédito fácil, as bets, apostas online que trazem "a ilusão de encarar apostas como complemento de renda ou solução para dívidas", estão afundando as famílias brasileiras nos boletos. "Ou o Brasil acaba com as bets ou as bets vão acabar com o Brasil", insiste Sakamoto. Para o colunista José Paulo Kupfer, os limites frouxos do crédito e a falta de supervisão abrem espaço para o endividamento. Ele acredita que o problema não se deve apenas à popularização das bets, mas é anterior e estrutural. E Kupfer encara a educação financeira da população como parte da solução do problema. Leonardo Sakamoto: Dívida do brasileiro dispara com proteção de políticos e empresas às bets José Paulo Kupfer: Supervisão de menos e limites frouxos abrem espaço para superendividamento Mônica Bergamo: Desenrola 2.0 permitirá uso do FGTS apenas para quitar total da dívida Mariana Barbosa: Entenda o novo indicador da FGV que mede mal-estar com o endividamento |