Bom dia!
Chamar o alinhamento de calendários entre o Fed e o BC brasileiro de Superquarta virou jargão no noticiário econômico. Sempre que as reuniões de política monetária caem no mesmo dia, a data ganha o selo turbinado.
Mas a alcunha ficou pequena para esta quarta em especial. Para além das decisões, o dia será marcado pela provável despedida de Jerome Powell do Fed, pela publicação dos resultados financeiros de quatro das sete Magníficas (as big techs) após o fechamento do mercado, e há ainda a agenda doméstica, carregada de dados de emprego. Vamos, então, por partes.
As decisões de Fed e Copom não devem surpreender. Nos EUA, os juros devem ser mantidos, resultados da solidez dos indicadores de emprego e atividade, enquanto a inflação já vinha resiliente mesmo antes do choque dos combustíveis.
A pergunta, portanto, está mais ligada aos recados que Powell pode passar em sua entrevista que pode ser de despedida. O mandato do presidente do Fed termina em maio, e o Congresso americano avança para aprovar o sucessor, Kevin Warsh, sob o receio de que ele será vulnerável aos caprichos de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos tentou coagir a instituição a baixar as taxas de juros na marra, enquanto perseguiu politicamente Powell e outros membros do BC americano.
A dúvida sobre as taxas de juros chega em um momento em que os mercados financeiros tentam focar nos resultados das gigantes de tecnologia para apostar na alta de ações. Após o fechamento do pregão, saem os resultados de Alphabet (dona do Google), Amazon, Microsoft e Meta (dona de WhatsApp, Instagram, Facebook e outras redes). O que investidores querem saber é o quanto essas companhias estão investindo em inteligência artificial versus a capacidade de fazer algum dinheiro com isso. Na terça, as bolsas cederam após notícias de que a OpenAI, a dona do ChatGPT e mãe das IAs para consumo geral, não conseguiu atingir suas metas de crescimento.
Nesta quarta, os futuros americanos tentam voltar ao positivo no pré-mercado. O EWZ, fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, opera perto do zero a zero, mas no positivo. Por aqui, o BC deve cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. Considerando as previsões de IPCA a 4,86% no final deste ano, o juro real do país gira em torno de 9,6%.
Um dos motivos para a taxa de juros alta também é relacionado aos dados sólidos de emprego. Tanto o IBGE quanto o Ministério do Trabalho divulgam nesta quarta dados de emprego, que podem revisar a resiliência da economia brasileira ante os juros elevados.
E ainda tem o início da temporada de balanço dos bancos, com a divulgação dos números do Santander agora pela manhã. Tudo indica que Faria Lima fará hora extra.